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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Encontro Inesperado

 
No tempo em que Jesus andava pelo mundo, um homem desejava muito seguir o profeta que diziam ser aquele que viera para salvar os judeus do jugo dos romanos, seus conquistadores e tiranos. 
 
Assim, quando Josué ouvia que o Rabi estava em algum lugar ali perto, corria a encontrá-lo com a esperança de vê-lo. Mas ao chegar tinha a informação de que o Profeta ali já não estava. E desse modo prosseguia Josué sem conseguir encontrá-Lo.
 
Certo dia, desanimado, sentou-se pensativo, num tronco à sombra de uma árvore. Por que razão só ele não conseguia ver o Profeta, encontrar-se com Ele? Sentia falta de amor, desejava que seu coração se enchesse de afeto; no entanto, ele mesmo não amava ninguém. E Josué prosseguia falando consigo mesmo: “Nunca tive o amor de uma família. Desde pequeno fui criado por uma bondosa mulher que me acolheu em seu lar após a morte de meus pais. Cresci sentindo um grande vazio no coração. E, por isso, queria ver o Rabi, pois me disseram que todas as dores, todas as angústias, encontravam nele o remédio perfeito”.
 
Nesse momento, deixando que lágrimas amargas brotassem de seus olhos, viu chegar um homem. Sua presença o encantou. Era alto; deveria ter caminhado bastante, pois suas sandálias estavam sujas do pó das estradas; vestia-se simplesmente com uma túnica clara e seus gestos eram delicados; os cabelos, repartidos à nazarena, caíam sobre seus ombros e em seu belo semblante havia uma terna tristeza. 
 
Ao fitar aqueles olhos, Josué sentiu-se atraído pelo desconhecido, cuja presença o enchia de paz. Sem conseguir falar, Josué fez um gesto para que ele se sentasse a seu lado. O homem acomodou-se, depois perguntou:
 
— Por que está aqui, Josué?
 
Aquela voz mexeu com Josué, como se acalmasse seu íntimo.
 
— Procuro o Profeta, senhor — respondeu ele, encantado com aquela presença. 
 
— E por que está a procurá-lo? — voltou a indagar o desconhecido.
 
Josué respirou fundo e respondeu, como se nada pudesse ser oculto, contando-lhe como fora sua vida, a falta de amor, a esperança de encontrar alguém que o amasse.
 
O desconhecido fitou-o longamente, depois considerou:
 
— Josué, a esperança não é uma palavra vazia e nem representa falta de atividade. É trabalho interior constante e que exige um objetivo claro e contínuo para atingir a meta que buscamos. 
 
— Eu sei, meu Senhor, e creio que tenho tido a paciência necessária para atingir o que desejo. 
 
Ouvindo essas palavras, o desconhecido tornou:
 
— Mas paciência, Josué, representa firmeza pacífica em conseguir o que almejamos. Assim, se você quer realmente alcançar seus objetivos, trabalhe incansavelmente mantendo a luz do amor acima de tudo o mais; devote-se ao próximo e será abençoado. 
 
— Senhor, no entanto, preciso de amor; sinto falta do carinho de uma família, de amigos... 
 
E o desconhecido prosseguiu, com entonação de voz inesquecível:
 
— E o que tem feito até agora para conseguir esse amor?
 
— Tenho percorrido as estradas a ver se encontro alguém que possa me amar.
 
Então, o celeste desconhecido lhe respondeu:
— Enquanto não aprender a doar amor, nada receberá de retorno. É da Lei Divina. Doe-se aos necessitados do caminho e conseguirá o que deseja. Aprende com a água cristalina que jorra e dessedenta os viajores, sem jamais cobrar por sua generosidade. A sombra da noite é vencida pelo dia que traz a Luz. 
 
Assim também devemos agir. Aproveita todos os momentos como bênçãos enviadas por Deus para o progresso das criaturas. 
 
— Sim, Senhor. Farei como diz. Mas, quem é você, que fala com sabedoria e cuja voz produz grande bem-estar e desejo de segui-lo sempre, não o deixando jamais? 
 
O desconhecido ergueu-se e, antes de se afastar, murmurou:
 
— Eu sou Jesus!...
 
Ouvindo-lhe o nome, Josué ficou parado, sem conseguir mover-se. Quando se deu conta de que estava perdendo a oportunidade da sua vida, ele correu para alcançar o Mestre, mas não O encontrou mais.
Então, refletindo em tudo que ouvira da boca de Jesus, Josué entendeu que precisava modificar-se, tornando-se alguém digno de seguir ao encontro do Profeta de Nazaré.
 
A partir desse dia, por onde passasse, Josué aproveitava para trabalhar com amor, sem perder oportunidade de falar com as pessoas, ajudá-las e socorrê-las, certo de que era isso que o tornaria digno de, algum dia, ser um seguidor de Jesus de Nazaré. 
 
MEIMEI
(Mensagem recebida por Célia X. de Camargo, em 20/10/2014.)

domingo, 14 de fevereiro de 2016

A bênção de um lanche

 
Certo dia, durante o recreio na escola, Caio estava com seu amigo Olívio. Ambos, com os lanches nas mãos, comiam e conversavam.
Nessa hora, chegou um colega deles e acomodou-se ali perto. De vez em quando o garoto olhava para Caio e Olívio, com olhos famintos. Ele nada tinha para comer e estava com fome. Olívio, que mal havia começado a comer seu sanduíche, repartiu o lanche em dois e estendeu a mão, entregando uma metade ao colega:
— José, eu não estou com fome. Aceita dividir comigo este sanduíche? Se eu voltar para casa com ele, mamãe ficará triste, pois foi ela quem o fez.
Com tímido sorriso, José aceitou contente:
— Obrigado, Olívio. Deve estar uma delícia! Deus lhe pague!
E, agarrando o seu pedaço de sanduíche, José comeu-o rapidamente, depois agradecendo de novo, satisfeito foi lavar as mãos no bebedouro.
Carlos, que viu a atitude de Olívio com espanto, aproveitou que José se afastara, para repreender o colega:
— Olívio, por que repartiu seu lanche com aquele moleque? Afinal, ele não trouxe lanche e ainda comeu metade do seu! Não gosto de gente que se aproveita dos outros! Se ele estava com fome, por que não trouxe lanche?!...
Mas Olívio, ouvindo as palavras duras de Carlos, respirou fundo e respondeu:
— Carlos, eu conheço José. Ele é de família pobre, mas muito boa. Não traz lanche porque não tem nada em casa, entende? Então, quando isso acontece, não me incomodo de repartir meu lanche com ele. Antes de sair de casa, tomei um bom café da manhã e a metade de um sanduíche não me fará falta, pode acreditar.
Ao ouvir a explicação de Olívio, Carlos abaixou a cabeça, envergonhado por ter sido tão duro com um colega que era mais pobre do que ele. Logo tocou o sinal e eles voltaram para a classe, porém Carlos não conseguia esquecer o que Olívio tinha dito; as palavras do amigo ficaram martelando em sua cabeça.
Ao retornar para casa, Carlos continuava sem esquecer o que ouvira do colega. Não sabia que José fosse tão pobre e sentiu-se mal diante de sua própria conduta.
Ao deitar-se, fechou os olhos e a imagem de José apareceu à sua frente, fazendo-o lembrar-se de um dia, quando levara dois carrinhos de ferro à escola, destes que são importados, imitação de modelos idênticos aos verdadeiros. Notou que José não tirava os olhos dos carrinhos, encantado. Porém, não o deixou nem tocar nos brinquedos.
Agora, ali deitado, sentia-se envergonhado de sua atitude. Chorou por ter agido daquela maneira com José. E após resolver mudar de atitude com o colega, finalmente adormeceu.
No dia seguinte, Carlos levantou-se animado. Não precisou nem sua mãe vir chamá-lo. Tomou banho, vestiu-se e sentou-se para fazer a primeira refeição. Pediu para a mãe fazer um sanduíche a mais, bem gostoso, e dois sucos. Ela fez como ele pedira e disse:
— Nossa, meu filho! Pelo jeito, você amanheceu com fome!
— Não, mamãe. É para reparar um erro meu. Depois eu lhe conto. Tchau!...
— Vá com Deus, meu filho!...
Chegando à escola, Carlos estava radiante. Todos notaram a diferença nele sem saber a razão. Até a mestra viu-lhe a boa disposição, pois em geral ele era mal-humorado.
Na hora do recreio, ele correu para fora com seu amigo Olívio, e chamou José para ir junto. Encontraram um lugar bem tranquilo debaixo de uma árvore. Carlos pegou um dos sanduíches e entregou-o a José, que estranhou a atitude do colega.
— Não se preocupe, Carlos. Não estou com fome, acredite.
— Trouxe este sanduíche para você, José. Foi mamãe quem fez e deve estar muito bom. Prove-o! Ah! E tem também um suco para você! – Carlos respondeu com um sorriso.
 
De olhos arregalados, José olhou o sanduíche que estava em uma das mãos, o suco na outra, e os olhos brilharam de alegria. Depois, com voz tímida, perguntou:
— Carlos, você se incomoda se eu comer só a metade do lanche e tomar metade do suco?
— Não, faça o que quiser. Eu os trouxe para você!
— Ah, agradeço-lhe. É que eu
tenho um irmão de três anos que fica em casa e que não tem o que comer; eu gostaria de repartir meu lanche hoje com ele.
Carlos engoliu em seco, com vontade de chorar ao ouvir José falar do irmãozinho, e respondeu:
— Faça o que quiser com seu lanche.
Depois, lembrando-se dos carrinhos que trouxera e estavam no seu bolso, Carlos sorriu e lhe disse:
 
— Então, se você tem um irmãozinho, tenho uma coisa de que ele vai gostar! — disse e tirou do bolso das calças os dois carrinhos, novos e reluzentes, entregando-os ao colega, que não podia acreditar diante de tamanha maravilha.
José ergueu-se de onde estava e pulou no pescoço de Carlos, agradecendo-lhe pelos presentes. Depois explicou, em lágrimas:
— Eu estava triste porque hoje é aniversário de meu irmãozinho e nada poderia lhe dar. Agora, tenho o lanche e ainda levarei os carrinhos para ele, como presente seu, Carlos!...
Naquele momento, Carlos entendeu por que Jesus nos convida em suas lições para fazermos o bem ao próximo. Não há alegria maior do que sentir-se útil a alguém e receber sua gratidão, que atinge no coração quem faz o bem.
Olívio, que observava Carlos, espantado pela mudança que se operara nele, sorriu satisfeito, e Carlos notou. Então, ele disse ao colega:
— Graças a você, Olívio, neste dia, eu recebi minha maior lição sobre o Evangelho de Jesus. Obrigado, amigo!...  
MEIMEI 
(Recebida por Célia X. de Camargo, em 26/10/2015.)    

                                                   
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