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domingo, 18 de agosto de 2019

A INFÂNCIA


Comunicação espontânea do Sr. Nélo, médium, lida na Sociedade em 14 de janeiro de 1859.
Não conheceis o segredo que as crianças escondem em sua inocência; não sabeis o que são o que foram, nem o que serão; todavia, as amais, as quereis bem como se fossem uma parte de vós mesmos, de tal modo que o amor da mãe por seus filhos é reputado o maior que um ser possa ter por um outro ser. De onde provém essa doce afeição, essa terna benevolência que os próprios estranhos sentem para com uma criança? O sabeis? Não; é isso que vou vos explicar.

As crianças são seres que Deus envia em novas existências; e para que não lhe possam lançar em rosto uma severidade muito grande, lhes deu todas as aparências da inocência; mesmo numa criança de uma maldade natural são cobertos seus defeitos com a não consciência de seus atos. Essa inocência não é uma superioridade real sobre o que eram antes; é a imagem do que deveriam ser, e se não o são, é unicamente sobre elas que disso recai a pena.

Mas não foi somente por elas que Deus lhes deu esse aspecto, foi também, e, sobretudo, pelos seus pais, cujo amor é necessário à sua fraqueza, e esse amor seria singularmente enfraquecido à visão de um caráter colérico e rude, ao passo que crendo seus folhos bons e dóceis, lhes dão todas as suas afeições, e os cercam com os mais delicados cuidados. Mas quando as crianças não têm mais necessidade dessa proteção, dessa assistência que lhes foi dada durante quinze a vinte anos, seu caráter real e individual reaparece em toda a sua nudez; permanece bom se era fundamentalmente bom, mas se irisa sempre de nuanças que estavam escondidas pela primeira infância.

Vedes que os caminhos de Deus são sempre os melhores, e que, quando se tem o coração puro, é fácil conceber sua explicação.

Com efeito, pensai bem que o Espírito, das crianças que nascem entre vós, pode vir de um mundo onde tomou hábitos muito diferentes; como quereríeis que fosse ao vosso meio, esse novo ser, que vem com paixões diferentes daquelas que possuís, com inclinações, gostos inteiramente opostos aos vossos; como quereríeis que se incorporasse em vossas fileiras de outro modo do que Deus quis, quer dizer, pela peneira da infância? Ali se confundem todos os pensamentos, todos os caracteres, todas as variedades de seres engendrados por essa multidão de mundos nos quais crescem as criaturas. E vós mesmos, em morrendo, vos encontrareis em uma espécie de infância, no meio de novos irmãos; e na vossa nova existência não terrestre, ignorais os hábitos, os costumes, as relações desse mundo, novo para vós; manejareis com dificuldade uma língua que não estais habituado a falar, língua mais viva do que não é hoje vosso pensamento.

A infância tem, ainda, outra utilidade; os Espíritos não entram na vida corpórea senão para se aperfeiçoarem, se melhorarem; a fraqueza da juventude os tornam flexíveis, acessíveis aos conselhos da experiência, e daqueles que os devem fazer progredir; é, então, que se pode reformar seus caráter e reprimir seus pendores; tal é o dever que Deus confiou aos seus pais, missão sagrada pela qual terão de responder.

É assim que a infância é, não somente útil, necessária, indispensável, mas, ainda, a consequência natural das leis que Deus estabeleceu e que regem o Universo.

Nota: Chamamos a atenção dos nossos leitores sobre essa notável, dissertação, cuja alta importância filosófica será facilmente compreendida. Que da mais belo, de mais grandioso, que essa solidariedade que existe entre todos os mundos! Que de mais próprio para nos dar uma ideia da bondade e da majestade de Deus! A Humanidade cresce com tais pensamentos, ao passo que nós a explicamos a reduzindo às mesquinhas proporções de nossa vida efêmera e de nosso mundo, imperceptível entre os mundos.

Extraído: REVISTA ESPÍRITA - Jornal de Estudos Psicológicos - Coletânea Francesa – 1859 - ESCOLHOS DOS MÉDIUNS - DISSERTAÇÃO DE ALÉM-TÚMULO.



domingo, 28 de abril de 2019

O QUE SÃO AS FAMÍLIAS HUMANAS?

As famílias humanas são agrupamentos interligados pelos laços consanguíneos, mas funcionam como breves estágios educativos das almas encarnadas e comprometidas carmicamente no passado. O lar terreno é a escola providencial, onde os espíritos adversos apagam a incêndio de ódio pretérito e se renovam nas lições do amor, embora sob os interesses das relações protetoras da família. Mas a família, malgrado a sua expressão consanguinea, é apenas a premiliminar onde os espíritos treinam e desenvolvem o amor universal acima de qualquer preocupação racista.

Quando Jesus advertiu que deveríamos abandonar pai e mãe para segui-Lo incondicionalmente, referiu-se à necessidade de o homem libertar-se dos laços consanguíneos, que são o sustentáculo da família humana isolada no seio da humanidade! O Mestre convidou o homem a integrar-se, definitivamente, no seio da família universal, que é eterna! Não aconselhou o desamor nem a rebeldia entre os membros da mesma descendência humana, mas distinguiu a necessidade de mantermos os princípios espirituais acima das tendências inferiores e transitórias da carne. O homem deve superar o amor egocêntrico, que é nutrido pelo sangue do mesmo agrupamento doméstico, a fim de integrar-se no amor do Cristo, que é universal!

O lar terreno, além de sua função precípua de escola de educação espiritual, ainda pode ser acolhido à conta de oficina onde os espíritos se reabilitam e se retificam, alguns atraídos pelo amor cultivado há milênios, outros imantados pelas paixões e pelo ódio vividos no passado!
Ramatis

Extraido do livro A Vida Humana e o Espírito Imortal - cap. 1 Problemas da infância

OS PAIS ESCLARECIDOS DEVEM COMPREENDER QUE

..tanto o seu corpo como o do seus filhos, não passam de instrumentos de trabalho do espírito na matéria.
 São "vestuários carnais" diferentes apenas quanto à particularidades próprias da cor, porte, ou contextura hereditária. Mas isso é de pouca importância, pois o organismo carnal que o espírito utiliza no mundo físico é uma espécie de "ferramenta" de atividade terrena, algo semelhante ao formão do marceneiro, ou o bisturi para o médico. Pais, filhos e demais membros da mesma família são um grupo de espíritos compondo um conjunto interessado no mesmo reajuste espiritual, recíproco, das mazelas do passado!

À medida que os espíritos identificam a lei da reencarnação, eles se certificam de que os preconceitos de raças e distinções no mundo material não passam de perigosas ilusões que obscurecem a autenticidade do espírito imortal. E, assim, todos devem integrar-se à família universal e compartilhar do sofrimento alheio, participar de servir aliviar a dor do próximo!

Quantas vezes os nossos filhos de hoje foram os nossos piores adversários no passado, ou vice-versa; enquanto o filho do vizinho, que às vezes detestamos, pode ter sido o nosso maior amigo do passado? Sob a mesma vestimenta consanguinea do nosso parente, pode se embuçar o espírito cruel, que nos infernizou outrora, enquanto noutro, que nos antipatiza, vive um excelente companheiro de vivências pregressas! Assim, é tolice o orgulho da linhagem hereditárias consanguinea, ou apegarmo-nos à raça de que descendemos, porque a indumentária carnal do espírito, além de ser provisória, jamais, identifica ao verdadeiros afinidade do coração!

Ramatis
Extraído do livro A Vida Humana e o Espírito Imortal

domingo, 10 de março de 2019

O CRISTÃO NO LAR - Familiares


"Porquanto qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe"- Jesus (Mc 3:35).

A instituição da família n nosso mundo, sem dúvida tem obediência aos planos sábios emanados da Espiritualidade. Nos pequenos agrupamentos particulares, células da sociedade, jungidas as criaturas pelos deveres consanguíneos, estabelecem-se progressivamente os laços espirituais eternos.

É a construção dos Planos Divinos, segundo as leis de amor, que identificam aqueles parentes enunciados pelo nosso Mestre.

O parentesco estende-se dos pais e filhos para os avos, tios, primos e sobrinhos, nos seus graus de ligação, ampliando-se o relacionamento familiar. Igualmente dilatamos os nossos laços afetivos, dedicando a todos a nossa atenção, emprestando o nosso cuidado, colaborando nas necessidades mais imediatas do sustento material daqueles que a sorte não favoreceu.

Nos transes difíceis da vida, em que as comoções profundas envolvem os lares mais próximos pelos laços familiares, o nosso apoio e a nossa compreensão, exaltando a oportunidade das provas no nosso aprendizado cristão e o despertamento da nossa sensibilidade e interesse pelos menos afortunados, cujas misérias, são observadas por nossos olhos, revelam quão agraciados ainda somos pela misericórdia Divina.

O perdão, a Tolerância, a paciência, o refreamento dos costumeiros falatórios, no ambiente familiar e no convívio com os parentes, devem ser mais intensamente vividos, amortecendo as nossas paixões desenfreadas e equilibrando os nossos impulsos violentos.

Extraído do livro Iniciação Espírita - Ed. Aliança - Cap O CRISTÃO NO LAR

O CRISTÃO NO LAR - Filhos


"Vós, filhos, sedes obedientes a vossos pais, no Senhor, porque isto é justo." Paulo (Efésios, 6:1)

Os Espíritos ainda na idade adolescentes, quando nas suas necessidades de reafirmações, muitas vezes desdenham as experiências daqueles que os embalaram, ao darem os primeiros passos nos caminhos das iniciativas próprias, retomam, muitas vezes tardiamente, os rumos na atual existência, quando o sofrimento ou a madureza dos anos lhes restarem a compreensão.

Os filhos, hoje tão libertos e impulsivos, são grandemente atraídos para os prazeres da idade no incontido desejo de viver a felicidade que sempre é procurada fora de nós mesmos, iludidos desobedecem aos apelos dos pais, contrariando-os pelos caprichos venenosos que, na maior das vezes, os leva à imprudência e à insensatez.

É indispensável prestar obediência aos progenitores, dentro do espírito de Cristão, porque semelhante atitude é justa. E o jovem, amadurecido no amor e no respeito, compreende o zelo e as advertências dos mais experientes, já vividos em situações semelhantes, com acumulados resultados à disposição deles, que apenas se iniciam na caminhada.

Ouvir e ponderar, num diálogo de companheiros, sem barreiras ou distâncias, sem prevenções nem imposições, é o clima desejável em todas as situações.

Extraído do livro Iniciação Espírita - Ed. Aliança - Cap O CRISTÃO NO LAR

O CRISTÃO NO LAR - Pais

"E vós, pois, não provoquei a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor - Paulo (Efésios, 6:4)
Sempre que o homem e a mulher, na vida conjugal, compreendem o caráter divino e a oportunidade que a paternidade e a maternidade oferecem aos espíritos na escalada evolutiva, uma atmosfera de dedicação e sacrifício reflete-se no lar.

Lamentável observar as limitações comodistas de alguns pares, que cerceiam as chances de espíritos, muitas vezes afins, desejosos de retomarem as experiências no plano físico, evitando a gravidez.

Os filhos são as obras preciosas que o senhor confia aos casais, esperando-lhes a cooperação amorosa e eficiente no trabalho desprendido de preparação daquelas criaturinhas que, conduzidas pelas suas mãos, poderão levar aos homens de amanhã os exemplos do amor e respeito ao Mestre Jesus, transmitidos pelos seus pais.

A criação prevê admoestação, porém qual seria a admoestação do Senhor? Equilíbrio e justiça com amor, nem excessos de ternura e condescendências, nem demasia de exigências.

A disciplina e o comportamento à luz do Evangelho vão alicerçando os espíritos ainda infantis, robustecendo-os nas provas que a vida no nosso planeta lhes proporcionará.

Extraído do livro Iniciação Espírita - Ed. Aliança - Cap O CRISTÃO NO LAR

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A IMPORTÂNCIA DE FAZERMOS O EVANGELHO COM OS FILHOS


Queridos pais e amigos,

 

Dando continuidade à série de artigos ligada a família, vamos falar sobre o evangelho no lar. Esse momento é uma reunião fraterna semanal dos componentes do Lar, sob o amparo de Jesus.

Entre as finalidades do Evangelho no lar está:

Higienizar o lar pelos pensamentos e sentimentos elevados, permitindo assim, mais fácil influência dos Mensageiros do Bem;

Elevar o padrão vibratório dos componentes do lar, a fim de que ajudem, com mais eficiência, o Plano Espiritual na obtenção de um mundo melhor.

Quando as pessoas de uma família estão juntas orando, elas recebem o auxílio de espíritos evoluídos simpáticos à família, que acompanham a reunião;

Ambiente espiritual melhora sensivelmente, pois não só a família amplia a sintonia com os espíritos elevados, como também a prática da oração facilita o trabalho da equipe espiritual, que esclarece e encaminha os espíritos menos inferiores que se encontram naquela casa;

Estabelece-se uma proteção magnética em volta do lar, protegendo-o das vibrações inferiores e auxiliando os moradores a se harmonizarem.

Vamos nos lembrar de que no livro “Missionários da Luz”, no cap. 6, André Luiz fala sobre os benefícios da oração e a importância do Evangelho no Lar. O lar permanece fluidicamente protegido, em virtude do hábito da oração e da vida reta.

O Evangelho no Lar é muito importante para ajudar harmonizar o ambiente e despertar a religiosidade nos filhos. Dentro dos deveres dos pais:

É tarefa dos pais promover a moralização e a espiritualização de seus filhos, e não apenas a intelectualização deles.

Os pais devem cuidar de ensinar religiosidade para os filhos desde a mais tenra idade, tanto no lar, como no templo religioso.

Os pais devem viver uma vida digna, honrada, sóbria, pura, que sirva e modelo a seus filhos.

Nada melhor do que o exemplo para que os filhos sigam um modelo de vida salutar e sob a benção do Mestre Jesus. Agora, como fazemos o evangelho de Jesus no lar?

1 Escolha um dia da semana e horário para a reunião com os familiares. Lembre-se: a assiduidade e a pontualidade são muito importantes! (pois a espiritualidade tem muito trabalho e a disciplina rege a todos – nota da Escolinha Espírita)

2 Coloque na mesa um jarro com água para fluidificação para benefício de todos, servindo-a, ao final do culto, aos participantes. Todavia, pode sê-lo em caráter particular para determinado enfermo.

3 Prece Inicial. Recomenda-se que a prece seja simples e espontânea;

4 Leitura de uma página de mensagem ou uma mensagem de um CD. Alguns livros remendados para essa leitura seriam:


Pão Nosso, de Francisco Cândido Xavier;
Fonte Viva, de Francisco Cândido Xavier;
O Espírito da Verdade, de Francisco Cândido Xavier;
Parábolas Evangélicas, de Rodolfo Calligaris;
Pai Nosso, de Francisco Cândido Xavier (para as crianças).
Alvorara Cristã, de Francisco Cândido Xavier (para as crianças).

5 Leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo (ou outra obra cristã escolhida pela família);

6 Comentários sobreo texto lido. Os comentários devem ser de forma acessível a todos, sem polemizar;

7 Prece de Encerramento. Recomenda-se que a prece seja simples e espontânea;

O ideal seria que todos os membros da família participassem do evangelho. Porém, se alguém não quiser participar, não se deve forçá-lo. Durante a prece, pelo pensamento ele estará ligado às vibrações da equipe espiritual. Com o tempo e com a melhora do ambiente familiar certamente ele irá aproximar e participará de livre e espontânea vontade.

Carolina Von Scharten
Equipe de Evangelização Sir William Crookes Spiritist Society



sábado, 24 de novembro de 2018

MOISE RECEBE OS MANDAMENTOS DA LEIS DE DEUS



Extraído do livro De Jesus para as crianças de Bittencourt Sampaio - cap.2

Num meio dissoluto (contrário aos bons costumes) e idólatra (pessoa que admira exageradamente), seguindo, no entanto as leis do monoteísmo, crendo em um único Deus Verdadeiro e Soberano, passou a infância e fez-homem o grande Moisés, cujo nome em hebraico que dizer – salvo das águas.
Ramsés, o Faraó, respeitando os sentimentos magnânimos da princesa sua filha, acolhe em seu palácio o filho de Amram, na idade em que se poderia desenvolver o seu espírito; e, como lhe descobrisse uma inteligência precoce e vivaz, judicioso que era todos os seus atos, incumbe à sabedoria dos grandes da sua pátria a educação do menino hebreu. Fácil foi Moisés, sempre inspirado, compreender e desenvolver a ciência dos egípcios.

E, às horas do crepúsculo, ao descerem as colinas, conduzindo ao aprisco seus rebanhos, maravilhavam-se os pastores de quase sempre encontrarem aquela criança, que se esquivava aos brincos (brincadeiras) infantis, para absorver-se em funda meditação, como se já fora um velho, que no tédio da vida antevisse outra existência mais feliz.

Feito homem, chocavam-se lhe no espírito dois sentimentos extraordinários.

As lágrimas e gemidos dos de sua raça lhe feriam fundo o coração bondoso, exaltando lhe o altivo ânimo. Os penosíssimos trabalhos a que, para florescência dos campos e esplendor da cidade, eram condenados seus irmãos, lhe despertavam na alma uma tempestade de revoltas, que a custo a sua gratidão conseguia sufocar.

Quantas vezes não lhe passou pela mente o desejo impetuoso de sublevar os seus, quebrando por uma vez o jugo que os oprimia! Mas, às negras sombras, que por momentos lhe povoavam o cérebro, sucedia logo e logo a doce e serena luz da gratidão que lhe inundava a alma, trazendo-lhe plácido remanso a essas paixões.

Lembrava-se então de Termutis, a sua salvadora! Tudo suportaria, contanto que a princesa não sofresse a mais pequenina dor causada pela criancinha das águas!

E, com seus irmãos, estudava e padecia; assim, porém, que a morte, segundo a linguagem humana, tirou das vistas de Moisés o seu anjo protetor, como ele mesmo a apelidava, fala-lhe ao coração o espírito da raça, surge nele o homem impetuoso e ardente que busca por todos os meios a libertação dos filhos de Israel.

Alma experimentada ao calor das batalhas, que mais de uma vez fora levada, por gratidão à sua salvadora, a pelejar contra os Etíopes, ele encara sem temor a luta que se vai travar, não se arreceando das derrotas, porque tem fé no seu Deus, o Deus de seus pais, o Único Deus perante o qual cairão todos os ídolos (ver na Bíblia Isaías 45:21-23).

Depois de repetidas violências praticadas contra os pobres escravizados, encontra Moisés um dia, na estrada, possante egípcio infligindo a um hebreu dura castigo. Revolta-se e, não podendo conter-se, como que para dar começo a essa tremenda campanha de liberdade, de luz e de fé, que em prol de sua raça ia travar, lança-se de permeio, servindo de ante mural ao israelita, e mata (não há na linguagem humana outra palavra) mata o covarde.

Amedrontado, porém, pelo que fizera e tendo certeza de uma represália, foge depois de lançar sua vítima a um barranco arenoso. Dias depois, de toda a cidade foi sabido o feito de Moisés; seus próprios irmãos, aqueles mesmos por cuja liberdade ele se batia, severamente o exprobravam (lançar censura a, repreender, criticar).

Manifesta-se assim o gênio arrebatado daquele que mais tarde devia ditar leis, fazendo-se conhecido como o único homem que naquela época, afrontando uma sociedade sanguinária e dissoluta, sem Deus e sem crenças verdadeiras, seria capaz de levantar seus irmãos à sua divina origem – o seio do Criador!

Divulgado o fato, ordens severas foram dadas para a prisão do estrangeiro que, em sangue egípcio, ousara ensopar o berço da escravidão. Moisés, que era médium, recebe a intuição do seu Guia, retira-se para a casa de Jetro, seu futuro sogro; e aí, procurando sempre aproveitar toda a sua existência no trabalho, providencialmente se encarrega dos rebanhos de seu sogro, passando nesse mister dias inteiros, na solidão das florestas, guiando o gado às melhores pastagens.

Numa dessas jornadas, ao cair da tarde, caminha Moisés de volta a penates (lar, família), quando, junto à base do Monte Horéb sente a queda de um raio cobrindo-se de fluidos luminosos e espessa floresta de sarças (planta), que se lhe afigura arder em rubras chamas.

- Será, porventura, o Senhor que me vem falar pela voz do raio e pela luz que baixa do céu, pergunta Moisés!? E, prostrado, atento o ouvido na solidão do monte, aguarda a palavra do Senhor.
Diz-nos a Sagrada História, meus filhinhos, que a essa lugar deserto descera Deus, a fim de dar a Moisés as primeiras instruções para a libertação do seu povo; hoje, porém, com mais verdade, afirma-nos a Nova Revelação (o Espiritismo, a Terceira Revelação ou Consolador Prometido) que um Espírito, por ordem do Senhor, baixara a terra e, aproveitando as mediunidades do grande legislador hebreu, o iniciara no carreiro da redenção dos míseros cativos, cuja raça descendia de altos espíritos (ver o livro A caminho da Luz, cap. 7), que em espírito e verdade já tinham compreendido Deus, seu Criador, abandonando os cultos de Baál e de Moloch e demais divindades criadas pela simples fantasia do homem.

Deus, não, meus filhos, mas um Espírito superior, igual a esses que a todos os momentos da vossa vida podereis encontrar, desde que vos souberdes colocar em condições de senti-los, assim falou a Moisés, no monte Horéb: 

- Vai a Faraó e, em meu nome, pede-lhe a libertação de tua raça. Se as crianças já foram condenadas ao extermínio, por serem filhas de hebreus, que lhe importa abrir mão desses infelizes que há tantos anos sofrem o pesado jugo de tão ferrenha servidão?

- Mas, Senhor, diz Moisés, ele não me dará crédito; e, em nome de quem, devo falar-lhe?

-Eu sou Aquele (ver Êxodo 3:14 na Bíblia) que é, responde-lhe a voz.

Depois de muito meditar e de muita hesitação, como que buscando uma evasiva ao alto empreendimento que lhe era ordenado, pergunta ainda o salvo das águas:

- Como poderei convencer ao povo de que sou por vós enviado? – Sou tartamudo (dificuldade para falar), Senhor, e à minha palavra negastes as vibrações capazes de persuadir àqueles a quem me vou dirigir!

Responde-lhe o Anjo do Senhor: - procura teu irmão Aarão; ele será a palavra, tu os prodígios. – Ouve a minha voz e cumpre o teu dever!

Após o desaparecimento desse maravilhoso quadro por Moisés testemunhado, junto ao monte Horéb, entrega-se o grande legislador a profundo meditar, dando tratos à imaginação, cogitando como desempenharia a missão de que fora encarregado.

Ele bem conhecia o caráter dos israelitas, caráter que fora adquirido no convívio de um povo todo entregue à idolatria e à dissolução dos costumes. Avaliando a dureza da alma do Faraó e a grandeza do seu reino, tinha a certeza de que as palavras de um estrangeiro dificilmente por aquele seriam atendidas. Despertando da sua meditação, orou fervorosamente e voltou à sua tenda; aí por largo tempo permaneceu, tomado de grande exaltação, até que um dia, pelos enviados do Senhor avisado da morte do rei do Egito seu inimigo, resolve-se a cumprir as ordens que recebera, pondo-se a caminho.

Aarão, por sua vez prevenido também pelo seu anjo da guarda, lhe vem ao encontro e dos seus lábios ouve a revelação de tudo que com ele se passara no monte Horéb. Dirigem-se ambos para o Egito e, aí chegando, pede Moisés uma audiência ao rei, para obter a liberdade dos seus concidadãos.

Como servo humilde, rojasse-lhe aos pés, suplicando em prantos a libertação dessa oprimida raça a que pertencia. O Faraó Segundo, o novo rei, meus filhinhos, admirado da ousadia do estrangeiro, lhe pergunta com que autoridade penetra em seu palácio par fazer-lhe tais súplicas; Moisés, respondendo como lhe fora ordenado pelo divino enviado, fala em nome do seu Deus, o Criador de todas as coisas, o Único Deus Eterno e Absoluto. O Faraó chama os seus ministros e manda conduzir às fronteiras do seu reino o audacioso embaixador de um Deus desconhecido para ele. 

Decorrido algum tempo, volve de novo o Anjo do Senhor, concitando o legislador hebreu a repetir ao rei, com seu irmão, os rogos que uma vez já lhe fizera. 

De novo é Moisés repelido e, então, começam a cair sobre todo o Egito as grandes calamidades que a linguagem humana apelidou de pragas. Fenômenos extraordinários se deram em todo o reino, com o fim de tocar o coração endurecido, ferindo o espírito obcecado do grande e poderoso soberano. Esses fenômenos, porém, que a todos aterrorizava naquelas épocas, pela ignorância das causas que os produziam, hoje a ciência, à luz do Espiritismo, os explica de modo a satisfazer à razão mais refratária. Dos desertos da Arábia, os gafanhotos que aí se encontram em grande abundância e que a Zoologia classifica na espécie Acrídeos (gafanhotos); da África Central as moscas, as mais danosas de leste levantado e arrojado às planícies egípcias, devastando toda a vegetação e dizimando todos os rebanhos. E, assim as correntes aéreas, perfeitamente conduzidas pelos espíritos em missão, produziam esse resultado necessário para amedrontar o rei e o seu povo.

Tais foram meus amiguinhos, as duras provações por que passaram os egípcios, as quais melhor podereis conhecer pela leitura das Sagradas Escrituras, e que conseguiram tocar o endurecido coração do Faraó.

Aproveitando esses acontecimentos, Moisés volta ainda uma vez e repete as suas súplicas pela libertação do povo de Deus; e quando tanto lhe não quisessem dar, dizia, ao menos lhe concedessem a esmola de permitir que com o seu povo, ele fosso ao deserto cumprir uma promessa que fizera ao seu Deus.

O rei, temendo novos desastres, acede pôr fim aos rogos dos estrangeiros. Então, Moisés procura os seus, e Aarão dirigindo-lhes a palavra, tenta persuadi-los da necessidade de saírem daquele infamante cativeiro, buscando a terra da promissão, onde seriam felizes, abençoados pelo verdadeiro Deus.
Convencidos afinal com grande dificuldade, pois já se haviam habituado aos duros trabalhos e ao prazer da adoração dos falsos deuses, submetem-se ao grande legislador e, assim, em número extraordinário, que poderia formar um poderoso exército, saem os israelitas e Egito, guiados por Moisés que, aproveitando uma maré do equinócio (dia e noite tem a mesma duração), com eles atravessa o Mar Vermelho. Penetram no deserto, encontrando a cada passo tribos diferentes que lhes dão batalha. Moisés confiando sempre no seu Deus, no Deus de seus pais, aceita todos os combates e em todos é vencedor, até que chega à falda do Sinai.

Povo de ingratos!

Por mais de uma vez, durante essa penosa quão gloriosa jornada blasfemou a hora em que ouvira a voz do seu chefe e pedindo que este lhe mostrasse o Deus de que tantas vezes lhe falara tentar até apedrejá-lo, como impostor que o tinha tirado das terras do Egito, onde fruía os gozos condenados pela razão e pela moral.

Moisés sempre humilde, mas firme nas suas convicções, suplicava constantemente ao Senhor, procurando apaziguar os ânimos dos que o acompanhavam, ora pedindo os saborosos mananciais para desalterar lhes (acalmar) a sede, ora obtendo as codornizes para lhes saciar a fome, até que um dia, quando mais acesa a revolta parecia dominá-los a todos, deixa-os o grande israelita por momentos, e galgando as colinas que conduzem ao alto do Sinai, vai orar ao seu Criador, implorando-lhe a força, o robustecimento da fé, para levar por diante a sua jornada.
O povo, à distância, começa então a ouvir grande rumor na floresta; cruzam-se relâmpagos no espaço e, envolto em fluidos luminosos, destaca-se no alto do Sinai, joelhos postos em terra, o vulto majestoso de Moisés.

Deus, não, mas o mesmo espírito do monte Horéb dirige a palavra ao médium intuitivo e vidente, dando-lhe as instruções necessárias, para felicidade daquele povo. Ordena que ele grave em pedra os mandamentos da lei; - esse mandamento, meus filhinhos, tão sabiamente dados, que sendo dez, se resume em dois: - amor a Deus sobre todas as coisas e amor ao próximo como a si mesmo!
Mas, quem saberá amar a Deus? Quem compreenderá em todo o espírito esse resumo dos mandamentos da lei?

Hoje mesmo, bem poucos talvez, apesar do sangue derramado no Calvário, nas agonias da Cruz!
O amor a Deus, esse amor que pede a lei encontrareis, meus filhos, no grande patriarca Abraão, o chamado – Pai dos pobres.

Esse santo varão (homem respeitado), filho de Taré, nasceu em Ur, cidade da Caldeia onde viu a luz nas mesmas condições que o grande legislador, num meio vicioso de infiéis; mas, espírito em missão, desde a infância teve a intuição de um Deus Único e Verdadeiro, fugindo sempre ao culto aos ídolos. Era o seu maior prazer engolfar-se (tornar absorto) em muda contemplação da natureza, onde em tudo o que lhe feria o olhar, ele via resplandecer a imagem do Único e Verdadeiro Criador.

Para o grande patriarca, o maior enlevo (encantar-se), a mais doce alegria que lhe poderia inundar os seios da alma era sentar-se meditando, às horas do crepúsculo, à porta da sua tenda, no vale de Mambre, à espera dos peregrinos a quem desse pousada. E tão grande era a caridade daquele elevado espírito que esse lugar, por todos os que ali passavam, ficou denominado – o Seio de Abraão (ver na Bíblia Lucas 16:22)
Em uma dessas belas tardes, em que o bendito caçador de almas esperava os viandantes, três mancebos a ele se dirigiram, saudando-o.

Grande foi o contentamento do velho patriarca, em recebê-los. Chamando-os para a sua tenda, mandou que sua companheira preparasse o que de melhor houvesse para seu repasto da noite, oferecendo-lhe a água fresca da fonte cristalina.

E, sentando à mesa, em meio da palestra santificada, assim lhe fala um dos mancebos (homem muito moço): - Diz-me o coração, senhor, que dá vossa esposa ainda terá um filho.

Sara sua companheira, que oculta no fundo da tenda ouvia a conversa dos viandantes, sorriu de incredulidade, porque já era velha, muito em anos.

E, desse sorriso de mãe, meus filhos, nasceu Isaac, que veio ao mundo, com espanto de todas as 
gentes que habitavam aquelas terras – o que veremos no capitulo 3.


Cap. 2 do livro De Jesus para as crianças – Bittencourt Sampaio

veja mais:




A HISTÓRIA DO BEBÊ MOISES PARA CRIANÇAS



cap.1
Da noite o véu caliginoso (escuridão densa) e mesto (de aspecto sombrio) rasgara-se, ao embate dos primeiros raios de um sol esplêndido, cedendo lugar aos albores da clara madrugada.

Livre a terra do negro manto de sombras e tristezas, que traz, às almas boas, horas de meditação e de saudade, surgia no horizonte o rosiclér (de uma tonalidade rósea) da aurora, que , com a opulência dos seus encantos, vinha iluminar um dos quadros mais sublimes, mais tocantes que se tem realizado à face deste o planeta.

Nas frondes dos arvoredos, sacudindo as penas aljofradas (orvalho) pelos orvalhos da noite, alegres pássaros desferiam cânticos suaves, saltitando de ramo em ramo, até as copas das palmeiras, cujas hastes docemente balouçadas pelas auras suspirosas, dir-se-ia saudarem a princesa do Oriente.

Ao longe, cânticos ouviam-se, de extraordinária nostalgia, dos campeiros hebreus que, despertos pela luz da fresca madrugada, conduziam seus rebanhos aos ervaçais (aglomerado de ervas para pastagem) do monte, em busca de pastagem.

Manhã de sorrisos e de dores! Eterno contraste que desperta no coração do homem o sentimento do belo, a intuição do seu Deus e Criador!

Em uma colina, sob humilde palhoça, perante o esplendor da natureza que se lhe desdobrava aos olhos, ao despontar do dia, pobre mulher, transida da mais cruciante dor, aconchegava ao morno seio o fruto do seu amor, imprimindo-lhe nos róseos lábios os derradeiros beijos da despedida. A seu lado, partilhando da sua angústia, esposo e filha preparavam, davam a última demão (retoque final) ao esquife (pequena embarcação ou caixão de defunto) de uma criança.

- Tenham cuidado, dizia-lhes Jocabeth; tenham cuidado, não deixem o menor interstício (pequeno espaço), pois a água pode afoga-lo. – Busquem mais resina, se essa não lhes basta, betumem bem; o rio é manso, mas, quem sabe! Os seixos (pequeninas pedras)  podem despedaçá-lo!

- Não tenhas cuidado, mãe, responde-lhe a donzela – o esquife está perfeito; mas, não sei, senhora, quem me diz – será isto um esquife, ou antes um batel(pequeno barco) de salvamento, que leva meus irmão?

E Jocabeth, sorrindo tristemente, dizia à filha: - Não o creias; para a nossa raça não existe piedade; fomos condenados pelo Senhor, que tantas vezes tem baixado sobre a descendência de Abraão. É bem possível, diz-lhe, consolando-a, Amram (marido de Jocabeth), é bem possível que o nosso querido filhinho, levado pelas águas, longe de achar a morte, como julgas, vá encontrar a vida, como o espero!

Pronto o esquife, em meio de prantos e gemidos que só as mães compreendem, foi o inocentinho lançado às águas do Nilo, que serpeia por entre as montanhas da Líbia.

A irmã, porém, dessa criança, levada por seus sentimentos extraordinariamente bons, tocada pela influência do seu Anjo da Guarda, quis ver o curso do berço e, então, com essa curiosidade e graça tão próprios da infância e que constituem o seu maior encanto, caminhou, pisando a alfombra(gramado) que margeia o grande rio, olhos cravados no esquife que, abandonado à corrente, seguia o seu ignoto destino; e, comovida até às lágrimas, a si própria perguntava: - Qual o crime cometido pela nossa raça, para que mereça tão grande punição? E vós permitireis, Senhor, que o meu irmãozinho seja tragado pelas águas? Que rei tão mau é esse que fere assim as mães, matando-lhes os filhinhos?

Inocente criança, não compreendia ela ainda a lei soberana do egoísmo humano; vivendo como as flores, como os pássaros, não concebia que alguém fosse capaz de arrancar dos braços de uma pobre mãe o seu filhinho querido, para lança-lo à morte!

E, com o pensamento conturbado por negros cismares, caminhava sempre, até que, por entre a densa folhagem de frondoso bosque, divisou as damas da corte do grande senhor, as quais à margem da corrente faziam companhia à sua soberana, que ali vinha banhar-se.

Enquanto na humilde choça a triste mãe veria amargo pranto pelo filho estremecido, Termutis(filha de Ramsés II. Terceiro faraó da XIX dinastia egípcia que reinou entre aproximadamente 1279 a. C. e 1213 a. C.), a bela princesa, filha do Faraó, em toda a sua grandeza, ostentando magníficas pedrarias, descia majestosa às margens do Nilo onde, no banho higiênico, buscava refrigério ao seu corpo virginal. Confiando em suas damas, que velavam pelo seu recato, dispunha-se a banhar-se, quando, vendo uma cestinha que boiava à flor das águas, impelida docemente – curiosa de saber o que continha, ordena às damas, que a tragam, represando-a à margem da corrente.

Cumpridas as ordens, vê Termutis, com pasmo, que a cestinha de juncos(planta), betumada, conduzia formosa criança, tão bela como a aurora, que sobre os cabelos lhe espargia seus raios luminosos. Beijando-a comovida, diz às damas: - Com certeza é este inocentinho filho de hebreus, um condenado de meu pai! Tivesse eu aqui alguém para amamenta-lo e certamente o tomaria. É tão formoso!
Ilidia esse o nome da irmã de Moisés, que tudo ouvira, aproxima-se da princesa e, vencendo a timidez, anima-se a dizer-lhe: - conheço alguém, senhora, que pode amamentar essa criança, se isso for do vosso agrado. – Ao que, diz-lhe Termutis: - Vai busca-la e sem demora.

Ilidia corre ofegante de contentamento a levar a grata nova a Jocabeth e, como alucinada, penetra a palhoça, bradando: - Venha, minha mãe, venha amamentar meu irmãozinho, por ordem da princesa!
Jocabeth, sem compreender bem o que lhe dizem, sai e desalinho, seguindo a filha, cujos passos a conduzem junto a Termutis, de quem, ébria de gozo, recebe em seus braços o querido filhinho, que há pouco lhe fora arrebatado. E fingindo-se estranha à criança, dela se encarrega.
Triste condição de mãe que, para obedecer ao sátrapa(indivíduo muito poderoso e arbitrário), precisa até dizer que não é mãe!

Estreitando ao peito o querido tesouro, que perdido já julgara, volta à humilde palhoça onde devia crescer, desenvolvendo-se, o alto espírito do grande legislador hebreu.

Essas torturas, essas angústias por que passou Jocabeth, tinha certamente uma razão de ser; o egoísmo da raça egípcia não podia tolerar o desenvolvimento extraordinário da raça hebraica e, naqueles tempos, como ainda hoje neste século que está a findar, e que ironicamente se  apelida de século das luzes, predominava tão somente o desejo de conquista que estabelece a negra servidão do vencido ao vencedor!

A humanidade era uma palavra sem sentido, a justiça um mito, a força um direito, o próximo a próprio eu.

Mas, Deus, soberanamente Justo e Misericordioso, Deus, infinitamente Bom, Deus, Onipotente, entendeu, em sua alta sabedoria, fazer do próprio palácio do Faraó o abrigo daquele que mais tarde reivindicaria os direitos dos de sua raça e, abalando, com os prodígios de suas mediunidades, todos os recônditos do Egito, quiçá da Ásia, receberia no alto do Sinai, os Mandamentos da Lei de Deus, o que fará o assunto do próximo capítulo.

Cap. 1 do livro De Jesus para as crianças – Bittencourt Sampaio

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domingo, 28 de outubro de 2018

EDUCAÇÃO ESPÍRITA





“Quando a geração for educada nas crenças espíritas, ver-se-á outra juventude, mais estudiosa e menos turbulenta”, asseverou o  Codificador. (Revue Spirite de 1862, p. 267).



Mais de cento e cinquenta anos passados, esta afirmação de Kardec continua a fazer todo o sentido.
Importa, por isso, não perder a oportunidade de refletir  sobre as questões da educação das nossas crianças e jovens e sobre os contributos que a Doutrina Espírita poderá trazer à atual geração.

Consideremos, em primeiro lugar, algumas afirmações e conceitos com que nos deparamos nos tempos que correm, e que, para sermos francos, não difere muito do que se ouviu comentar noutros tempos sobre outras gerações de jovens. Por todo o lado, ouvimos que esta juventude está cada vez mais perdida; que os jovens só pensam nos seus prazeres, não querem estudar nem trabalhar; que já não é como antigamente, não respeitam nem teme ninguém; que o mundo caminha cada vez mais para o materialismo; que a falta de valores morais alastra de uma forma cada vez mais destrutiva...
Se fosse esse o nosso intuito, encheríamos páginas com considerações deste gênero. Mas, será realmente assim? Estará, efetivamente, a juventude a degradar-se? Os valores atuais estarão mais degradados, efetivamente, quando comparados com os do passado?

Se lançarmos um olhar atento sobre o passado histórico da Humanidade, talvez cheguemos à conclusão de que, se por um lado, a época atual oferece um sem número de avanços tecnológicos e científicos que nos proporcionam um bem-estar nunca antes alcançado, contribuindo,  de certa forma, para que o materialismo, ilusoriamente, pareça encerrar, por si só, solução para tudo, por outro lado, não podemos deixar de perceber o quão a Humanidade tem progredido no sentido moral, humanizando-se ao longo da longa caminhada desde os primórdios até à atualidade.
Nem poderia ser de outro modo.

Quem somos nós, os que por aqui andamos hoje? Quem são as nossas crianças e os nossos jovens? Seres acabados de sair da mãos do Criador? Certamente que não. O Espiritismo esclarece-nos que somos seres em evolução, em trânsito pela escola terrena, numa longa caminhada rumo à perfeição. A Humanidade de hoje é a Humanidade de ontem; será ainda a Humanidade do futuro. Os nossos filhos e alunos, a quem nos cabe educar e encaminhar para Deus, são, provavelmente, os nossos pais e professores de outras vidas, a quem já coube também a tarefa de nos educar a nós. Serão ainda os nossos companheiros de jornada, no futuro, em que seremos educandos e educadores, num intercâmbio de saberes e experiências, rumo à construção de um mundo melhor, em sintonia com as leis do Pai, que preveem a felicidade que apenas será plena, na medida em que trabalhemos para o bem-estar comum.

Perca/ ausência de valores? Não podemos esquecer que, dizem-nos os Espíritos, estão atualmente reencarnados no planeta irmãos a que está a se dada talvez, a última oportunidade de repensarem os seus valores, as suas atitudes, crescer espiritualmente em companhia de quem já conseguiu algum progresso nesse sentido.

Esses irmãos, para além de, se a isso se decidirem, colherem o benefício das lições que a vida atual faculta, serem também de instrumento para cultivar o amor, o perdão, a tolerância, a caridade, a todos os que estão, por assim dizer, um passinho à frente na caminhada.

Nas Leis Divinas nada se perde, tudo se encadeia; tudo está previsto para que todos possamos colher os maiores benefícios nesta jornada comum.

Neste contexto, não devemos estranhar a grande disparidade de valores com que hoje nos deparamos. É uma situação passageira, própria da época de separação do trigo do joio, anunciada pelo Mestre. Porque é disso que se trata, realmente.

Vivemos tempos cruciais, para a evolução não só individual, mas principalmente deste mundo de expiações e provas em vias de se tornar mundo de regeneração.

Quanto mais investirmos na educação da presente geração, mais estaremos  a contribuir para um mundo mais equilibrado, mais feliz, mais consciente, mais harmonizado com a Espiritualidade Superior.
Onde ir buscar a inspiração para tão grandiosa tarefa? Herculanos Pires, no seu livro Pedagogia Espírita, dá-nos a resposta: “O Livro dos Espíritos é um manual  de Educação Integral oferecido à Humanidade para a sua formação moral e espiritual na Escola da Terra.”

Retomando a afirmação de Allan Kardec, com que iniciamos esta reflexão, quando entendemos e interiorizarmos o seu tríplice aspecto (científico, filosófico e moral) , quando nos empenhamos em educar as crianças e os jovens de acordo com os princípios ali apresentados, e os vivenciarmos sem reservas, estará dado um grande passo na construção de um futuro que, não podemos deixar de lembrar, será o nosso, já que temos de colher o que hoje semeamos.

Quem somos, de onde vimos, para onde vamos, qual a finalidade de aqui estarmos, o que acontece quando a vida do corpo finda, que não estamos sós no Universo, que todo o efeito  tem uma causa e toda a sementeira terá obrigatoriamente uma colheita, tantas e tantas questões que sempre ocuparam e preocuparam a Humanidade, e a que as religiões e filosofias nunca souberam responder devidamente,  no Livro dos Espíritos são abordadas de uma forma simples e acessível a todos os que queiram estudar de espírito aberto e boa vontade.

Ao Livro dos Espíritos juntemos O Evangelho Segundo o Espiritismo, e teremos um valioso roteiro a iluminar-nos a caminhada.

Estudemos e pratiquemos porque a verdadeira educação só se faz pelo exemplo. E não esqueçamos que ninguém dá o que não tem.

Ninguém educa os outros se, antes de mais, não se educa a si mesmo.

por Maria de Lurdes Duarte

Fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano12/591/ca5.html
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