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domingo, 14 de fevereiro de 2016

A bênção de um lanche

 
Certo dia, durante o recreio na escola, Caio estava com seu amigo Olívio. Ambos, com os lanches nas mãos, comiam e conversavam.
Nessa hora, chegou um colega deles e acomodou-se ali perto. De vez em quando o garoto olhava para Caio e Olívio, com olhos famintos. Ele nada tinha para comer e estava com fome. Olívio, que mal havia começado a comer seu sanduíche, repartiu o lanche em dois e estendeu a mão, entregando uma metade ao colega:
— José, eu não estou com fome. Aceita dividir comigo este sanduíche? Se eu voltar para casa com ele, mamãe ficará triste, pois foi ela quem o fez.
Com tímido sorriso, José aceitou contente:
— Obrigado, Olívio. Deve estar uma delícia! Deus lhe pague!
E, agarrando o seu pedaço de sanduíche, José comeu-o rapidamente, depois agradecendo de novo, satisfeito foi lavar as mãos no bebedouro.
Carlos, que viu a atitude de Olívio com espanto, aproveitou que José se afastara, para repreender o colega:
— Olívio, por que repartiu seu lanche com aquele moleque? Afinal, ele não trouxe lanche e ainda comeu metade do seu! Não gosto de gente que se aproveita dos outros! Se ele estava com fome, por que não trouxe lanche?!...
Mas Olívio, ouvindo as palavras duras de Carlos, respirou fundo e respondeu:
— Carlos, eu conheço José. Ele é de família pobre, mas muito boa. Não traz lanche porque não tem nada em casa, entende? Então, quando isso acontece, não me incomodo de repartir meu lanche com ele. Antes de sair de casa, tomei um bom café da manhã e a metade de um sanduíche não me fará falta, pode acreditar.
Ao ouvir a explicação de Olívio, Carlos abaixou a cabeça, envergonhado por ter sido tão duro com um colega que era mais pobre do que ele. Logo tocou o sinal e eles voltaram para a classe, porém Carlos não conseguia esquecer o que Olívio tinha dito; as palavras do amigo ficaram martelando em sua cabeça.
Ao retornar para casa, Carlos continuava sem esquecer o que ouvira do colega. Não sabia que José fosse tão pobre e sentiu-se mal diante de sua própria conduta.
Ao deitar-se, fechou os olhos e a imagem de José apareceu à sua frente, fazendo-o lembrar-se de um dia, quando levara dois carrinhos de ferro à escola, destes que são importados, imitação de modelos idênticos aos verdadeiros. Notou que José não tirava os olhos dos carrinhos, encantado. Porém, não o deixou nem tocar nos brinquedos.
Agora, ali deitado, sentia-se envergonhado de sua atitude. Chorou por ter agido daquela maneira com José. E após resolver mudar de atitude com o colega, finalmente adormeceu.
No dia seguinte, Carlos levantou-se animado. Não precisou nem sua mãe vir chamá-lo. Tomou banho, vestiu-se e sentou-se para fazer a primeira refeição. Pediu para a mãe fazer um sanduíche a mais, bem gostoso, e dois sucos. Ela fez como ele pedira e disse:
— Nossa, meu filho! Pelo jeito, você amanheceu com fome!
— Não, mamãe. É para reparar um erro meu. Depois eu lhe conto. Tchau!...
— Vá com Deus, meu filho!...
Chegando à escola, Carlos estava radiante. Todos notaram a diferença nele sem saber a razão. Até a mestra viu-lhe a boa disposição, pois em geral ele era mal-humorado.
Na hora do recreio, ele correu para fora com seu amigo Olívio, e chamou José para ir junto. Encontraram um lugar bem tranquilo debaixo de uma árvore. Carlos pegou um dos sanduíches e entregou-o a José, que estranhou a atitude do colega.
— Não se preocupe, Carlos. Não estou com fome, acredite.
— Trouxe este sanduíche para você, José. Foi mamãe quem fez e deve estar muito bom. Prove-o! Ah! E tem também um suco para você! – Carlos respondeu com um sorriso.
 
De olhos arregalados, José olhou o sanduíche que estava em uma das mãos, o suco na outra, e os olhos brilharam de alegria. Depois, com voz tímida, perguntou:
— Carlos, você se incomoda se eu comer só a metade do lanche e tomar metade do suco?
— Não, faça o que quiser. Eu os trouxe para você!
— Ah, agradeço-lhe. É que eu
tenho um irmão de três anos que fica em casa e que não tem o que comer; eu gostaria de repartir meu lanche hoje com ele.
Carlos engoliu em seco, com vontade de chorar ao ouvir José falar do irmãozinho, e respondeu:
— Faça o que quiser com seu lanche.
Depois, lembrando-se dos carrinhos que trouxera e estavam no seu bolso, Carlos sorriu e lhe disse:
 
— Então, se você tem um irmãozinho, tenho uma coisa de que ele vai gostar! — disse e tirou do bolso das calças os dois carrinhos, novos e reluzentes, entregando-os ao colega, que não podia acreditar diante de tamanha maravilha.
José ergueu-se de onde estava e pulou no pescoço de Carlos, agradecendo-lhe pelos presentes. Depois explicou, em lágrimas:
— Eu estava triste porque hoje é aniversário de meu irmãozinho e nada poderia lhe dar. Agora, tenho o lanche e ainda levarei os carrinhos para ele, como presente seu, Carlos!...
Naquele momento, Carlos entendeu por que Jesus nos convida em suas lições para fazermos o bem ao próximo. Não há alegria maior do que sentir-se útil a alguém e receber sua gratidão, que atinge no coração quem faz o bem.
Olívio, que observava Carlos, espantado pela mudança que se operara nele, sorriu satisfeito, e Carlos notou. Então, ele disse ao colega:
— Graças a você, Olívio, neste dia, eu recebi minha maior lição sobre o Evangelho de Jesus. Obrigado, amigo!...  
MEIMEI 
(Recebida por Célia X. de Camargo, em 26/10/2015.)    

                                                   

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