Quando você ensina, transmite. Quando você educa, disciplina. Mas quando evangeliza, salva. A. R.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

PRIMEIRAS LIÇÕES DE MORAL DA INFÂNCIA - Allan Kardec


REVISTA ESPÍRITA ano 1864 - fev.

De todas as pragas morais da sociedade, o egoismo parece a mais difícil de desenraizar; ela é tanto mais, com efeito, quanto é entretida pelos próprios hábitos da educação. Parece que se toma, desde o berço, a tarefa de excitar certas paixões que se tornam mais tarde uma segunda natureza, e se espanta dos vícios da sociedade, então que as crianças os sugam com o leite. Eis disso um exemplo que, como cada um pode julgá-lo, pertence mais à regra do que à exceção.

Numa família de nosso conhecimento há uma pequena filha de quatro a cinco anos, de uma inteligência rara, mas que tem os pequenos defeitos das crianças mimadas, quer dizer, que ela é um pouco caprichosa, chorosa, teimosa, e não diz sempre obrigado quando se lhe dá alguma coisa, essa cujos pais têm grandemente interesse em corrigi-la, porque, à parte esses defeitos, ela tem um coração de ouro, expressão consagrada. Vejamos como se emprenham para tirar essas pequenas nódoas e conservar ao ouro a sua pureza.

Um dia, havia sido trazido um bolo à criança, e, como é geralmente o hábito, se lhe disse: “Tu o comerás se for obediente,” primeira lição de guloseima. Quantas vezes não chega a dizer, à mesa, a uma criança, que não comerás de tal gulodice se chorar. “Faze isto, faze aquilo, se lhe diz, e tu terás do creme” ou alguma outra coisa que possa lhe fazer inveja; e a criança se constrange, não por razão, mas tendo em vista satisfazer um desejo sensual que a aguilhoa. É bem pior ainda quando se lhe diz, o que não é menos frequente, que se dará sua porção a um outro; aqui não é mais a gulodice só que está em jogo, é a inveja; a criança fará isso que se lhe manda, não só para ter, mas que um outro não tenha Quer se lhe dar uma lição de generosidade? Diga-se lhe: “dá esse fruto ou esse brinquedo a um tal. ”Se ela recusa não se deixe de acrescentar, para simular nela um bem sentimento: “Eu te darei um outro dele;” de maneira que a criança não se decida a ser gêneros senão quando está certa de nada perder.

Fomos um dia testemunha de um fato muito característico nesse gênero. Era uma criança de dois anos e meio mais ou menos, a quem se havia feito semelhante ameaça, acrescentando-lhe: “Nós o daremos ao irmãozinho, e tu não o terás;” e para tornar a lição mais sensível, coloca-se a porção sobre o prato deste; mas o irmãozinho, tomando a coisa a sério, come a porção. Em vista disso, a outra se torna vermelha e seria preciso não ser nem o pai nem a mãe para não ver o estrondo de cólera e de ódio que jorra de seus olhos. A semente foi lançada; pode produzir bom grão?

Retornemos à pequena da qual falamos. Como não toma nenhuma conta da ameaça, sabendo por experiência que será executada raramente, esta vez se fez mais firme, porque compreendeu-se que seria preciso dominar esse pequeno caráter e não esperar que a idade lhe venha dar um mau hábito. É preciso formar as crianças cedo, dizia-se: máxima muito sábia, e, para coloca-la em prática, eis como se a toma. “Eu te prometo, lhe diz a sua mãe, que se tu não obedeceres, amanhã de manhã, a primeira pequena pobre que passar, dar-lhe-ei teu bolo. ”O que foi dito foi feito; esta vez queria-se resistir e lhe dar uma boa lição. No dia seguinte de manhã, pois, tendo percebido uma pequena vizinha na rua, fê-la entrar, e se obrigou a filhinha a toma-la pela mão e a lhe dar, ela mesma, seu bolo. Sobre isso, louvores dados à sua docilidade. Moralidade: a filhinha disse: “É indiferente, se soubesse disto, teria me apressado em comer meu bolo ontem;” e todo o mundo de aplaudir a essa resposta espirituosa. A criança, com efeito, recebeu uma grande lição, mas uma lição do mais puro egoísmo, do qual não deixará de se aproveitar numa outra vez, porque ela sabe agora o que custa a generosidade forçada; resta saber que frutos dará mais tarde essa semente, quando, mais idosa, a criança fará a aplicação dessa moral em coisas mais sérias do que um bolo. Sabem-se todos os pensamentos que só esse fato pôde fazer germinar nessa jovem cabeça? Como se quer, depois disso, que uma criança não seja egoísta quando, em lugar de despertar nela o prazer de dar, e de lhe presentear a felicidade daquele que recebe, se lhe impões um sacrifício como punição? Não é inspirar a versão pelo ato de dar, e por aqueles que têm necessidade? Um outro hábito igualmente frequente é o de punir uma criança vendo-a comer, na cozinha, com os domésticos. A punição está menos na exclusão da mesa do que na humilhação de ir à das pessoas de serviço. Assim se encontra inoculado, desde a mais tenra infância, o vírus da sensualidade, do egoísmo, do orgulho, do desprezo aos inferiores, das paixões, e uma palavra, que são, com razão, consideradas como as pragas da Humanidade. É preciso ser dotado de uma natureza excepcionalmente boa para resistir a tais influências, produzidas na idade mais impressionável, onde elas não podem encontrar contrapeso nem na vontade nem na experiência. Por pouco, pois, que o germe das más paixões aí se encontre, o que é o caso mais comum, tendo em vista a natureza da maioria dos Espíritos que se encarnam sobre a Terra, não pode senão se desenvolver sob essas influências, ao passo que seria preciso tentar descobrir lhe os menores traços, para abafá-la.
Essa falta, sem dúvida, está nos pais, mas aqueles pecam frequentemente, é preciso dizê-lo, mais por ignorância do que por má vontade; em muitos, incontestavelmente, há uma negligência culpável, mas em outros a intenção é boa, é o remédio que não vale nada ou que é mal aplicado. Sendo os primeiros médicos da alma de seus filhos, deveriam estar instruídos, não só de seus deveres, mas dos meios de cumpri-los; não basta ao médico saber que deve procurar curar, é preciso que saiba como deve fazê-lo. Ora, para os pais, onde estão os meios de se instruírem sobre parte tão importante de sua tarefa?
Dá-se às mulheres muita instrução hoje; fazem-na suportar exames rigorosos, mas jamais foi exigido de uma mãe que ela saiba como deve fazer para formar o moral de seu filho?

São-lhes ensinadas receitas do governo da casa; mas se a iniciou nos mil segredos de governar os jovens corações? Os pais são, pois, abandonados sem guia à sua iniciativa, é por isso que, frequentemente, tomam um falso caminho; também recolhem, nos erros de seus filhos tornados grandes, o fruto amargo de sua experiência ou de uma ternura mal combinada, e a sociedade toda disso recebe contragolpes.

Uma vez que está reconhecido que o egoísmo e o orgulho são a fonte da maioria das misérias humanas, que enquanto reinarem sobre a Terra, não se podem esperar nem paz, nem caridade, nem fraternidade, é preciso, pois, ataca-los no seu estado de embrião, sem esperar que sejam vivazes.
Pode o Espiritismo remediar esse mal? Sem nenhuma dúvida, e não hesitamos em dizer que só ele é bastante poderoso para fazê-lo cessar: pelo novo ponto de vista sob o qual faz encarar a missão e a responsabilidade dos pais; fazendo conhecer a fonte das qualidades inatas, boas ou más; mostrando-lhes a ação que se pode exercer sobre os Espíritos encarnados e desencarnados; dando-lhes a fé inabalável que sanciona os deveres; enfim, moralizando com isso os próprios pais. Já prova sua eficácia pela maneira mais racional da qual as crianças são educadas nas famílias verdadeiramente espíritas. Os novos horizontes que o Espiritismo abre fazem ver as coisas de maneira diferente; sendo seu objetivo o progresso moral da Humanidade, forçosamente deverá levar a luz sobre a séria questão da educação moral, fonte primeira da moralização das massas. Um dia compreender-se-á que esse ramo da educação tem seus princípios, suas regras, como a educação intelectual, em uma palavra, que é uma verdadeira ciência, um dia, talvez, se imporá a toda mão de família a obrigação de possuir esses conhecimentos, como se impões ao advogado a de conhecer o Direito.

Allan Kardec
Revista Espírita – Fev. - 1864


sábado, 5 de janeiro de 2019

Férias: um direito da criança por Eugênia Pickina




Paz
Os caminhos estão descansando...Mario Quintana

A palavra férias evoca descanso, ócio, lazer.
O que uma criança faz durante as férias? Dormir até mais tarde, brincar e divertir-se…
As férias são um período de descanso da escola e, por isso, se não houver viagens programadas, a alegria de descobrir, na própria cidade, por exemplo, praças, feiras, museus, uma rua temática…
Soltar a voz. Pois as crianças adoram cantar, dançar, e o alegre repertório pode sugerir cantigas de roda ou músicas que emocionam a família.
Cuidar das plantas pode ser divertido, especialmente em um dia de calor e um regador cheio de água...
A bicicleta, não duvide, é um brinquedo importante para as crianças e, por isso, faz todo sentido a emoção de um inesperado passeio e toda a família participa.
Fazer um piquenique. O jardim da casa (ou do condomínio) já vale a diversão ao ar livre – e, depois de brincar, as crianças vão comer gostosuras e desfrutar do sol e da grama.
Desenhar é uma ótima atividade para fazer dentro de casa. Podem ser papel e lápis, lousa e giz. Tinta.
A pausa do fim do ano é essencial para o cérebro e o corpo da criança.
Não dá para viajar? Ora, simplesmente ofereça à criança passeios curtos ou a oportunidade de exercitar a imaginação no pracinha do bairro ou exercitar a imaginação com os amigos. Muitas vezes até um simples passeio no quarteirão pode gerar descobertas, risadas e felicidade.
As crianças passam cerca de 200 dias em sala de aula, com rotina puxada, tarefas para fazer e horários para cumprir. É muito saudável parar no período de férias para descansar, visitar parentes e amigos, brincar à vontade e ficar mais próximo dos pais. Isso porque, durante o período escolar, muitas vezes os pais veem os filhos poucas horas por dia, principalmente os que passam o dia todo na escola.
Deixemos os nossos filhos desfrutar das férias merecidas, que proporcionam tempo de repouso, descanso e encantamento. Além disso, as férias contribuem para a vivência de valores, auxiliando na rica construção de memórias de vida.
Boas férias, feliz descanso!
 Fonte http://www.oconsolador.com.br/ano12/600/cincomarias.html


MEDIUNIDADE NA INFÂNCIA


Parece coisa de ficção.

Mas, na vida real, há muitos relatos de crianças que, já viram ou conversaram com pessoas que já morreram (confira os casos reais no final da matéria).

De acordo com a doutrina espírita, a meninada tem mesmo mais facilidade para interagir com quem já se foi, conforme explica Sônia Zaghetto, assessora de comunicação social da FEB (Federação Espírita Brasileira):

“Isso ocorre porque as crianças ainda têm ligações ligeiramente mais tênues com o corpo físico, assim como os doentes terminais, em que a ligação espírito-corpo já se enfraqueceu e eles podem ver os espíritos.

Há medida que a pessoa cresce, vai se tornando ainda mais forte a ligação com o corpo e ela vai deixando de vê-los”. No entanto, Sônia alerta: nem todas as crianças vêem os espíritos. “É natural que os vejam, mas não é obrigatório que aconteça”, explica.

O que também pode confundir quem não está muito por dentro do tema é achar que a criança é médium só porque teve um episódio em que viu, ou ouviu um espírito. “Nem sempre a visão de espíritos pelas crianças caracteriza mediunidade. Somente com o tempo se pode discernir, pois o fenômeno pode ser passageiro. Pode ser aquela questão relacionada à ligação do espírito com o corpo.

Quando não é mediunidade, essas visões desaparecem entre 6 e 8 anos de idade. Como, por exemplo, os amiguinhos imaginários, que costumam desaparecer por volta dessa idade”, esclarece Sônia.

Alguns indícios de mediunidade:

Ela conta ainda que um sinal de mediunidade é quando a criança começa a relatar visões e conversas com os espíritos. “Se essas manifestações ganham caráter mais constante, bem ostensivo e persistem até a pré-adolescência e juventude, tudo indica mediunidade. Logo, uma visão que ocorreu apenas uma vez, por exemplo, não é considerada indício”, conclui ela.

O que fazer quando a criança é médium?
 
- Os pais devem observar cuidadosamente o comportamento da criança para ver se elas não estão influenciadas por algo que viram na TV ou em filmes.
- Pode ser também que elas estejam adotando tais posturas apenas para chamar a atenção. É importante discernir e checar tudo isso na hora de avaliar se a criança está realmente vendo espíritos.
- Os pais jamais devem estimular as crianças a desenvolver mediunidade.
- Se a criança tiver idade suficiente para compreender o que está acontecendo, os pais devem explicar a ela a situação, procurando não fazer disso um fenômeno extraordinário que gere medo ou desconforto. “Se os pais não se acharem em condições de conversar com a criança (por desconhecimento do assunto), podem recorrer a um centro espírita, em que as pessoas mais experientes poderão orientá-los sobre a forma abordar o assunto com a criança”, aconselha Sônia. 
 O que os pais devem evitar?
 
- Negação pura e simples, pois a criança pode se sentir acusada de ser mentirosa e desenvolver outros problemas.
- Valorização excessiva do fenômeno.
- Demonstrar medo, pois só deixará a criança mais nervosa e insegura. “Além de que, não se deve temer os espíritos”, completa Sônia.
- Criar expectativas. “É uma imprudência. Os pais devem agir com a máxima naturalidade e ouvir a criança quando ela falar espontaneamente do assunto, sem criticá-la ou ridicularizá-la, sem se mostrar assustados, nervosos, inquietos ou vaidosos e orgulhosos diante do fenômeno que acontece com o filho”, orienta Sônia.

Casos conhecidos e comprovados de mediunidade em crianças*

*CHICO XAVIER (1910-2002)

– Um dos mais conhecidos e respeitados médiuns do mundo, Chico via o espírito da mãe morta e conversava com ela desde os 5 anos de idade. Em 1922, no centenário da Independência do Brasil, ele tinha 12 anos e ganhou menção honrosa quando escreveu uma bela redação sobre o Brasil. Na ocasião, afirmou que um espírito havia lhe ditado o texto.

Os amigos duvidaram e acharam que ele tinha copiado a redação de um livro. (...) As visões de Chico fizeram com que ele fosse obrigado pelo pai a freqüentar a Igreja Católica e ele via hóstias brilhando de luz, pessoas mortas sorrindo e carregando rosas. Sebastião Scarzello - padre de Pedro Leopoldo (MG) - nunca duvidou, mas aconselhava Chico a orar mais para afastar aquelas visões.”

*DIVALDO PEREIRA FRANCO

- Médium baiano, de 79 anos de idade, Divaldo é hoje o mais conhecido palestrante espírita do mundo, com milhares de palestras em mais de 80 países e mais de 150 livros psicografados. Ele declara publicamente que vê os espíritos desde criança. Aos 4 anos de idade, viu o espírito de sua avó, Maria Senhorinha, e a descreveu para sua mãe, gerando muito espanto na família católica.

*JOSÉ RAUL TEIXEIRA

- Médium e conferencista espírita de Niterói - RJ, professor de Física da UFF (Universidade Federal Fluminense) e Doutor em Educação, José Raul afirma que via os espíritos desde criança e, muitas vezes, conversava com eles.

Em uma ocasião, ao ver o espírito de um amigo, quase se atirou nos braços dele. Mas a mãe - que também era médium - impediu que o filho se machucasse, pois notou que ele ia em direção ao 
 espírito e o impediu de cair no vazio, quando se atirou nos braços do amigo invisível.

YVONNE AMARAL PEREIRA


Assim aconteceu, a propósito, com a  inesquecível médium Yvonne Amaral Pereira, que, em sua obra Recordações da Mediunidade, pg. 27, nos afirmava que já aos quatro anos de idade comunicava-se com Espíritos desencarnados, através da visão e da audição, supondo estar dialogando com encarnados, por lhe parecerem absolutamente concretos, a ponto de tomá-los muito frequentemente por seus familiares, razão pela qual jamais se surpreendera com suas presenças.



*Depoimentos cedidos pela FEB (Federação Espírita Brasileira)





Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...