imprimir

Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

AMOR

 

 

Um novo mandamento vos dou:  que vos amei uns aos outros. Jesus

 


 

Fala-se muito em amor atualmente, nas novelas, no cinema, em toda parte.

Filhos, neste mundo em que vivemos muita coisa, mas muita coisa mesmo tem-se feito em nome do amor. Muitas vezes estas coisas não são corretas; confunde-se muito a palavra AMOR. Sabem, houve uma época em que se faziam guerras “por amor a Jesus”. Muito sangue e muitas lágrimas foram derramadas “em nome de Deus”.

Meus filhos, Deus é amor. E o amor é uma coisa muito bonita, alegre e forte. Diz-se que é possível “matar por amor”. Que coisa feia, vocês não acham? Como pode alguém que ama de verdade, matar, destruir, ferir a pessoa que ela ama?!

Olhem, para vocês entenderem melhor, eu vou contar uma história.

Vocês gostam de histórias, não é mesmo? Pois bem, então ouçam.

Rita ficara órfã aos cinco anos de idade. Era uma menina magrinha miudinha. Não era muito bonita, mas era simpática. Tinha sempre um sorriso alegre para todos, e seus olhos refletiam uma alma boa e sincera, embora um pouco triste e sonhadora. Ela tinha ainda mais seis irmãos maiores do que ela; Rita era a caçula da família. Desde pequena aprendera a trabalhar e ajudar a irmã mais velha que cuidava da casa. Todos gostavam da Rita. De manhã arrumava a casa direitinho, enxugava a louça do almoço, e depois ia à escola. O grande sonho de Rita era ser médica. Mas, como pagar os estudos? A família era tão pobre! Com o tempo, como Rita era inteligente, conseguiu uma bolsa de estudos. Quando sobrava um tempo, ela fazia bordados, e com isso ganhava dinheiro para as despesas escolares, e ainda ajudava a família.

O pai, que se tornara um homem triste desde que a esposa falecera, sentia-se orgulhoso da Rita. Costumava dizer:

- Esta menina tem fibra, vai longe!

Assim trabalhando e estudando, Rita tornou-se uma moça delicada, querida por todos.

Através de uma entidade filantrópica conseguiu uma bolsa de estudos que lhe permitiu ingressar na faculdade de medicina.

Rita estudou e trabalhou muito. No último ano de estudos, Rita dava a todos muito amor, muito carinho. Gostava mesmo era de tratar dos velhinhos. Coitados! Estavam sempre tão tristes carentes de carinho! Pareciam crianças grandes!

Rita havia conhecido um moço, colega de faculdade, que se chamava Ronaldo. O moço era igualmente de origem humilde. ‘

Ronaldo era ambicioso, isto é, queira formar-se logo para ganhar dinheiro e ser rico. Costumava dizer à Rita:

- Sabe, eu quero ganhar muito dinheiro e ser rico logo, assim nós poderemos ter a nossa casa, um carro, para podermos passear, enfim, para podermos gozar os prazeres da vida!

Rita costumava olhá-lo preocupada e respondia:

- Ronaldo, o dinheiro não é tudo na vida de um casal. Para mim o mais importante é o amor. Só o amor constrói a felicidade!

- É, mas sem dinheiro, o amor acaba logo, meu bem! Quando o estômago está vazio, quando temos preocupações financeiras, tchau amor! Tchau amor!

- Ronaldo, não seja tão materialista assim! O verdadeiro amor é um sentimento do nosso espírito, da nossa alma, independente das coisas físicas!

- Ora, ora Rita, corta essa! Acorda mulher, você está sonhando demais criatura! Acorda, desperte para a realidade!

- Então, Ronaldo, você não me ama de verdade!

- É claro que sim! Ora essa, por que você acha que não?

- Porque você só gosta do meu físico, da minha aparência exterior, não da minha alma!

Ronaldo olhou-a surpreso e embaraçado.

- Ora... Eu gosto muito de você como você é assim charmosa, simpática, com este corpinho bem feito, saudável. Quanto a sua “alma”, nunca pensei nisto! Acho isto de “espírito”, “amor de almas”, uma coisa de há muito superada! Hoje, o que conta é aquilo que se vê, que se sente, o que é concreto, não as coisas ditas “espirituais” que são duvidosas e abstratas!

- Que horror, Ronaldo! Você é materialista, só crê nas coisas físicas, não espirituais?!

- sou realista, apenas isto! A ciência abre-nos os olhos para as coisas reais, palpáveis, verificáveis através de provas de experiências de laboratório! Você sabe disto tão bem quanto eu!

- Você vê as coisas por um lado, o material, o físico. Mas além do mundo das sensações físicas existe outro mundo, muito mais importante e real, o mundo espiritual, o mundo dos sentimentos e eternos. Bem entendido, quanto se trata de bons sentimentos, do amor. O amor não é apenas “sensação física”, mas sim, um sentimento que vem da nossa alma, do nosso espírito eterno e imortal!

Ronaldo sorriu, e dando o assunto por encerrado, abraçou-a dizendo:

- Chega de filosofia por hoje, tá?

Rita tratava com carinho e interesse os doentes que a procuravam, quer fossem ricos, que pobres. Para todos tinha uma palavra de carinho, de estímulo e interesse.

Ronaldo igualmente tratava bem a todos, mas aos ricos dispensava maior atenção e interesse.

O tempo foi passando, entre estudos, trabalho e sonhos.

Certa tarde de outono Rita encontrava-se como de costume, nas dependências do hospital-escola, atendendo velhinhos cheios de problemas reais e imaginários, quando uma colega entrou apressada na sala:

- Rita, Rita! Você já soube o que aconteceu com o Ronaldo?!

- Não! O que foi?! – responde ela, impressionada com a atitude alarmada da colega.

- Ele foi atropelado ao atravessar uma rua.  Um carro desgovernou-se, subiu na calçada e apanhou Ronaldo em cheio!

- E ele está muito ferido?! Pelo amor de Deus, responda! – exclamou Rita pálida e trêmula.

- Não sei. Acabou de dar entrada lá embaixo! Levaram-no diretamente para a sala de cirurgia!

- Meu Deus! – exclamou Rita e abandonando às pressas a sala, deixando atônito e preocupado o velhinho que estivera consultando, dirigiu-se à sala de cirurgia. Lá chegando, encontrou Ronaldo já sob efeito de anestesia, prestes a ser operado. Consultou o médico, e este opinou:

-Sossegue Ronaldo não corre perigo de morte. Todavia...

- Todavia o que?!

- ficará paralítico. Faremos o possível, mas... Infelizmente ele não vai mais poder se locomover. Vamos operar a fratura exposta na perna, porém, a coluna vertebral foi seriamente atingida, e esta não tem jeito nem conserto!

- Mas, viverá?!

- Oh sim, quanto a isto nada há a temer!  Ele é jovem e vigoroso, e logo se recuperará!

Mais aliviada, Rita assistiu a cirurgia até o final. Tudo transcorreu normalmente, e Ronaldo foi levado ao quarto. Após alguns dias, foi se recuperando pouco a pouco. A noiva cercava-o de todo carinho e atenção. Nada mudara em sua atitude para com o rapaz.

Entretanto, Ronaldo tornou-se triste e desanimado. Através dos conhecimentos médicos que possuía, ao inteirar-se de sua situação clínica, compreendeu imediatamente sua situação futura de paraplégico. E isto o enchia de uma angústia, de um desespero e revolta sem fim. Vivia amargurado. Mesmo recebendo todo o amor e carinho da Rita, nunca sorria, mas uma eterna sombra de melancolia e tristeza cobria-lhe o rosto.

Certo dia, quando Rita lhe segurava carinhosamente as mãos, retirou-as encarando-a com um olhar gelado e disse:

- Rita precisa dizer-lhe algo muito importante: nosso noivado está desfeito! Você está livre para procurar outro companheiro que a faça plenamente feliz, e que realize todos os seus sonhos de mulher. Eu já não os posso realizar, estou paralítico!

Surpresa, Rita respondeu:

- Você duvida do meu amor, não é isto?

- Não, Rita, não torne as coisas mais difíceis para mim! Que futuro eu poderia dar-lhe, que prazer lhe proporcionaria, como paralítico? Você certamente não quererá prender-se por toda a vida a um prisioneiro de cadeira de rodas, não é?!

- Ronaldo, você se lembra daquela nossa conversa “filosófica” sobre o amor? Lembra-se, você achava que o amor era apenas físico, um atributo do nosso corpo, e não da nossa alma?

Ronaldo emudeceu, assentindo com a cabeça.

- Pois bem, aqui está uma oportunidade para você pensar mais profundamente no problema! Quero dizer-lhe uma coisa, igualmente importante quando o amor é mesmo AMOR de verdade, sabe superar todas as dificuldades que surgem. A verdadeira felicidade, meu querido, está na comunhão espiritual das pessoas. O verdadeiro amor é de alma para alma, de coração para coração. Eu te amo muito, muito mesmo! Sua atitude, querendo dissolver o compromisso assumido é uma atitude nobre, a verdadeira felicidade e amor. Hoje em dia a ciência moderna já tem provas irrefutáveis da existência da alma, e mesmo os mais materialistas, como os russos, já se curvam ante a evidência dos fatos. Nós somos ESPÍRITOS, almas imortais, meu querido, e o amor é um atributo dele. Não vou me separar de você, jamais! O aceito assim como você está, se você assim concordar!

Surpreso e emocionado, Ronaldo começou a chorar.

_ Oh Rita, Rita! No íntimo eu não queria perder você! Foi muito duro para eu tomar a decisão que tomei!

- Eu sei! Tenha a certeza de que nada mudou entre nós!

- Você tem mesmo certeza de que me aceita tal qual estou?!

- Plena!

Ronaldo e Rita casaram-se. Ronaldo modificou sua atitude; tornou-se um moço alegre, bondoso e humano.

O casal de médicos era muito querido por toda a grande clientela, pois todos eram tratados com muito amor e carinho.

Ronaldo aprendera a lição; o amor não é um atributo físico do nosso corpo, mas sim do nosso espírito. Trocando energias espirituais de amor, ambos nutriam-se e amparavam-se mutualmente, vivendo uma vida cheia de felicidade e ternura.

 

FILHOS: A MAIORIA confunde AMOR com paixão, desejo egoístico de possuir a pessoa que diz amar. Por isto mesmo costumam dizer MEU marido, MINHA mulher, achando que o companheiro ou a companheira lhes pertence exclusivamente. Ninguém pertence a ninguém; todos somos livres e temos o livre-arbítrio para sermos COMPANHEIROS, irmãos e amigos uns dos outros. Por isto já o apostolo Paulo dizia em sua carta: “o amor não é violento, é manso, tudo compreende, tudo suporta”.

A maioria das uniões trata-se de pessoas que foram unidas para “um acerto de contas”, pessoas com problemas de encarnações anteriores, que o infinito amor de Deus permitiu que se unissem, para “passar uma borracha nos erros do passado”, transformando desacertos e ódios em amor.

Seguindo a norma ensinada por Jesus: “amai-vos uns aos outros” nos tornaremos pessoas verdadeiramente felizes, e modificaremos este mundo de sofrimento e incompreensões no qual vivemos num mundo de felicidade e paz verdadeira.

Só o amor verdadeiro, que brota de nossas almas, torna o homem verdadeiramente “Homem” e plenamente realizado. Isto Jesus não apenas nos ensinou com palavras, mas com o exemplo, amando a todos durante toda a sua vida, até a morte na cruz, quando perdoou seus algozes porque “não sabiam o que estavam fazendo”.

 

 Livro Cartilha da Sabedora – Wilma Stein pelo espírito Vovô Sabino.

 

 

domingo, 12 de janeiro de 2020

A CURA DOS DOENTES

- Angel, vou lhe contar uma história.

Agora preste muita atenção:

Paulinho, menino pobre e cego, estava escrevendo uma linda canção...

Ele gostava muito de cantar, só que ninguém o queria ouvir...

Os amigos riam por ele ser cego, e os familiares queriam dormir...

Todos na casa trabalhavam, mas Paulinho nada podia fazer...

Um dia, alguém lhe estendeu a mão, dizendo que um trabalho iria aparecer...

O menino sentiu-se inseguro e assustado, pois sempre se achava incapaz...

Mas resolveu aceitar a oportunidade e foi para lá "ver"o que o cego faz...

Resolveram parar em uma praça, e ali mesmo começou a cantar.

Os pedestres gostavam e aplaudiam...

Sua música era bálsamo para  a alma acalmar...

Assim foi, por longo período, e o sucesso começou a aumentar...

Até que um convite surgiu para, em casa, cantar...

O amigo era "bom negociante", e o cachê se prontificou a calcular...

Mas Paulinho reclamou de imediato:

- Nada disso..., não quero nada cobrar!...

- Como não vai cobrar, amigo?!...

Você não queria sair para trabalhar?

- Sim, e ainda continuo querendo, mas não desta forma... Eu quero é ajudar!...

Amigo, eu gosto de trabalhar sim, porém alegrando os necessitados!...

Sou pobre, cego e nada tenho, mas sei que posso ajudar os desamparados...

Agora, vamos procurar um orfanato, para as crianças poder alegrar, pois o único bem que ora possuo, é a minha voz, para falar e cantar!...

Lá chegando com o seu amigo, os pequeninos correram para recebê-lo.

Paulinho abraçou-os, satisfeito, e ficou feliz, mesmo sem "vê-los"...

Cantou várias e várias canções..., e as crianças não pararam de cantar.

Saiu de lá com promessa de voltar, para o orfanato poder alegrar...

A família, em casam quando soube, começou logo a criticar...

Disse que isso não era emprego, porque ele nada iria ganhar.

- Mas não estou procurando emprego: quero é o meu trabalho doar..., e isso é o melhor para mim, pois muito carinho posso ganhar...

A família não se conformava..., e  com Paulinho não parava de reclamar...

E nisso se passaram dois anos...

O sucesso com as crianças só fez aumentar...

Até que um dia recebeu uma boa notícia: foi convidado pelo Diretor do orfanato, o qual queria muito conhecer quem era aquele cantor, de fato.

O dirigente estava curioso com o homem que mudou, das crianças, o comportamento, pois todas estavam mais calmas e obedientes, falando de amor a todo momento...

Quando o Diretor lhe foi apresentado, ficou surpreso com sua cegueira.., e com Paulinho tanto se encantou, que quis ajudá-lo de toda maneira...

Conhecia um médico que poderia tratá-lo, e todos os exames foi logo realizar.

Assim, a cirurgia foi indicada para o menino a visão recuperar.

Parecia um sonho para Paulinho, mas era, sim, pura realidade...

A torcida dos pequenos foi tão grande, em agradecimento à sua bondade!...

A cirurgia foi um sucesso, e Paulinho começou  a enxergar!..

Conheceu seus amiguinhos, e agradeceu por poder cantar!...

A ajuda do Diretor não parou por aí..., pois procurou um amigo-irmão, para suas músicas gravar, e ser esse o seu "ganha-pão'...

Paulinho aproveitou aquela chance de músicas poder gravar.

Convidou os pequeninos do orfanato para, com ele, do disco participar...

Foi um grande lançamento, um sucesso, que todos puderam apreciar.

E a família, que nunca deu apoio, apareceu para dinheiro reivindicar...

Paulinho, de coração bem grande, a toda família ajudou.

Mas a maior fortuna conquistada foi os pequeninos amigos que ganhou!...

- Entendeu a moral da história, Angel?

- Sim, Tio antônio, gostei muito!...

Mas, tio, o Paulinho nasceu cego, e uma cirurgia foi necessária fazer...

Como fica o seu perispírito, se, na fôrma, a visão não era para acontecer?

- Angel, na obra do Pai tudo sofre transformação, e, até mesmo, ao longo de nossa vida material!...

Ao mudarmos nosso comportamento moral, mudamos, também, o corpo perispiritual...

Ele nasceu cego para seus defeitos expurgar, mas, resignado, a todos só fez amar!...

Assim, sem revolta, teve merecimentos: não sofreu com a cegueira, e a visão pôde curar!

-Angel, aprendemos nesta história de um cego, que pela prova passou, que é preciso resignação para a vitória, o que Paulinho, com o amor, conquistou.

A cegueira era a sua prova..., e a expiação era sua opção.

Ninguém sofre, se não quiser...

Basta usar amor e resignação!

- Entendi, tio! Na Lei de Causa e Efeito, para haver prova sem dor, são necessárias, de quem sofre, atitudes de fé, paciência e amor!...

- Muito bem, Angel! Fico feliz por vocês, pelo que - do perispírito - aprenderam!

Mas temos outras histórias para contar àqueles que ainda não o entenderam!...

Hoje, vamos a um lugar diferente, que serve para o corpo físico curar...

Veremos como existem tantos sofredores, que não sabem como dele cuidar...

Extraído do livro Perispírito em Histórias I - Delma Gonçalves - pelos espíritos de Tio Antônio e Angelina


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

A LIÇÃO DAS CRIANÇAS



“E lhe trouxeram crianças para que as tocasse; os discípulos, porém, as repreendiam. Vendo isto, Jesus zangou-se e disse-lhes. “Deixai virem a mim as crianças, não o proibais, porque destas é o reino de Deus”. Em verdade vos digo quem não receber reino de Deus como uma criança, de modo algum entrará nele”. E abraçando-as, as abençoava, pondo as mãos sobre elas. ( Marcos 10: 13-16)”.


Esta passagem de Jesus nos faz refletir sobre as lições que podemos apreender da infância. Mesmo reconhecendo na criança um Espírito já vivido, com experiências e uma história de vida, a infância propicia uma oportunidade valiosa para o Espírito. Kardec nos esclarece: “Pode-se assim dize que, nos primeiros anos, o Espírito é realmente criança, pois as ideias que formam o fundo do seu caráter estão ainda adormecidas. Durante o tempo em que os instintos permanecem latentes ela é mais dócil, e por isso mesmo mais acessível às impressões que podem modificar a sua natureza e fazê-la progredir, o que facilita a tarefa dos pais. O Espírito reveste, pois por algum tempo, a roupagem da inocência. E Jesus está com a verdade, quando apesar da anterioridade da alma, toma a criança como símbolo da pureza e da simplicidade”. (1) E á daí podemos tirar a nossa lição.

Carlos Torres Pastorino, em sua obra Sabedoria do Evangelho (2). Destrinchando o ensino de Jesus, nos mostra o quanto temos a aprender com as crianças. Ele nos diz:

“De uma forma ou de outra, é indispensável possuir certas qualidades, para que se alcance o reino dos céus. Sem pretender enumerar todas, poderemos citar, como próprio das crianças em tenra idade, as seguintes qualidades”:

1 – a HUMILDADE, que está sempre disposta a reconhecer sua incapacidade e a esforçar-se por aprender, sem pretender ser nem mais que o instrutor; e essa qualidade é básica na infância, que aceita o que se lhe ensina com humildade e fé;

2 – o AMOR, que se prontifica sempre a perdoar e esquecer as ofensas. A criança pode brigar a sopapos e pontapés, e sair apanhando, mas na primeira ocasião vai novamente brincar com quem a maltratou, esquecendo-se totalmente do que houve;

3 – a ÂNSIA DE SABER, coisa que as crianças possuem até chegar; por vezes, a ponto de exasperar os mais velhos com suas perguntas constantes, embaraçosas e indiscretas, jamais se dando por integralmente satisfeitas;

4 – a PERSEVERANÇA que, quando quer uma coisa, não desiste, mas usa de todas as artimanhas até conseguí-la, com incrível persistência e teimosia, obtendo o que quer, às vezes, pelo cansaço que causa aos adultos;

5 – a INOCÊNCIA, sem qualquer malícia, diante de quaisquer cenas e situações; para as crianças tudo é “natural” e limpo, mormente se são educadas sem mistérios nem segredos, pois a maldade ainda não viciou suas almas;

6 – a SIMPLICIDADE, tudo fazendo sem calcular “o que dirão os outros”, sem ter preconceitos nem procurar esconder qualquer gesto ou ato, mesmo àqueles que os adultos hipocritamente classificam com “vergonhosos”;

7 – a DOCILIDADE de deixar-se guiar, confiantemente, pelos mais idosos, sem indagar sequer “aonde vão”. Não podem imaginar traições nem, enganos, porque eles mesmos são incapazes de fazê-lo, e julgam os outros por si.

Se tivermos essa conduta, simples e natural, como a criança (isto é, sem forçar), estará com as qualidades necessárias para poder “receber” estado de consciência superior que traz à alma a paz que Cristo dá e a felicidade plena do Espírito.

Se deixássemos nosso coração falar mais alto. Quantas vezes nos emocionamos ao olhar para uma criança aprendendo suas primeiras letras... Quantas vezes sorrimos ao escutar perguntas tão absurdas, do ponto de vista adulto, mas tão comuns vindas das crianças. Quantas vezes sentimos nossa imensa responsabilidade ao segurarmos a mão de uma criança que prontamente nos segue, confiando plenamente em nós...

Com a nossa vaidade e orgulho, sempre pensamos estar do nosso lado à sabedoria e a possibilidade de ensinar, nunca pensamos em trocar de posição, buscando aprender e crescer a partir dessa relação com a criança. Que possamos pensar e refletir, e que cada item levantado pro Pastorino seja uma possibilidade de treino e um exercício em direção ao nosso crescimento.

Marlene Fagundes Carvalho Gonçalves de Ribeirão Preto, SP.
 
(1)   Kardec, A; O Evangelho Segundo o Espiritismo, LAKE. CapVIII, itens 1-4
(2)   PASTORINO, C T; Sabedoria do Evangelho, Vol. 6, RJ, Sabedoria, 1969, p. 101-104. (Jornal Verdade e Luz N 170 de Março de 2000)




terça-feira, 1 de agosto de 2017

A Nova Geração


A época atual é de transição; confundem-se os elementos das duas gerações. Colocados no ponto intermédio, assistimos à partida de uma e à chegada da outra, já se assinalando cada uma, no mundo, pelos caracteres que lhes são peculiares.1
Allan Kardec

 No atual momento de regeneração da Humanidade, conforme afirma Allan Kardec, e confirma a Espiritualidade superior a respeito da transição planetária pela qual passa o orbe terrestre, deixando de ser um planeta de provas e expiações e transformando-se, gradualmente, em mundo de regeneração, assistimos à chegada de uma nova geração de Espíritos que se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior.1

São essas crianças, inteligentes, inquietas, criativas, questionadoras, que adentram os nossos lares, nossas escolas e nossas casas espíritas, atendendo ao chamado da construção do mundo novo.

Enquanto trazem esses claros sinais de adiantamento anterior, se deparam com o reino dominante das paixões materialistas que caracterizam o estágio atual do planeta. Possível é imaginarmos o conflito capaz de surgir a esses Espíritos reencarnados, com sentimento inato do bem, ao se defrontarem com um mundo de violência crescente, de desigualdades sociais, de conflitos familiares, frutos do orgulho e do egoísmo que ainda encontram guarida no coração humano.

Para que possam cumprir os objetivos reencarnatórios, visando seu aprimoramento moral e da Humanidade, necessário se faz que aqueles que estão incumbidos de os receberem, nas fases iniciais da infância, estejam preparados para lhes dar a educação adequada que lhes permita enfrentar, da melhor forma possível, essa dualidade entre a nova e a velha geração, assim como os desafios que, certamente, encontrarão para a construção do mundo novo.

Notadamente, há de se observar aqui a educação, aquela que consiste na arte de formar caracteres, a que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos.2

Nesse sentido, é de extrema relevância o papel desempenhado por pais e educadores na formação desses Espíritos, na fase infantil, onde é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento. (q. 383)

Os pais e a família
Inegável a responsabilidade dos pais na condução dos Espíritos que lhes chegam aos braços, ainda mais quando observadas as considerações a respeito dessa nova geração de Espíritos que aporta ao orbe terrestre com o intuito de auxiliar no processo de transformação moral da Humanidade.

Assim, grande esforço devem despender pais, mães e responsáveis, no objetivo de se transformarem no exemplo salutar a ser observado pelas crianças dentro e fora do lar. Exemplo de conduta moral, de retidão, de honestidade, de esforço em domarem suas más inclinações e em superarem suas limitações, enquanto Espíritos em processo evolutivo. Exemplo na busca da vivência de valores morais, onde devem predominar o diálogo e o afeto, onde o autoritarismo cede lugar ao respeito pela autoridade moral, onde o sim e o não são usados com firmeza e com amorosidade, de forma a aprovar e a dar limites, sempre que necessário.

Para essa geração, nova conduta se espera da família. Família que, conforme afirma o Espírito Joanna de Ângelis é a escola de bênçãos onde se aprendem os deveres fundamentais para uma vida feliz e sem cujo apoio fenecem os ideais, desfalecem as aspirações, emurchecem as resistências morais. 3

Em outras palavras, o solo onde foi lançada a semente e cuja qualidade permitirá ou não o seu pleno desenvolvimento para a floração futura.

O Centro Espírita
Igualmente, reconhecendo a ação evangelizadora espírita como recurso fundamental para a formação de homens de bem, tem o Centro Espírita a responsabilidade de empreender todos os esforços possíveis, visando angariar espaços e recursos adequados para a promoção da integração da criança consigo mesma, com o próximo e com Deus4, objetivo maior da evangelização espírita infantojuvenil, conforme preconizado pela Federação Espírita Brasileira.

Referimo-nos à importância atribuída às atividades de evangelização infantil dentro do centro espírita, como também aos recursos materiais (espaços físicos para as atividades e materiais adequados para o seu desenvolvimento) mas, principalmente, nos esforços para a formação de evangelizadores capacitados a atender às necessidades das crianças reconhecendo-as como Espíritos imortais ativos no caminho do autoaperfeiçoamento5, sendo responsáveis diretos na escolha de estratégias metodológicas adequadas e atrativas que promoverão a construção de espaços educativos prazerosos de crescimento e convivência, aprendizado e vivência cristã. 5

Quando você ensina, transmite. Quando você educa, disciplina. Mas quando evangeliza, salva.6

Referências bibliográficas:
1. KARDEC, Allan. A gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 1. ed. esp. Rio de Janeiro: FEB, 2005b. cap. XVIII, item 28.
2. ________. O livro dos espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 84. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Comentários à questão 685ª.
3. FRANCO, Divaldo Pereira. Constelação familiar.  Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 3. ed. Salvador: LEAL, 2012. cap. 2.
4. FEB/CFN. Orientação ao Centro Espírita. Rio de Janeiro: FEB, 2007. cap. 6, it. 3, objetivos “a” e “d”.
5. ________. Orientação para a ação evangelizadora espírita da infância: subsídios e diretrizes. Brasília: FEB, 2016. pt. 1, cap. 2, it. 2.1.
6.FRANCO, Divaldo Pereira. Sementeira da fraternidade. Por diversos Espíritos. 6. ed. Salvador, 2008. cap. 26.

fonte http://www.mundoespirita.com.br/?materia=a-geracao-nova

Leia mais (no blog Material do Esudante Espírita):Nova Geração segundo Allan Kardec 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O Encontro Inesperado

 
No tempo em que Jesus andava pelo mundo, um homem desejava muito seguir o profeta que diziam ser aquele que viera para salvar os judeus do jugo dos romanos, seus conquistadores e tiranos. 
 
Assim, quando Josué ouvia que o Rabi estava em algum lugar ali perto, corria a encontrá-lo com a esperança de vê-lo. Mas ao chegar tinha a informação de que o Profeta ali já não estava. E desse modo prosseguia Josué sem conseguir encontrá-Lo.
 
Certo dia, desanimado, sentou-se pensativo, num tronco à sombra de uma árvore. Por que razão só ele não conseguia ver o Profeta, encontrar-se com Ele? Sentia falta de amor, desejava que seu coração se enchesse de afeto; no entanto, ele mesmo não amava ninguém. E Josué prosseguia falando consigo mesmo: “Nunca tive o amor de uma família. Desde pequeno fui criado por uma bondosa mulher que me acolheu em seu lar após a morte de meus pais. Cresci sentindo um grande vazio no coração. E, por isso, queria ver o Rabi, pois me disseram que todas as dores, todas as angústias, encontravam nele o remédio perfeito”.
 
Nesse momento, deixando que lágrimas amargas brotassem de seus olhos, viu chegar um homem. Sua presença o encantou. Era alto; deveria ter caminhado bastante, pois suas sandálias estavam sujas do pó das estradas; vestia-se simplesmente com uma túnica clara e seus gestos eram delicados; os cabelos, repartidos à nazarena, caíam sobre seus ombros e em seu belo semblante havia uma terna tristeza. 
 
Ao fitar aqueles olhos, Josué sentiu-se atraído pelo desconhecido, cuja presença o enchia de paz. Sem conseguir falar, Josué fez um gesto para que ele se sentasse a seu lado. O homem acomodou-se, depois perguntou:
 
— Por que está aqui, Josué?
 
Aquela voz mexeu com Josué, como se acalmasse seu íntimo.
 
— Procuro o Profeta, senhor — respondeu ele, encantado com aquela presença. 
 
— E por que está a procurá-lo? — voltou a indagar o desconhecido.
 
Josué respirou fundo e respondeu, como se nada pudesse ser oculto, contando-lhe como fora sua vida, a falta de amor, a esperança de encontrar alguém que o amasse.
 
O desconhecido fitou-o longamente, depois considerou:
 
— Josué, a esperança não é uma palavra vazia e nem representa falta de atividade. É trabalho interior constante e que exige um objetivo claro e contínuo para atingir a meta que buscamos. 
 
— Eu sei, meu Senhor, e creio que tenho tido a paciência necessária para atingir o que desejo. 
 
Ouvindo essas palavras, o desconhecido tornou:
 
— Mas paciência, Josué, representa firmeza pacífica em conseguir o que almejamos. Assim, se você quer realmente alcançar seus objetivos, trabalhe incansavelmente mantendo a luz do amor acima de tudo o mais; devote-se ao próximo e será abençoado. 
 
— Senhor, no entanto, preciso de amor; sinto falta do carinho de uma família, de amigos... 
 
E o desconhecido prosseguiu, com entonação de voz inesquecível:
 
— E o que tem feito até agora para conseguir esse amor?
 
— Tenho percorrido as estradas a ver se encontro alguém que possa me amar.
 
Então, o celeste desconhecido lhe respondeu:
— Enquanto não aprender a doar amor, nada receberá de retorno. É da Lei Divina. Doe-se aos necessitados do caminho e conseguirá o que deseja. Aprende com a água cristalina que jorra e dessedenta os viajores, sem jamais cobrar por sua generosidade. A sombra da noite é vencida pelo dia que traz a Luz. 
 
Assim também devemos agir. Aproveita todos os momentos como bênçãos enviadas por Deus para o progresso das criaturas. 
 
— Sim, Senhor. Farei como diz. Mas, quem é você, que fala com sabedoria e cuja voz produz grande bem-estar e desejo de segui-lo sempre, não o deixando jamais? 
 
O desconhecido ergueu-se e, antes de se afastar, murmurou:
 
— Eu sou Jesus!...
 
Ouvindo-lhe o nome, Josué ficou parado, sem conseguir mover-se. Quando se deu conta de que estava perdendo a oportunidade da sua vida, ele correu para alcançar o Mestre, mas não O encontrou mais.
Então, refletindo em tudo que ouvira da boca de Jesus, Josué entendeu que precisava modificar-se, tornando-se alguém digno de seguir ao encontro do Profeta de Nazaré.
 
A partir desse dia, por onde passasse, Josué aproveitava para trabalhar com amor, sem perder oportunidade de falar com as pessoas, ajudá-las e socorrê-las, certo de que era isso que o tornaria digno de, algum dia, ser um seguidor de Jesus de Nazaré. 
 
MEIMEI
(Mensagem recebida por Célia X. de Camargo, em 20/10/2014.)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...