Quando você ensina, transmite. Quando você educa, disciplina. Mas quando evangeliza, salva.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

OS PAIS SÃO RESPONSÁVEIS PELO DESENVOLVIMENTO DOS VALORES DOS FILHOS


Atualmente paira sobre as famílias modernas uma grave ameaça em torno da cultura do prazer. O instituto familiar necessita de grande choque de modelo e, sobretudo, de muito apoio religioso para alcançar seu equilíbrio moral. Infelizmente, muitos pais querem que os filhos tenham prazer sem responsabilidade. Sobre isso, o psiquiatra Içami Tiba afirma: “as drogas são maneiras fáceis de conseguir “prazer”. O jovem não precisa fazer nada, apenas ingeri-la. Os filhos estão sendo educados para que usem drogas.”(1) Os pais têm oferecido tudo aos filhos sem exigir responsabilidade em troca, sem exigir que eles mantenham uma disciplina moral.\

Os pais são responsáveis pelo desenvolvimento dos valores dos filhos e não devem apostar na escola para exercer essa tarefa. Para Içami, “as crianças viraram batatas quentes: os pais as jogam na mão dos professores, os professores devolvem aos pais.”.(2) O psiquiatra reafirma que “um pai de verdade é aquele que aplica em casa a cidadania familiar. Ou seja, ninguém em casa pode fazer aquilo que não se pode fazer na sociedade. É preciso impor a obrigação de que o filho faça isso, destarte, cria-se a noção de que ele tem que participar da vida comunitária.”.(3)

Os pais precisam fazer com que os filhos entendam que eles têm que cumprir sua parte para usufruir as benesses do amor. Os pais precisam exigir mais. “O exigir é muito mais acompanhar os limites, daquilo que o filho é capaz de fazer.”. Para Içami Tiba, se “Você quer educar? Seja educado. E ser educado não é falar “licença” e “obrigado”. Ser educado é ser ético, progressivo, competente e feliz.”.(4)
Os espíritas sabem que a fase infantil, em sua primeira etapa, é a mais importante para a educação, e não podemos relaxar na orientação dos filhos, nas grandes revelações da vida. Sob nenhuma hipótese, essa primeira etapa reencarnatória deve ser enfrentada com insensibilidade. De 0 até 7 anos, aproximadamente, é a fase infantil mais acessível às impressões que recebe dos pais, razão pela qual não podemos esquecer nosso dever de orientar os filhos quanto aos conteúdos morais. “O pretexto de que a criança deve desenvolver-se com a máxima noção de liberdade pode dar ensejo a graves perigos. Já se disse, no mundo, que o menino livre é a semente do celerado.”.(5)

Se não observarmos essas regras, permitimos acender para o faltoso de ontem a mesma chama dos excessos de todos os matizes, que acarretam o extermínio e o delito. “Os pais espiritistas devem compreender essa característica de suas obrigações sagradas, entendendo que o lar não se fez para a contemplação egoística da espécie, mas sim para santuário onde, por vezes, se exige a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira.”.(6)
Principalmente a mãe, que segundo Emmanuel, “deve ser o expoente divino de toda a compreensão espiritual e de todos os sacrifícios pela paz da família. A mãe terrestre deve compreender, antes de tudo, que seus filhos, primeiramente, são filhos de Deus. Desde a infância, deve prepará-los para o trabalho e para a luta que os esperam. Desde os primeiros anos, deve ensinar a criança a fugir do abismo da liberdade, controlando-lhe as atitudes e concentrando-lhe as posições mentais, pois essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida. Ensinará a tolerância mais pura, mas não desdenhará a energia quando seja necessária no processo da educação, reconhecida a heterogeneidade das tendências e a diversidade dos temperamentos.”.(7)

A mãe “não deve dar razão a qualquer queixa dos filhos, sem exame desapaixonado e meticuloso das questões, levantando-lhes os sentimentos para Deus, sem permitir que estacionem na futilidade ou nos prejuízos morais das situações transitórias do mundo. Na hipótese de fracassarem todas as suas dedicações e renúncias, compete às mães incompreendidas entregar o fruto de seus labores a Deus, prescindindo de qualquer julgamento do mundo, pois que o Pai de Misericórdia saberá apreciar os seus sacrifícios e abençoará as suas penas, no instituto sagrado da vida familiar.”.(8)

Os filhos rebeldes são filhos de nossas próprias obras, em vidas anteriores, cuja Bondade de Deus, agora, concede a possibilidade de se unir a nós pelos laços da consanguinidade, dando-nos a estupenda chance de resgate, reparação e os serviços árduos da educação. Dessa forma, diante dos filhos insurgentes e indisciplináveis, impenetráveis a todos os processos educativos, “os pais depois de movimentar todos os processos de amor e de energia no trabalho de orientação deles, é justo que esperem a manifestação da Providência Divina para o esclarecimento dos filhos incorrigíveis, compreendendo que essa manifestação deve chegar através de dores e de provas acerbas, de modo a semear-lhes, com êxito, o campo da compreensão e do sentimento.”.(9)

Os pais, após esgotar todos os recursos a bem dos filhos e depois da prática sincera de todos os processos amorosos e enérgicos pela sua formação espiritual, sem êxito algum, “devem entregá-los a Deus, de modo que sejam naturalmente trabalhados pelos processos tristes e violentos da educação do mundo. A dor tem possibilidades desconhecidas para penetrar os espíritos, onde a linfa do amor não conseguiu brotar, não obstante o serviço inestimável do afeto paternal, humano. Eis a razão pela qual, em certas circunstâncias da vida, faz-se mister que os pais estejam revestidos de suprema resignação, reconhecendo no sofrimento que persegue os filhos a manifestação de uma bondade superior, cujo buril oculto, constituído por sofrimentos, remodela e aperfeiçoa com vistas ao futuro espiritual.”.(10)
Jorge Hessen

www.jorgehessen.net
Referências bibliográficas:

(1)           Entrevista com Içami Tiba, psiquiatra , autor de livros como “Adolescentes: quem ama educa!” e “Disciplina: Limite na Medida Certa” disponível em http://delas.ig.com.br/filhos/educacao/nos+educamos+os+filhos+para+que+eles+usem+drogas/n1597078796088.html
(2)           idem
(3)           idem
(4)           idem
(5)           XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995,Perg. 113
(6)           idem
(7)           _______, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995,Perg. 189
(8)           idem
(9)           _______, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995,Perg. 190
(10)         _______,XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1995,Perg. 191
http://aluznamente.com.br/os-pais-sao-responsaveis-pelo-desenvolvimento-dos-valores-dos-filhos/ 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

“A vida, mesmo que imperfeita, tem sua beleza.” Entrevista com Cristiane Assis autora livro Gestação: encontro entre almas.





Quando se inicia uma gestação, vários sonhos começam a despontar no seio familiar. Toda a família vibra positivamente pelo novo ser que formará parte do caminhar de pais, avós, irmãos… Mas quando é detectada alguma enfermidade, ainda intraútero, que fazer? Como agir? Como pode o profissional de saúde informar e cuidar deste núcleo familiar?
A médica ginecologista, especializada em Medicina Fetal, Cristiane Assis relançou o livro Gestação: um encontro de almas e ministra palestras sobre o período gestacional e as surpresas que podem vir nesses meses de expectativa, tema que constitui o objeto da seguinte entrevista:

Fale-nos sobre seu livro Gestação: encontro entre almas.
Acompanhar diariamente, com a ultrassonografia, a explosão de vida que há no desenvolvimento intrauterino de uma gravidez, e estudar quanto é importante a maneira como se dá a conexão emocional entre os pais e seu bebê para a qualidade do futuro desse ser em formação, me fizeram reunir o material que apresento em Gestação: encontro entre almas.
Após 10 anos, reeditei e ampliei seu texto, com os olhos e mãos mais experientes da prática médica e com a alma plena pela experiência de ser mãe de Alexandre e Maya. Trata-se de um livro que integralmente busca celebrar, esclarecer, compartilhar e acolher as experiências do processo que envolve o nascimento de uma criança.
Cuidar de cada detalhe desse precioso momento é oferecer aos pais e familiares maiores oportunidades e melhores instrumentos para seguirem em busca de seus sonhos e conquistas. Em cada página do livro, o leitor encontrará dicas úteis para auxiliá-lo nesse processo.

Como é identificar um possível quadro de malformação fetal quando o bebê ainda está no útero da mãe?
Devo dizer que por mais que estude, me informe e vivencie essa situação, não há um jeito mais fácil ou simples de transmitir essa notícia. Não quando, a cada uma de suas palavras, destrói-se o sonho de um filho perfeito e um futuro tranquilo.
A partir desse diagnóstico, inicia-se uma imensa jornada para esses pais, pois iniciam não só a busca por mais informação e por ajuda na solução do problema, mas também por alguém que seja capaz de ter empatia com seu sofrimento. É imensa a dor de pais que, antes mesmo de poderem pegar seu filho nos braços, já o veem em tão grande sofrimento. 

Há outros exames além de ultrassonografia morfológica que permitem confirmar o diagnóstico?
O exame morfológico é apenas o início do processo que levará à compreensão do que está acontecendo com o feto.
No aspecto médico, uma vez detectada alguma alteração, recomenda-se que o casal seja encaminhado para o aconselhamento genético ou um profissional especializado em Medicina Fetal, que ajudará a esclarecer as dúvidas do casal sobre possíveis causas e prognósticos.
Também, dependendo do órgão fetal acometido, algum dos exames abaixo pode ser solicitado para complementação do diagnóstico:
- Ecocardiografia Fetal - Nesse exame, é estudado detalhadamente o coração do feto. Não só sua anatomia, mas também seu funcionamento. Ele é importante para diagnosticar problemas cardíacos que necessitem de cuidados especiais, logo após o parto, facilitando, assim, a mobilização, de uma equipe especializada, de maneira ordenada, e não às pressas, como geralmente acontece. Em muitos casos, esse diagnóstico precoce é fundamental para a sobrevivência de muitos bebês fora do útero.
- Procedimentos Invasivos - São procedimentos realizados por meio da introdução de uma agulha na cavidade amniótica. Esta é guiada através do exame de ultrassom, para evitar que se direcione para um local diferente do desejado pelo médico. Devido ao conhecimento e prática necessários, os procedimentos são realizados apenas por equipes especializadas em Medicina Fetal. Além disso, podem trazer complicações, como aborto, ruptura da membrana amniótica, trabalho de parto prematuro, descolamento de placenta, entre outras. Por isso, tem indicação específica e o casal, junto com o médico, deve avaliar a relação custo-benefício de tais riscos.
Como destacamos até aqui, o feto é um indivíduo com sensações. Por isso, ao “invadirmos” seu espaço com algo tão agressivo como uma agulha, é importante explicar-lhe o que está acontecendo e porque essa atitude é tão importante. Observações com base no ultrassom têm demonstrado que o feto foge ou tenta defender-se da agulha, quando ela atinge a cavidade amniótica abruptamente. Entretanto, quando seus pais lhe explicam que isso é necessário, ele, em alguns casos, até se afasta dela, ajudando, assim, o médico.

Quais são os tipos de exame invasivos?
Esses exames são:
- Biópsia de Vilo Corial: coleta de fragmentos da placenta (vilosidades coriônicas). Como as células do bebê e da placenta se originam de um mesmo zigoto, o estudo de seus cromossomos pode ser utilizado na tentativa de identificar os cromossomos (cariótipo) do bebê.
- Amniocentese: acesso à cavidade amniótica com o objetivo de introduzir algo em seu interior ou retirar determinada quantidade de líquido. Essa técnica adquiriu importância ímpar na prática da Medicina Fetal, pois a análise do líquido amniótico é capaz de fornecer inúmeras informações sobre as condições de saúde do feto. A amniocentese também pode ser utilizada para procedimentos específicos como: amnioinfusão – quando, por indicações precisas, é necessário introduzir soro fisiológico, ou Ringer Lactato, na cavidade amniótica; e amniodrenagem – retirada do excesso de líquido da cavidade amniótica, com o objetivo de evitar complicações na gestação ou aliviar desconfortos maternos.
- Cordocentese: retira-se uma amostra do sangue fetal, através dos vasos de seu cordão (preferencialmente artéria). Permite o diagnóstico de alterações cromossômicas, bioquímicas ou infecciosas no feto. Também é a principal via de acesso para transfusões de sangue intraútero.
- Neurossonografia Fetal - consiste na avaliac
̧ão detalhada do Sistema Nervoso Central fetal por médicos treinados e com conhecimentos específicos, mediante uso de aparelhos de ultrassonografia sofisticados. Este tipo de exame, por vezes complementado por ultrassonografia tridimensional, é indicado em gestações com risco aumentado de anomalias do sistema nervoso central.
- Resson
ância Magnética Fetal - Um dos exames mais avançados, para auxiliar a Medicina Fetal na caracterização de malformações fetais, principalmente do Sistema Nervoso. Não é um exame substituto ou concorrente do ultrassom, mas um valioso instrumento para complementar o diagnóstico e programar intervenções cirúrgicas.

Os profissionais de saúde envolvidos neste processo de acolhimento e esclarecimento já dão o suporte necessário?
Atualmente, existe um grande conflito nessa situação. De um lado, temos profissionais sendo treinados em Medicina Fetal que, como especialidade, seguem predominantemente o modelo bioético pragmático utilitarista, onde o indivíduo só tem valor para a sociedade se for capaz de produzir algo para ela. Do outro, está mais de 90% da população brasileira, que, segundo o censo de 2010, possui uma ou mais religiões. Para esses pais, o modelo bioético que melhor atenderia suas necessidades diante do diagnóstico de malformação fetal é o personalista, que garante a permanente dignidade de todas as pessoas.
A capacidade do profissional de ter empatia com eles é o que fará toda a diferença. Até aquele instante, quando uma notícia ruim chegou, ali havia um bebê festejado. Muitas vezes com um nome, acompanhado de planos e sonhos. Como, em uma questão de segundos, transformá-lo em um amontoado de células? em algo que deve ser resolvido, interrompido, apagado? Talvez seja mais simples pra quem foi treinado a pensar dessa forma. Ou pra quem prefere não pensar naquilo sobre o que não seja capaz de compreender ou dominar! Médicos ou semideuses podem fazer isso mais facilmente; não pais que amam seus filhos.
É certo que, durante um atendimento de agenda de ultrassonografia, não temos tempo para conversas prolongadas com a paciente diante das dúvidas que surgirão com o diagnóstico de uma malformação. Mas o mínimo que precisamos fazer é, através da empatia, tratá-la com o respeito e cuidado que gostaríamos de receber se estivéssemos em uma situação como essa, oferecendo os encaminhamentos a profissionais que possam dar a assistência necessária nos passos seguintes de diagnóstico e/ou tratamento. 

Quais são os aprendizados emocionais, psíquicos e mesmo espirituais que essas situações trazem tanto para o médico como para os familiares?
Em uma situação de malformação fetal, todos os envolvidos, pais, familiares e profissionais, estão diante de uma oportunidade única de aprendizado. Através do exercício de nobres sentimentos como amor, paciência, resignação, determinação, fé, entre outros, faz sentido algo que aparentemente não tem explicação. Para tanto, basta que estejam dispostos a abrir mão do controle de algo que não lhes diz respeito, a VIDA HUMANA. Ela pode por nós ser observada, amparada e auxiliada. Mas a razão de sua existência, mesmo que perene, vai além da compreensão de nossa ainda limitada ciência. Porém, seus aprendizados já podem, sim, ser quantificados. Basta estudá-los.

Quais outras colocações você gostaria de deixar sobre sua vivência no diagnóstico intraútero de malformação?
O diagnóstico de uma malformação fetal é algo extremamente desagradável. Para muitos, a primeira impressão é a destruição de um sonho... o sonho do filho saudável, com um futuro perfeito pela frente... Cada um lidará com essa notícia de forma distinta, de acordo com suas próprias vivências e com a gravidade dos achados que o feto apresentar. Contudo, a única certeza que deveriam ter em seus corações é a de que estão sendo assistidos para que tudo transcorra da melhor forma possível.
O plano espiritual sabe os sacrifícios envolvidos em uma gestação de uma criança malformada. Certamente acrescentar a dor em um momento que deveria ser apenas de alegria não passaria despercebido a quem nos ama e ampara para que sejamos bem sucedidos em nossas promessas reencarnatórias. Em minha prática, vi mães cansadas por cuidarem de seus filhos deficientes, mas todas gratas pelos aprendizados que os mesmos lhes proporcionaram ao longo de tão pesada jornada.
Conheci mães tristes porque perderam seus bebês malformados ainda intraútero ou poucos dias após o parto, mas com os corações aliviados por terem oferecido a eles todo o amor que puderam durante o tempo que tiveram com eles.
Pude também, contudo, encontrar tristes mulheres que carregavam em seus corações as feridas de terem arrancado de seus úteros seus filhos antes de seu tempo haver-se concluído. Por mais que tentassem para mim ou para si mesmas racionalizar tal decisão, seus corpos mostravam que algo ainda doía e doeria por muito tempo. A vida, mesmo que imperfeita, tem sua beleza e nos gera empatia e amor em seus movimentos. Movimentos esses que já somos capazes de ver ao ultrassom em seu coração com apenas seis semanas. Não há como ser responsável por sua interrupção sem que isso nos traga dor na alma. E essa dor, cedo ou tarde, se manifestará em nosso espírito.
Entrevista
por Giovana Campos

http://www.oconsolador.com.br/ano11/529/entrevista.html


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Geração Nova - Educar para o Futuro



Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. Geração Nova: 4.1. Sinais Precursores; 4.2. Geração Nova Versus Geração Velha; 4.3. Os Tempos são Chegados; 5. Educar para o Futuro. 5.1. Mudança de Paradigma: 5.2. Modus Operandi; 5.3. Preparar as Crianças e os Jovens. 6. Perspectivas Futuras: 6.1. Esboçar Imagens Otimistas; 6.2. O Bem deve Predominar sobre o Mal; 6.3. A Utopia de um Novo Mundo. 7. Conclusão; 8. Bibliografia Consultada.

 

1. INTRODUÇÃO

 

O que se entende por geração? E geração nova? Haverá cataclismo? O Planeta Terra desaparecerá? Como interpretar as profecias acerca do fim do mundo? Dividimos o tema em três partes, a saber: a geração nova, a educação para o futuro e as perspectivas do futuro.


2. CONCEITO

 

Geração – Ação ou efeito de gerar. Produção de novo ser semelhante àquele que o origina. É a ação de gerar equivalendo à função biológica de reprodução. Desde Aristóteles e até o século XVII admitia-se a teoria da geração espontânea, a partir da matéria inerte, para os animais inferiores, como insetos, vermes ou até ratos. Em 1860, Pasteur a refutou em termos científicos. Segundo a moderna concepção biológica, efetivamente, não há vida antecedente e a geração é uma reprodução. (Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado)

 

Geração nova – É a humanidade regenerada em que a inteligência e a razão caminham irmanadas com o sentimento inato do bem.

 

Educação – É a transmissão de valores e conhecimento acumulado de uma sociedade. Etimologicamente, provém de duas raízes: 1ª) educare - criar, alimentar; 2ª) educere - direção para fora (mais antigo). Daí surgem dois conceitos diversos e opostos de educação, ou seja, um de fora para dentro (Magister Dixit) - ensino autoritário; outro, de dentro para fora - liberalismo.

 

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

 

A Geração Nova é um sub-tema do capítulo XVIII, São Chegados os Tempos, do livro A Gênese, de Allan Kardec. Quando os tempos chegarem, haverá grandes acontecimentos para a regeneração da humanidade. Aos incrédulos, nada diz; aos crentes, algo de místico, de sobrenatural. Allan Kardec quer provar que as duas interpretações estão erradas. Ele diz: "A primeira, porque envolve uma negação da Providência; a segunda, porque tais palavras não anunciam a perturbação das leis da Natureza, mas o cumprimento dessas leis".

 

4. GERAÇÃO NOVA

 

4.1. SINAIS PRECURSORES

 

Ouve-se, em todas as partes do mundo, que os tempos são chegados e que grandes acontecimentos ocasionarão a regeneração da humanidade: guerra e rumores de guerra; irmão se levantará contra o irmão; abominação da desolação; choro e ranger de dentes; filhos e filhas profetizarão.

 

Mateus, no capítulo 24, versículos 11 a 14, diz: "Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas; – e, porque abundará a iniqüidade, a caridade de muitos esfriará; – mas aquele que perseverar até o fim será salvo. E este Evangelho do reino será pregado em toda a Terra, para servir de testemunho a todas as nações. É então que o fim chegará".

 

4.2. GERAÇÃO NOVA VERSUS GERAÇÃO VELHA

 

A geração nova caracteriza-se pela aquisição da inteligência e da razão, ainda incipientes, juntas ao sentimento inato do bem. Não se comporá exclusivamente de Espíritos superiores, mas daqueles que já tenham feito algum progresso moral e intelectual e se acham em condições de dar continuidade ao progresso já alcançado.

 

A geração velha, composta de Espíritos atrasados, caracteriza-se pela revolta contra Deus, pelo se negarem a reconhecer qualquer poder superior aos poderes humanos. Neles há a propensão instintiva para as paixões degradantes, para os sentimentos antifraternos de egoísmo, de orgulho, de inveja, de vaidade etc.

 

4.3. OS TEMPOS SÃO CHEGADOS

 

Chegado o tempo, haverá grande emigração de Espíritos. Os Espíritos que praticam o mal pelo mal serão recambiados para outros orbes, mais inferiores do que o Planeta Terra. É da lei do progresso que essas coisas acontecem. É que o Planeta Terra também está passando por uma transformação, ou seja, de mundo de provas e expiações para o mundo de regeneração. Neste novo mundo, os Espíritos recalcitrantes no mal não terão mais vez e precisarão ir para outro lugar, para não atrapalhar o progresso dos que aqui estarão reencarnados.

 

Exemplificando: suponha uma comunidade, composta, na sua maioria, de homens turbulentos e indisciplinados, cuja lei penal é difícil de se colocar em prática. Os bons se vêem tolhidos e impossibilitados de agirem em prol do bem. Suponha, por sua vez, que esses Espíritos, voltados ao mal, vão desencarnando 1 a 1, 10 a 10, 100 a 100. Ao mesmo tempo, eles vão sendo substituídos pela reencarnação de Espíritos bons. O que acontecerá? Em pouco tempo teremos uma população totalmente renovada para o bem. (Kardec, 1975, cap. XVIII)

 

5. EDUCAR PARA O FUTURO

 

5.1. MUDANÇA DE PARADIGMA

 

O presente deve ser uma antevisão do futuro e não uma extensão do passado. No passado há paradigmas, que são modelos de pensamentos que nos serviram em um dado momento. Thomas Kuhn, em Estrutura das Revoluções Científicas, diz que os paradigmas não são corrigidos pela "ciência normal"; esta apenas identifica anomalias e crises. De acordo com Kuhn, a mudança de paradigma se dá por uma alteração abrupta, por um salto, por um insight. Em realidade, espelha mais uma nova visão de mundo, totalmente diferente daquela que perdurava até então.

 

5.2. MODUS OPERANDI

 

A educação do futuro deve versar sobre o questionamento e a tomada de consciência de si mesmo. Com isso, teremos que buscar novas fontes de informação, novos rumos para o nosso progresso moral e intelectual. O ser humano não poderá ficar na dependência do outro, inclusive de livros que ditam as normas e os procedimentos de como atuar em sociedade. A educação deve seguir o exemplo de Nietzsche, que orientava a todos os seus leitores a abandonar o livro, depois de lido, tornando-o dispensável como a comida que passa pelo nosso corpo.

 

Educar para o futuro é passar do ensino de massa para o ensino personalizado, do aprendizado simples para o aprendizado múltiplo, da passiva abertura de resposta para a ativa busca de respostas, do treinamento em habilidades e conhecimentos formais para formação de atitudes e opiniões que estimulem a procura do saber, de respostas decoradas para a compreensão do problema e a estimulação ativa do intelecto. Em suma, é desespecializar o cientista da imaginação científica. (Toffler, 1977)

 

5.3. PREPARAR AS CRIANÇAS E OS JOVENS

 

Para que o futuro se concretize, temos que educar as pessoas, principalmente as crianças e os jovens, porque eles permanecerão mais tempo no futuro. Teoricamente, os que estão acima do sessenta ou setenta anos, viverão menos.

 

Presentemente, a educação deixa muito a desejar. Tirando um ou outro caso, a maioria das escolas funciona como uma extensão da unidade familiar.

 

Segundo orientações da psicologia, antes de transmitirmos conteúdos, devemos ensinar o aluno a se comportar como aluno, ou seja, ensinar-lhe o que é ter colegas, o que é agir coletivamente, quais são as posturas físicas e mentais que se relacionam com o conhecimento. A criança deve ser ensinada a viver em harmonia com as diferenças.

 

Preparar o jovem para a geração nova é dar-lhe condições de escolher, com responsabilidade, o seu futuro. Deve-se optar pela flexibilidade e não pela imposição.

 

6. PERSPECTIVAS FUTURAS

 

6.1. ESBOÇAR IMAGENS OTIMISTAS

 

Projetar imagens otimistas aos jovens e aos adultos. Se esboçarmos um mundo tenebroso, a criança vai se lançar ao mundo com essa visão. Como formar um mundo melhor se a nossa mente tem-no como pior? O cérebro – um poderoso reservatório de idéias e pensamentos – tem uma zona, denominada de subconsciente, em que guardamos as lembranças do passado. Se as imagens gravadas, na infância, são negativas, é possível que esta pessoa, na idade adulta, tenha uma visão também negativa do mundo.

 

6.2. O BEM DEVE PREDOMINAR SOBRE O MAL

 

A geração nova mostra-nos que o bem deverá predominar sobre o mal. Como plasmar esse novo mundo? Não é tarefa fácil, porque estamos vivendo no mundo de provas e expiações, em que o mal predomina sobre o bem. Esse quadro se reverterá, visto que o próprio Planeta Terra está passando por uma transformação, ou seja, de mundo de provas e expiações para o mundo de regeneração, em que o bem predomina sobre o mal. Quer queiramos ou não, teremos que conviver com uma maior quantidade de atos bons.

 

6.3. A UTOPIA DE UM NOVO MUNDO

 

A geração nova estará fundamentada nos preceitos evangélicos, inseridos em nossa consciência como uma lei universal. A Lei de Justiça, Amor e Caridade estará sendo praticada na sua maior expressão, porque quando as pessoas se amarem em Cristo Jesus, não haverá mais guerras nem admoestações ao próximo. Não haverá trabalho por fazer, porque cada ser humano irá atender aos anseios da sua consciência bem formada. Não haverá a desigualdade social, mas apenas a desigualdade de mérito. Essa geração nova terá uma outra feição, pois os Espíritos estarão encarnados em corpos mais leves que os atuais.

 

7. CONCLUSÃO

 

Nesse novo mundo, as pessoas sentir-se-ão como que transportadas para um mundo feliz, para um mundo em que a beleza reina em toda a sua plenitude, sem separação de raças, de povos, de sexo. Tudo é harmonia, tudo gira em sintonia com as Leis de Deus.

 

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

 

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.

POLIS - ENCICLOPÉDIA VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São Paulo: Verbo, 1986.

TOFFLER, A. Aprendendo para o Futuro. Tradução de Jorge Arnaldo Fontes. Rio de Janeiro: Arte Nova, 1977.


fonte http://www.ceismael.com.br/artigo/geracao-nova-educar-futuro.htm

A Nova Geração


A época atual é de transição; confundem-se os elementos das duas gerações. Colocados no ponto intermédio, assistimos à partida de uma e à chegada da outra, já se assinalando cada uma, no mundo, pelos caracteres que lhes são peculiares.1
Allan Kardec

 No atual momento de regeneração da Humanidade, conforme afirma Allan Kardec, e confirma a Espiritualidade superior a respeito da transição planetária pela qual passa o orbe terrestre, deixando de ser um planeta de provas e expiações e transformando-se, gradualmente, em mundo de regeneração, assistimos à chegada de uma nova geração de Espíritos que se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior.1

São essas crianças, inteligentes, inquietas, criativas, questionadoras, que adentram os nossos lares, nossas escolas e nossas casas espíritas, atendendo ao chamado da construção do mundo novo.

Enquanto trazem esses claros sinais de adiantamento anterior, se deparam com o reino dominante das paixões materialistas que caracterizam o estágio atual do planeta. Possível é imaginarmos o conflito capaz de surgir a esses Espíritos reencarnados, com sentimento inato do bem, ao se defrontarem com um mundo de violência crescente, de desigualdades sociais, de conflitos familiares, frutos do orgulho e do egoísmo que ainda encontram guarida no coração humano.

Para que possam cumprir os objetivos reencarnatórios, visando seu aprimoramento moral e da Humanidade, necessário se faz que aqueles que estão incumbidos de os receberem, nas fases iniciais da infância, estejam preparados para lhes dar a educação adequada que lhes permita enfrentar, da melhor forma possível, essa dualidade entre a nova e a velha geração, assim como os desafios que, certamente, encontrarão para a construção do mundo novo.

Notadamente, há de se observar aqui a educação, aquela que consiste na arte de formar caracteres, a que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos.2

Nesse sentido, é de extrema relevância o papel desempenhado por pais e educadores na formação desses Espíritos, na fase infantil, onde é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento. (q. 383)

Os pais e a família
Inegável a responsabilidade dos pais na condução dos Espíritos que lhes chegam aos braços, ainda mais quando observadas as considerações a respeito dessa nova geração de Espíritos que aporta ao orbe terrestre com o intuito de auxiliar no processo de transformação moral da Humanidade.

Assim, grande esforço devem despender pais, mães e responsáveis, no objetivo de se transformarem no exemplo salutar a ser observado pelas crianças dentro e fora do lar. Exemplo de conduta moral, de retidão, de honestidade, de esforço em domarem suas más inclinações e em superarem suas limitações, enquanto Espíritos em processo evolutivo. Exemplo na busca da vivência de valores morais, onde devem predominar o diálogo e o afeto, onde o autoritarismo cede lugar ao respeito pela autoridade moral, onde o sim e o não são usados com firmeza e com amorosidade, de forma a aprovar e a dar limites, sempre que necessário.

Para essa geração, nova conduta se espera da família. Família que, conforme afirma o Espírito Joanna de Ângelis é a escola de bênçãos onde se aprendem os deveres fundamentais para uma vida feliz e sem cujo apoio fenecem os ideais, desfalecem as aspirações, emurchecem as resistências morais. 3

Em outras palavras, o solo onde foi lançada a semente e cuja qualidade permitirá ou não o seu pleno desenvolvimento para a floração futura.

O Centro Espírita
Igualmente, reconhecendo a ação evangelizadora espírita como recurso fundamental para a formação de homens de bem, tem o Centro Espírita a responsabilidade de empreender todos os esforços possíveis, visando angariar espaços e recursos adequados para a promoção da integração da criança consigo mesma, com o próximo e com Deus4, objetivo maior da evangelização espírita infantojuvenil, conforme preconizado pela Federação Espírita Brasileira.

Referimo-nos à importância atribuída às atividades de evangelização infantil dentro do centro espírita, como também aos recursos materiais (espaços físicos para as atividades e materiais adequados para o seu desenvolvimento) mas, principalmente, nos esforços para a formação de evangelizadores capacitados a atender às necessidades das crianças reconhecendo-as como Espíritos imortais ativos no caminho do autoaperfeiçoamento5, sendo responsáveis diretos na escolha de estratégias metodológicas adequadas e atrativas que promoverão a construção de espaços educativos prazerosos de crescimento e convivência, aprendizado e vivência cristã. 5

Quando você ensina, transmite. Quando você educa, disciplina. Mas quando evangeliza, salva.6

Referências bibliográficas:
1. KARDEC, Allan. A gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 1. ed. esp. Rio de Janeiro: FEB, 2005b. cap. XVIII, item 28.
2. ________. O livro dos espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 84. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Comentários à questão 685ª.
3. FRANCO, Divaldo Pereira. Constelação familiar.  Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 3. ed. Salvador: LEAL, 2012. cap. 2.
4. FEB/CFN. Orientação ao Centro Espírita. Rio de Janeiro: FEB, 2007. cap. 6, it. 3, objetivos “a” e “d”.
5. ________. Orientação para a ação evangelizadora espírita da infância: subsídios e diretrizes. Brasília: FEB, 2016. pt. 1, cap. 2, it. 2.1.
6.FRANCO, Divaldo Pereira. Sementeira da fraternidade. Por diversos Espíritos. 6. ed. Salvador, 2008. cap. 26.

fonte http://www.mundoespirita.com.br/?materia=a-geracao-nova

Leia mais (no blog Material do Esudante Espírita):Nova Geração segundo Allan Kardec 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Estamos evoluindo, você concorda?

Nosso Planenta Terra está em fase de transformação para melhor, você concorda?

Será? .... Fica difícil acreditar com tantos problemas..... Como pode....!?

Pode! E é por isso que o estudo se faz tão necessário, somente ele, pode nos fazer compreender o momento em que estamos vivendo. E entender que, "somos nós que estamos transformando o planeta." 

Não vou começar a filosofar.... Mas... quem tem olhos de ver, consegue perceber que dentro de nós a espiritualidade está lutando contra o materialismo.

E vencerá! na marra (rsrsr...)

Bom, mas voltanto ao assunto de nossa evolução, vejamos... ontem matávamos com a maior facilidade e hoje, não mais, pois estamos começando a exergar as Leis Divinas.

E mais, ficamos nos vigiando para não falarmos mal do próximo, pois sabemos que não temos o direito de julgar a ninguém "Atire a primeira pedra quem não tiver pecados" Jesus

E agora se faz necessário que voltemos a nossa  atenção para os nossos pensamentos.

Há várias frases que falamos sem darmos o devido valor, como por exemplo:

Pensamento tem poder!

Pense positivo sempre!
...

Olvimos falar das formas pensamento, mas não damos conta da sua veracidade.

Trago uma comunicação escrita de Eurípedes Barsanulfo que destina-se a fazer sentir, com mais força, em nosso coração, a necessidade de adaptarmos a uma nova vida.

E a importância de passar esses conhecimento às crianças que serão levados para sua vida futura. ....

Elaine Saes


CUIDADO COM VOSSOS PENSAMENTOS.

Meus bondosos irmãos essa comunicação escrita tem como fim principal oferecer-vos exemplos e ensinamentos que sirvam para uma nova orientação em vosso modo de agir e pensar. Digo bem: agir e pensar, pois quantos de vós ainda viveis pensando em coisas por tal forma inferiores que vós próprios tendes vergonha de confessar!

Lembrai-vos de que esses pensamentos são percebidos por uma grande quantidade de entidades, pertencentes às mais variadas gradações espirituais deste plano astral do planeta Terra. Esse pensamentos são, portanto, o atrativo de seres que muitas vezes passam a vos seguir e pertubar-vos em vossa vida diária.

Assim é que, portanto, deveis não só tomar cuidado com as palavras que proferis, mas também deveis estar em guarda para com vossos pensamentos.

A rapidez com que tantas vezes sois atendidos nos vossos apelos aflitos dirigidos a nós é a melhor prova de que os vossos pensamentos são percebidos instantaneamente a grandes distâncias; portanto não julgueis que estais livres de culpa ou falta, quando vossos pensamentos maus são seguidos pelos atos correspondentes.

Meus caríssimos irmãos: muito de propósito nesta minha primeira mensagem abordei a natureza de vossos pensamentos, para que os olhos de vós todos mais avulte a gravidade dos maus atos.Habituai-vos a pensar cristamente, e o resto será fácil. Varrei de vosso cérebro todas as ideias de tristeza, desânimo, vingança, ódio, malquerença, para substituí-las pelas de : Alegria, que significa, confiança no Pai; Tolerância e Amor, que significam a compreensão do grande mandamento, o primeiro da lei divina que é: Amai-vos uns aos outros; Paciência, que é a expressão máxima do acatamento à verdadeira Justiça do Senhor, que procura elevar até Ele, igualmente,a todos, pois todos são filhos de Deus e todos, um dia, chegarão até Ele purificados de todas as suas faltas.

Eurípedes 18.6.43 18horas
Extraído do livro Mensagens de Além Túmulo de Eurípedes Barsanulfo

quarta-feira, 12 de julho de 2017

A formação do ser ainda em fase infantil - Os primeiros educadores são os pais. A primeira escola é o lar.



No mundo pós-moderno em que estamos vivendo, o automatismo, o escapismo, o imediatismo e o consumismo devoram cada vez mais o que há de belo no interior da grande maioria de jovens, crianças e muitos adultos. Deixa-se escapar pelos “dedos” a simplicidade de uma vida que sempre pode ser prazerosa e eficaz para todos nós.

Deveríamos parar por uns momentos na “Lufa-Lufa”[1] e amparar, com carinho, os pensamentos do nosso íntimo, os desejos benéficos de nossa mente que anseia por liberdade e paz. Quanto tempo mais demoraremos nesta luta ineficaz e sem compromisso com a verdade que está dentro de cada um? Já paramos para pensar o que estamos fazendo com os espíritos recém-chegados ao planeta pelo processo reencarnatório, ávidos por um aprendizado que os ajude a se transformarem em criaturas melhores, modificando suas inclinações?

Ainda existem no planeta aqueles que se debatem na fome, na pobreza, na extrema miséria e no esquecimento de todos os governos das grandes potências. Em contradição existem aqueles que reencarnam em lares onde as condições financeiras são estáveis, mas que são trocados por eventos sociais, tablets, computadores modernos, games e outras coisas, e são presenteados pelos mesmos “brinquedos”, sem limites para o uso desde a mais tenra idade. São colocados (sem poder opinar) na companhia das secretárias eletrônicas ou de secretárias humanas, ao contrário daquilo que realmente gostariam.

Os apelos midiáticos do sistema capitalista, que prioriza lucros e mais lucros, são extensos e apelativos, em uma grande demanda cotidiana onde quer que estejamos. O que estamos fazendo como pais e espíritas?

A tarefa de educar é diária e intransferível; não se pode terceirizá-la. Os primeiros educadores são os pais. A primeira escola é o lar. A percepção da lei de causa e efeito poderá ter seus resultados nesta existência. Os males sociais e políticos que vivenciamos são, muitas vezes, oriundos do descaso de pais que trocaram seus filhos pelo consumismo, pelo descaso, pela impotência diante da vaidade humana, e pelo imediatismo do ego. O mundo regenerado será construído mediante as transformações éticas e morais de nós mesmos, os terráqueos, que construímos a história deste planeta, de século a século. O compromisso de aparar arestas, de exemplificar, de nortear, de semear a vida dos espíritos reencarnantes é tarefa a ser cumprida pelos pais, no hoje e no agora. O mundo melhor que tanto esperamos acontecer será fruto do trabalho das sociedades contemporâneas.

 Muitos dizem que educar não é tarefa fácil, mas a maioria se esquece de que para tal tarefa basta a simplicidade no viver. A descomplicação nas conversações e na maneira de agir é um ótimo começo.

Podemos dar um exemplo em mil; imagine uma pipa feita pelo pai para o filho, o velho e bom velocípede para a filha, o passeio no campo ou na praça saboreando o gostoso bolo de cenoura feito pela mãe, com o suco de laranja espremido em casa. São situações suficientes para o fortalecimento dos laços de família e a construção de valores como: união, alegria, aceitação, paz, entre outros. As pequenas atitudes podem traduzir, ao longo da jornada terrena da família, as lições de Jesus, que exemplificou a simplicidade e fraternidade.

Pais. Prestem atenção aos seus filhos, importem-se com eles. O fruto do trabalho nunca será em vão.

Que possamos ajudar nossos “pequenos” a construir, dentro deles, os alicerces positivos do hoje e do amanhã. Que eles possam ser a “terra boa” (Parábola do Semeador) para a semente fértil que germinará em futuro breve. Que possamos resgatar o jeito simples de viver, realçando a cada passo o que de bom reside em cada um daqueles que, no momento, são nossos filhos.

1. ROHDEN, Huberto. A Grande Libertação. p. 23. 2011.
Segundo Rohden é a caça incessante à matéria morta e à matéria física realizada por aqueles que se acomodam no estado de ignorância, em detrimento da busca do sentido da vida do espírito na Terra.

Luciene Guisone
guisonelu@gmail.com
01/07/2017 

Fonte https://www.oclarim.org/oclarim/materias/5339/jornal/2017/Julho/a-formacao-do-ser-ainda-em-fase-infantil.html

domingo, 23 de abril de 2017

Maternidade

A Natureza deu à mãe o amor a seus filhos no interesse da conservação deles. No animal, porém, esse amor se limita às necessidades materiais [...]. No homem, persiste pela vida inteira e comporta um devotamento e uma abnegação que são virtudes. Sobrevive mesmo à morte e acompanha o filho até no além-túmulo.(O Livro dos Espíritos,questão 890.)
 
 A Doutrina Espírita nos ensina que assim como temos as famílias constituídas
pelos laços materiais, temos, também, as constituídas pelos laços espirituais. Estes
laços espirituais são mais sólidos e duráveis do que os primeiros, visto que não estão
sujeitos às instabilidades da matéria. Destaca, todavia, que a família espiritual se
forma e se consolida com a prática da Lei de Amor no convívio da família corporal.
 
A Lei de Amor, que a tudo preside, deve, pois, estar presente em todos os atos,
sentimentos e pensamentos do ser humano. Deve presidir o ato que permite ao
Espírito retornar às experiências materiais pela reencarnação, especialmente o rela-
cionamento com a mãe que com ele convive, na intimidade, durante a gestação, na
formação inicial do seu corpo.
 
Pesquisas sobre o comportamento do ser humano vêm demonstrando que a
causa predominante de desequilíbro se situa na fase de gestação e nascimento do
ser. A rejeição que muitos sentem, desde a simples dúvida dos pais quanto ao seu
nascimento até a rejeição ostensiva e odiosa, leva esses seres a uma grave instabili-
dade comportamental, quer na área da integração social, quer na da própria acei-
tação pessoal. Em sentido oposto, os aceitos no lar, com real e manifesto amor dos
pais, demonstram melhores condições morais e psicológicas para vencerem os na-
turais desafios da existência.
Observa-se, desse modo, a importância da paternidade e da maternidade ligadas
à prática da Lei de Amor. Quando os pais e mães aceitam o filho, desde a concepção,
com sincero sentimento de amor, amparando-o em suas necessidade de aprendiza-
do e evolução, constroem as bases de um mundo de paz, uma vez que a primeira
lição por ele vivida será a da fraternidade, do amor ao próximo, que lhe servirá de
modelo para toda a existência. Neste sentido, ensina-nos Allan Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXII, item 3):
 
“Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir.”
 
Edital da revista  reformador maio 2006 - 12/5/2006



segunda-feira, 6 de março de 2017

O menino de rua


 

Cansado de ficar dentro de casa, Celso saiu para o jardim. Gostava de ficar no portão vendo a rua, o movimento dos carros e as pessoas que passavam.
Nisso, Celso viu, do outro lado da rua, um garoto de expressão tristonha, sentado no meio-fio. Ele estava sujo, malvestido e descalço. Celso sentiu pena do menino, que teria mais ou menos a sua idade: oito anos.
Abriu o portão, atravessou a rua e foi até onde ele estava. Aproximando-se, perguntou:
— Olá! Posso sentar-me aqui com você?
O garoto levantou a cabeça para ver quem estava falando e estranhou ver um menino do seu tamanho. Ergueu os ombros, como se dissesse: Sente-se. A rua é pública!
Celso sentou-se e começou a conversar:
 
— Por que está tão triste?  
— Por que quer saber? — respondeu o desconhecido com outra pergunta.
E Celso estendeu o braço e apontou com o dedo:
— Está vendo aquela casa ali? É onde moro. Estava olhando a rua e vi você tão triste que não pude deixar de vir aqui. O que aconteceu?
O garoto respirou fundo e contou:
— É uma longa história. Minha mãe morreu e meu pai me abandonou. Desesperado, ele saiu pelo mundo e não sei onde está. Fui mandado para a casa de uma tia, mas passei tanta fome, sofri tantos maus-tratos, que não aguentei mais e fugi. Agora, não tenho para onde ir e fico na rua. Quando tenho fome, peço em alguma casa. Para dormir, escondo-me em algum canto, embaixo de alguma ponte ou alguma casa abandonada.
Celso estava penalizado. Nunca pensou que existissem crianças como ele sofrendo tanto!
— Não saia daí. Vou até minha casa e volto já! — disse ao garoto.
Ele fez um sanduíche, pegou um copo de leite com café e retornou para junto do menino, entregando-lhe.
Os olhos do garoto brilharam ao ver o lanche. Devorou tudo e depois agradeceu:
— Obrigado. Estava mesmo com fome! Mas, nem sei como se chama!
— Celso. E você? — e estendeu a mão ao outro, que a apertou.
— Meu nome é Luisinho! Você é legal, Celso!
Os dois puseram-se a conversar. Após algum tempo, estavam tão amigos que Celso desejava poder ajudar Luisinho. Então, pediu que ele esperasse e retornou para sua casa.
Celso tinha visto seu pai entrar em casa, após o trabalho. Então, chegando-se a ele, pediu:
— Papai, gostaria que conhecesse um amigo meu. Venha comigo!
O pai, mesmo cansado, concordou e acompanhou o filho. Então, Celso mostrou-lhe:
— Veja, papai! Aquele garoto ali, do outro lado da rua, precisa de ajuda!
O pai olhou o garoto sentado no meio-fio e reagiu, surpreendido:
— Mas, meu filho! Ele é um menino de rua!...
Celso, com os olhos úmidos, virou-se para o pai, considerando:
— Papai, outro dia mesmo o senhor falava de Jesus, e disse que devemos amar a todas as pessoas, porque são nossas irmãs, lembra-se?
— Você tem razão, filho. Porém, não sabemos quem é esse menino! Ele pode ter maus hábitos, pode até estar acostumado a roubar!... Como confiar em alguém que não se conhece? — respondeu o pai, abalado pelo argumento do filho.
O garoto pensou um pouco, depois voltou a ponderar:
— Papai, mas se os bons não amparam os maus, como podemos exercitar a fraternidade?
O pai, vencido pelo novo argumento do filho, emocionado pela sua grandeza de alma, abraçou-o e concordou:
— Tem razão, meu filho. Se nos consideramos cristãos, temos que agir como Jesus nos ensinou.
Atravessaram a rua e o pai de Celso conversou um pouco com Luisinho, depois o convidou:
— Luís, queremos que venha para nossa casa.
— Senhor, eu agradeço sua bondade. Mas não me conhece, nem sabe quem eu sou! — respondeu o menino, sem poder acreditar no que estava ouvindo.
Diante daquelas palavras, o pai de Celso respondeu comovido:
— Não preciso conhecê-lo para saber que é um bom menino. Ficará conosco pelo tempo que quiser. Irá à escola com Celso e terá a vida de todo garoto da sua idade. Se algum dia, você tiver notícias de seu pai e quiser ficar com ele, terá toda liberdade. Farei o que puder para ajudá-los. 
Atravessaram a rua e, antes de entrar pelo portão, feliz, mas ainda indeciso, Luisinho quis saber:
— Senhor, e a mãe de Celso? Ela vai concordar?
— Tenho certeza que sim. Não se preocupe.
Entraram em casa e o pai explicou a situação à sua esposa. Ao ver o novo hóspede, ela sorriu, abraçando-o. Depois, pediu que Celso pegasse algumas roupas para Luís poder tomar banho, enquanto ela terminava de preparar o jantar.
Limpo, bem vestido e calçando tênis novos, meia-hora depois Luisinho apareceu com Celso na sala, onde a refeição seria servida. Todos estavam contentes. O pai disse ao novo morador:
— Em nome de Jesus, seja bem-vindo à nossa casa!
MEIMEI
(Recebida por Célia Xavier de Camargo, Rolândia-PR, em 19/03/2012.)
 
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