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terça-feira, 14 de maio de 2019

PESTALOZZI E A EDUCAÇÃO DO CORAÇÃO

Pestalozzi definiu a educação como sendo o desenvolvimento harmônico de todas as potencialidades do ser, considerando como elementos latentes básicos no interior da criatura humana a inteligência, o sentimento e a vontade.
Para ele, essa tríade, sintetizada em educar a cabeça, o coração e as mãos, ganhava uma amplitude incomensurável quando se cria a relação de Amor entre educadores e educando.

Johann Heinrich Pestalozzi, sem dúvida, foi o educador do Amor. A ele devemos o mérito indiscutível de estabelecer as linhas afetivas da educação em maior proporção que outros pedagogos, demonstrando na sua própria vivência a eficácia de conduzir o processo educacional em elos de afeto.

Assinalamos em suas palavras na "Carta de Stans"a grandeza de suas concepções, como segue:

"Minha meta principal direcionou-se, antes de mais nada, a tornar as crianças irmãs, cultivando os primeiros sentimentos da vida em comum e desenvolvendo suas primeiras faculdades nesse sentido. Com isso, minha intenção era fundir a casa no Espírito simples de uma grande comunidade familiar e, sobre a base de tal relacionamento e da predisposição por ele gerada, suscitar em todos um sentimento de justiça e moralidade.

Atingi meus objetivos com razoável sucesso. Em breve, viam-se setenta crianças mendigas, embrutecidas viverem juntas numa paz, num Amor, numa atenção recíproca e cordial que raramente se encontram entre irmãos de uma mesma família.

Minha ação, nessas circunstâncias, partia do seguinte princípio: procura em primeiro lugar fazer tuas crianças generosas. Pela satisfação diária de suas necessidades, impregnarás sua sensibilidade, sua experiência e sua ação de Amor e de caridade, que se estabelecerão e se consolidarão em seu íntimo. Depois, acostuma-as às práticas em que poderão exercitar e espalhar seguramente a benevolência em seu próprio círculo."

A grande conquista da educação, segundo o mestre suíço, é a autonomia do homem pela maturidade de suas potências morais, que já se encontram em gérmen em seu mundo íntimo ao nascer.
 As teorias modernas da psicologia têm demonstrado a importância essencial da emoção em todas as realizações humanas, confirmando por excelências  e pesquisas sérias que o homem é dotado de múltiplas inteligências, sendo que suas habilidades emocionais são as mais aptas a fazer-lhe feliz e bem sucedido.

A visão "Pestaloziana"de educar, além de precursora, é perfeitamente compatível com a meta maior do Espiritismo, ou seja, o melhoramento moral da humanidade, e educação integral do homem bio-sócio-psíquico-espiritual.

Kardec, como aluno da escola de Yverdon, fundade por Pestalizzi, foi notadamente influenciado pela didática da tríade conhecida mais tarde como "Princípio do Equilíbrio de Potencialidades", ou seja, mãos, corações e cabeça em harmonia. Nota-se em seu comentário na questão 917 de "O Livro dos Espíritos" o quanto essa cultura do emérito pensador suíço marcou sua formação quando diz:
 "A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar so caracteres, como se conhece a de manejar as inteligências, conseguir-se-á corrigi-los, do mesmo modo que se aprumam plantas novas. Essa arte, porém, exige muito tato, muita experiência e profundo observação".

Esse desenvolvimento harmônico implica fazer crescer o intelecto, o afeto e a ação, não sendo demais afirmar que a coerência entre pensar, sentir e fazer respondem pelo equilíbrio do ser integral.

Temos desenvolvido a razão, mas temos trabalhado o afeto? Temos disseminado conteúdos espíritas a mancheias, mas os temos contextualizado à vida?

Trabalhamos pela aquisição da fé racional, contudo, semelhante valor só será angariado na ética do "ser", ou seja. na vivência das "Virtudes Paternas"ínsitas em osso patrimônio sublime, prestes a descobrirmos pelas vias de evolução.

Trecho da "Carta de Stans"na qual é narrada a experiência vivida por esse educador incomparável. Em Stans, ele cuidou sozinho de 80 crianças órfãs da guerra civil deflagrada pela revolução Helvêtica. "Educação e Ética - Pestalozzi"- Dora Incontri - Ed Scipione.

cap do livro Laços de Afeto - Wanderley S de Oliveira - Espírito Ermance Dufaux




quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Da arte de ser pais sob a visão espírita




A vida educa. Mas a vida que educa não é uma questão de palavras, e sim, de ação. É atividade
. J. H. Pestalozzi

Ninguém duvida que a missão da paternidade e da maternidade é séria e envolve amor e compromisso, menos egoísmo e mais altruísmo.

A visão de que a criança é um ser reencarnado deve fortalecer afeto, empenho e responsabilidade por partes dos pais. Com bastante atenção, sobretudo no primeiro setênio, os pais podem identificar as tendências que a criança revela desde muito cedo, procurando sondar seus talentos, suas dificuldades, e para incentivar uns e corrigir respeitosamente os outros, sem uso de impaciência, negligência ou violência.

A criança é um Espírito antigo (é detentora de individualidade e possui herança própria) e também é psiquismo novo, que responde, de modo maleável, à influência direta dos pais e, por isso, a importância dos exemplos cotidianos. Pais presentes, amorosos, responsáveis, favorecem o desenvolvimento rico, alegre e saudável; pais ausentes, infantilizados, autoritários geram marcas dolorosas de ansiedade, medo, violência, insegurança – e que são os nítidos sinais de quem, sem disposição para ser pai ou mãe, agride e macera com seu egoísmo, seu desamor, a vida de alguém.

À medida que os Espíritos estão puros e inocentes durante a etapa da infância, e para que possam se reconstruir a partir da educação, os pais precisam se conhecer e se cuidar para receber um filho ou uma filha enxergando sua natureza única, que demanda neutralidade, perseverança e paciência no dia a dia. Pois educar dá trabalho, exige esforço amoroso por parte dos pais e que vai além de trocar fraldas ou, no tempo devido, matricular a criança em escolas para a hora da instrução e do início da vida social.

Antes de ter um filho seria maravilhoso se as pessoas se reservassem no mínimo um ano para se observarem profundamente, para praticarem introspecção e preparação – e para decidirem então, com honestidade, se estarão realmente disponíveis para acolher um ser humano que deverá, de novo, experimentar o estágio no planeta Terra a fim de se tornar mais pleno de coração, mente e mãos.

Por sermos humanos, cometemos erros. Porém, quando nos dispomos a ser pais, a fazer uso de um amor vidente, cientes de que o ser humano necessita dar conta da vida encarnada, pois quando morrer viverá como viveu na Terra, procuramos, com disposição resiliente, criar uma convivência familiar que valorize as aspirações do Espírito que aceitamos acolher e para ajudá-lo a alcançar, não as nossas expectativas, mas sim os seus reais propósitos evolutivos.  

Notinhas
Inovador na educação, Pestalozzi lançou as bases da educação moderna ao conceber um sistema de ensino prático e flexível, que procurava estimular as faculdades intelectuais e físicas da criança. Para ele, só o amor tinha força capaz de levar o ser humano à plena realização moral. É ele quem pondera, por exemplo, que os pais devem receber um filho com amor vidente e para ajudá-lo a alcançar sua autonomia para bem servir à vida. Segundo Pestalozzi, o processo educativo deveria englobar três dimensões humanas identificadas com a mente (intelectual), a mão(físico) e o coração (afetivo ou moral).

Herculano Pires, em sua Pedagogia Espírita, explica: “é preciso não esquecer que as crianças são Espíritos reencarnados, Espíritos adultos que se vestem, como ensina Kardec: ‘como roupagem da inocência’ para voltarem à Terra e iniciarem uma vida nova”.


Eugênia Pickina


Extraido http://www.oconsolador.com.br/ano12/585/cincomarias.html


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