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sábado, 13 de setembro de 2025

A infância no mundo real por Eugênia Pickina


 

Sou hoje um caçador de achadouros da infância. Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos. Manoel de Barros



 A infância é marcada por brincadeiras.Brincar é, sem dúvida, o verbo que dá significado à essência da criança.

Brincando, as crianças aprendem regras, valores, revelam suas vontades e necessidades, investigam, exploram, superam desafios, fortalecem curiosidade e criatividade. Conhecem o mundo, as coisas, misturando imaginação e realidade.

Os pais ao priorizarem uma vida focada no brincar, portanto uma infância fora das telas, incentivam não apenas o desenvolvimento cognitivo, mas também a saúde emocional e psicológica dos seus filhos.

A brincadeira é uma necessidade fundamental para o desenvolvimento infantil. Os pais, em casa, necessitam criar, então, e nesse propósito, ambientes seguros e que estimulem a brincadeira livre estruturada.

Em um mundo onde as agendas infantis estão cada vez mais tomadas por atividades (estruturadas e acadêmicas), é essencial assegurar que as crianças tenham tempo suficiente para brincar livremente e, portanto, desembaraçadas das telas.

A infância dura 12 anos. Para um crescimento saudável, nesse período, nossos filhos não precisam do celular – que é o instrumento mais tóxico para quem é criança. Nossos filhos pequenos podem, e com supervisão, ver V, jogar. Mas, se precisarem de telefone para se comunicar, o indicativo é um sem internet.

N contramão das telas, nossas crianças, para crescerem com saúde, vitalidade, resiliência, dependem da luz do dia, do movimento, das brincadeiras, ou seja, de uma infância no mundo real...

Notinhas

Você não deixaria seu filho de 8 anos três horas sozinho no shopping, não é? Pois bem, autorizar uma criança a passar tempo sozinha na tela é como deixa-la abandonada, suscetível a qualquer coisa indevida que possa aparecer. Infância é uma fase da vida onde as pessoas e o brincar devem ser priorizados, mas sempre longe das telas.

 Eugênia Pickina

Fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano19/940/cincomarias.html

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Ressonâncias e Reverberações


 Todos os nossos gestos, todos os nossos atos, todas as nossas palavras, todas as nossas intenções ressoam e reverberam.

...Mas se estiver sentado ou sentada, no seu quarto, na sua casa, e pensar com muita vontade uma coisa, esse pensamento também ressoa e pode atingir alguém em cheio. 


 "Ressoar" é como eu chamo quando nossos gestos, atos, palavras e intenções se espalham na naturalidade do meio sensível e plástico, invisível aos olhos da matéria, onde todos, Espíritos e encarnados, vivemos. Os mínimos pensamentos ressoam, porque este meio é muito sensível, e podem ir loooonge...


“Reverberar" é como eu chamo quando esses gestos, atos, palavras e intenções ressoam dentro dos corações e mentes das outras pessoas, que as multiplicam e fazem continuar ressoando.


Um sorriso e um xingamento ressoam e reverberam, como um bilhete pregado na porta de geladeira, como um e-mail disparado para uma lista. Você pode iniciar um grande movimento social e criar palavras de ordem, atingir muita gente. Mas se estiver sentado ou sentada, no seu quarto, na sua casa, e pensar com muita vontade uma coisa, esse pensamento também ressoa e pode atingir alguém em cheio.


Mas é preciso entender que um gesto, ato, pensamento ou intenção só vão reverberar no meio propício, porque as ondas de ressonância só se espalham onde encontram semelhança, e não vibram em meio distinto. Onde não têm ressonância, seu impacto se parece com um baque seco, que não vibra.


Então, quando você pensa, quer ou faz alguma coisa, o meio em redor pode ser mais ou menos atingido, essa ressonância poderá ir mais perto ou mais longe, durar menos tempo ou mais tempo – ou pode nem acontecer!

O mesmo ocorre com uma pessoa, ela pode ser profundamente impressionada pelo que você diz ou faz, se ela estiver extremamente receptiva a você. Ou pode passar alheia a esta impressão. Dependendo da força da impressão, de sua personalidade e valores, ela pode até ficar profundamente tocada por pensamentos e sentimentos novos que ela irá expandir se tornando um foco de reverberação.


A receptividade dela, por sua vez, tem a ver com o campo das intenções e pensamentos dela, que se reforça nos gestos e palavras dela e reverbera os seus que ela tiver acolhido.



Depois de explicar tudo isso, eu preciso falar da impressionabilidade das crianças, que é muito maior que a dos adultos. 

E elas são assim porque suas resistências emocionais e racionais estão adormecidas, sua vontade está limitada, suas intenções ainda são imaturas, seus gestos e atos ainda não provêm de um pleno arbítrio. 

Ela fica em ligação direta com as vibrações da mãe desde a barriga, uma ligação muito forte que pode se estender ao pai, se o pai também está ligado no processo, mas que reflete a ausência dele, quando ele fica distante, desinteressado.


Enquanto for criança, a sensibilidade está superdesenvolvida. Essa sensibilidade é especialmente permeável aos gestos, atos, pensamentos e intenções dos pais, ou das pessoas que ela assumiu como pai e mãe, porque a família existe para colocar os mais novos sob a autoridade dos mais velhos, os filhos no campo de atuação dos pais, e faz isto pelo bem da renovação dos propósitos espirituais, que ocorre a cada nova existência. Para as crianças, é uma oportunidade inigualável de se refazer. Para os pais, a de permitir um rumo bonito pra aquela encarnação.


Afinal, reencarnar é ganhar uma chance nova, e uma chance só é nova se você abrir mão de velhos equívocos para encarar novas possibilidades, novas relações, novas atitudes. 

A reencarnação é via de progresso porque nela você pode abrir mão de tudo o que fez sofrer no passado, pra ser uma criatura diferente e, assim, criar um novo você.

Para esta construção, os pais e o meio terão enorme influência.


O adulto que aprende isso nunca desprezará o grande poder que seus gestos, atos, palavras e intenções têm sobre as crianças.

Calunga -


domingo, 18 de agosto de 2019

A INFÂNCIA


Comunicação espontânea do Sr. Nélo, médium, lida na Sociedade em 14 de janeiro de 1859.
Não conheceis o segredo que as crianças escondem em sua inocência; não sabeis o que são o que foram, nem o que serão; todavia, as amais, as quereis bem como se fossem uma parte de vós mesmos, de tal modo que o amor da mãe por seus filhos é reputado o maior que um ser possa ter por um outro ser. De onde provém essa doce afeição, essa terna benevolência que os próprios estranhos sentem para com uma criança? O sabeis? Não; é isso que vou vos explicar.

As crianças são seres que Deus envia em novas existências; e para que não lhe possam lançar em rosto uma severidade muito grande, lhes deu todas as aparências da inocência; mesmo numa criança de uma maldade natural são cobertos seus defeitos com a não consciência de seus atos. Essa inocência não é uma superioridade real sobre o que eram antes; é a imagem do que deveriam ser, e se não o são, é unicamente sobre elas que disso recai a pena.

Mas não foi somente por elas que Deus lhes deu esse aspecto, foi também, e, sobretudo, pelos seus pais, cujo amor é necessário à sua fraqueza, e esse amor seria singularmente enfraquecido à visão de um caráter colérico e rude, ao passo que crendo seus folhos bons e dóceis, lhes dão todas as suas afeições, e os cercam com os mais delicados cuidados. Mas quando as crianças não têm mais necessidade dessa proteção, dessa assistência que lhes foi dada durante quinze a vinte anos, seu caráter real e individual reaparece em toda a sua nudez; permanece bom se era fundamentalmente bom, mas se irisa sempre de nuanças que estavam escondidas pela primeira infância.

Vedes que os caminhos de Deus são sempre os melhores, e que, quando se tem o coração puro, é fácil conceber sua explicação.

Com efeito, pensai bem que o Espírito, das crianças que nascem entre vós, pode vir de um mundo onde tomou hábitos muito diferentes; como quereríeis que fosse ao vosso meio, esse novo ser, que vem com paixões diferentes daquelas que possuís, com inclinações, gostos inteiramente opostos aos vossos; como quereríeis que se incorporasse em vossas fileiras de outro modo do que Deus quis, quer dizer, pela peneira da infância? Ali se confundem todos os pensamentos, todos os caracteres, todas as variedades de seres engendrados por essa multidão de mundos nos quais crescem as criaturas. E vós mesmos, em morrendo, vos encontrareis em uma espécie de infância, no meio de novos irmãos; e na vossa nova existência não terrestre, ignorais os hábitos, os costumes, as relações desse mundo, novo para vós; manejareis com dificuldade uma língua que não estais habituado a falar, língua mais viva do que não é hoje vosso pensamento.

A infância tem, ainda, outra utilidade; os Espíritos não entram na vida corpórea senão para se aperfeiçoarem, se melhorarem; a fraqueza da juventude os tornam flexíveis, acessíveis aos conselhos da experiência, e daqueles que os devem fazer progredir; é, então, que se pode reformar seus caráter e reprimir seus pendores; tal é o dever que Deus confiou aos seus pais, missão sagrada pela qual terão de responder.

É assim que a infância é, não somente útil, necessária, indispensável, mas, ainda, a consequência natural das leis que Deus estabeleceu e que regem o Universo.

Nota: Chamamos a atenção dos nossos leitores sobre essa notável, dissertação, cuja alta importância filosófica será facilmente compreendida. Que da mais belo, de mais grandioso, que essa solidariedade que existe entre todos os mundos! Que de mais próprio para nos dar uma ideia da bondade e da majestade de Deus! A Humanidade cresce com tais pensamentos, ao passo que nós a explicamos a reduzindo às mesquinhas proporções de nossa vida efêmera e de nosso mundo, imperceptível entre os mundos.

Extraído: REVISTA ESPÍRITA - Jornal de Estudos Psicológicos - Coletânea Francesa – 1859 - ESCOLHOS DOS MÉDIUNS - DISSERTAÇÃO DE ALÉM-TÚMULO.



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