Estou na evangelização infantil desde 2011. Ao longo desses anos, construímos um trabalho contínuo, cuidadoso e profundo com as crianças. Falamos sobre virtudes, sobre Deus, trouxemos Jesus para perto do coração delas e estudamos as Leis Morais — que, com as crianças, chamamos de Princípios Morais. Encerramos o ano de 2025 refletindo sobre as Parábolas de Jesus.
Nossas crianças têm uma bagagem evangélica bonita e significativa. Elas conhecem Deus dentro do limite que a idade permite, conhecem Jesus e seus ensinamentos e, o mais tocante, aceitam esses ensinamentos e se esforçam para vivê-los no dia a dia. Isso aparece nas falas espontâneas, nas atitudes simples e nas atividades que realizamos juntas. É algo que emociona.
Mas, desde sempre, algo vinha se repetindo em nossas conversas e começou a me inquietar profundamente: a dificuldade que muitas crianças têm em lidar com os próprios sentimentos.
Percebi que elas não se permitem sentir determinadas emoções. Quando sentem nervosismo, impaciência, raiva ou frustração, logo se julgam, se culpam e se questionam, como se esses sentimentos anulassem tudo o que já aprenderam sobre amor, perdão e bondade. Esse conflito interno é silencioso, mas muito profundo e doloroso.
Diante desse sofrimento, os pais também se veem perdidos, buscando apoio em psicólogos, terapias e, em alguns casos, até na medicação. E é importante lembrar que muitos adultos também estão em processo de aprender a lidar com o próprio mundo interior.
Por muito tempo, acreditei que a origem desse sofrimento estivesse principalmente no ambiente familiar. Pensei que seria necessário trazer pais e cuidadores para vivenciarem a evangelização junto com as crianças, fortalecendo esse processo também em casa. Em alguns momentos, tentei iniciar isso enviando mensagens para serem lidas em família.
Com o tempo, porém, percebi que não era apenas isso.
Hoje, compreendo que, embora o lar seja fundamental, a questão está, sobretudo, no mundo interior da criança. É ali que ela precisa aprender a se reconhecer, a se acolher e a compreender que sentir não é errar — é parte do processo de crescimento espiritual.
Foi a partir dessa reflexão que nasceu a proposta de organizar a evangelização infantil por eixos de desenvolvimento, respeitando o tempo, a maturidade emocional e a vivência espiritual de cada criança:
Eu comigo — aprender a reconhecer e acolher sentimentos, limites e potencialidades.
Eu com o outro — desenvolver empatia, respeito e convivência fraterna.
Eu com o mundo — compreender o papel do indivíduo na construção de um mundo melhor.Eu com Deus — fortalecer o vínculo com o Pai, com Jesus e com a espiritualidade.
Esse método nasce da escuta, da observação e, sobretudo, do amor. É uma tentativa sincera de ajudar nossas crianças a integrarem aquilo que aprendem com aquilo que sentem, caminhando com mais leveza, consciência e paz interior.
Evangelizadora Elaine Pita
Escolinha Espírita
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