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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A INFÂNCIA E AS TECNOLOGIAS – PAIS, TODO CUIDADO É POUCO!

As crianças de 8 a 12 anos que vivem conectadas à Internet constituem o grupo mais vulnerável para um abusador sexual. Segundo especialistas mencionados pelo diário “La Nación” de Buenos Aires, os pais que começam a se preocupar com a vida virtual de seu filho quando esse faz 12 anos estão chegando atrasados. Segundo Sebastián Bortnick, presidente da ONG argentina Cibersegura, que propôs a lei que transformou em delito a caça sexual a menores pela Internet e outros meios eletrônicos, “é preciso prestar atenção mais cedo, pois a partir dos 8 anos já correm risco”, disse. [1]

Os perigos são reais, vejamos: os argentinos estão comovidos com o assassinato de Micaela Ortega, uma adolescente de 12 anos, encontrada morta no final de semana, após permanecer 35 dias desaparecida. Segundo fontes oficiais, ela conheceu o assassino no Facebook. O promotor que investiga o caso, Rodolfo De Lucia, contou à imprensa que “Luna”, o assassino, convenceu Micaela a acompanhá-lo, dizendo que a levaria para a casa de uma amiga, a mesma que “Luna” inventou no Facebook. [2]

Para os estudiosos da temática, quase 70% das crianças (meninos e meninas) entre 10 e 12 anos, já criaram um perfil numa rede social. Naturalmente ainda são crianças, entretanto não estão mais na infância. Convivem ou sobrevivem absorvidas por emblemáticas relações virtuais, com escasso contato com o mundo real e ignoram os gravíssimos perigos que os cerca. Recordo que 50 anos atrás nos agrupávamos para brincar na casa de um amigo, de um parente, na rua ou na praça, contudo hoje em dia as crianças se agrupam nas redes virtuais (sem noção de realidade).

Desde a popularização do rádio – inventado por Marconi, em 1895 e disseminado em grande parte do mundo até as décadas de 30 e 40 – da expansão da TV, inventada por John Baird em 1925, e disseminada no Brasil a partir dos anos 50 e da invasão da Internet, a partir da década de 90 – com a criação dos sistemas de rede (web) – atribuída a Tim Berners Lee, o nível de informação das pessoas aumentou consideravelmente. Mesmo aqueles considerados ignorantes na sociedade atual detêm um volume de informação muito maior que há cinco décadas.” [3]

Em tempos de cibernética é urgente monitorarmos nossos filhos sob às regras necessárias da vigília cristã, antes que nossos rebentos completem os 11 anos. Agindo assim, podemos instrumentalizá-los de consciência  crítica, a fim de lidarem com o mundo virtual, conduzindo-os à vigilância diante das arapucas advindas pela Internet.

Consequentemente, é imperioso explicar aos filhos sobre os perigos das redes sociais (Facebook, Instagram ou Snapchat), investigar diariamente o que eles acessam na Internet, o que assistem (filmes), o que ouvem (músicas) e com quem articulam mensagens. Urge fazer isso de forma amorosa, numa relação de proteção. Esse procedimento dos pais acarretará benefício aos filhos e eles perceberão que estamos cautelosos e que podem dialogar conosco sobre o que fazem e com quem conversam nos universos virtuais.

Seguramente, os pais que negligenciaram até aqui o controle das viagens dos filhos nas trilhas dos smartphones, notebooks, tablets etc., quando começarem a monitorar ficarão espantados ao adentrarem nos perfis e correspondências dos filhos (menores de 12 anos). Há cem por cento de chance de descobrirem correspondências incomodativas por lá. Toda cautela é pouca! Lembrando que no monitoramento não pode haver suspensões hostis quanto ao uso da tecnologia, até porque a “coisa proibida” é mais sedutora para eles. É necessário dimensionar aos filhos a confiança de que estão sendo vigiados para o seu próprio bem.

Apoiados no bom senso doutrinário, é importante aprendermos a enfrentar os desafios cibernéticos, com a intenção de procurar a verdade e de esclarecer nossos filhos. É bastante salutar que saibamos separar o trigo do joio. A Internet, a despeito das informações incorretas, das agressões, das infâmias, da degradação e do crime, é sem dúvida um instrumento de grandiosas realizações que dignificam o homem e preparam a sociedade para um porvir mais promissor, e nossos filhos não podem estar alheios a isso.

Vivemos num estágio social em que o mundo virtual é quase o real, mas ele nos surge como sonho. Alguns sonham com cuidado, outros se perdem nos conflitos dos delírios oníricos. Em todos esses estágios há o perigo disso virar pesadelo. Esse é o preço que a sociedade contemporânea paga pelo avanço das tecnologias, apesar de muitos cidadãos ainda não terem se dado conta de que seus atos pelas vias virtuais estão estabelecendo desastres morais de consequências imprevisíveis.

A Internet permitirá um contato mais rico com a monumental obra espírita. Hoje é possível elaborar cursos interativos, por exemplo, uma discussão das obras espíritas clássicas, assinalando links relevantes entre os diferentes textos, e com comentários feitos por autores consagrados. Os livros da Codificação podem ser disponibilizados em hipertexto, em versões de fácil consulta. Relatos específicos podem ser colecionados e indexados para pesquisa rápida etc. etc. etc.

Mas cuidado! Ora, se devemos prestar atenção redobrada ao atravessar uma avenida de trânsito intenso, devemos ter a máxima cautela ao navegar na web, pois os perigos são reais. Também nós adultos devemos estar atentos para evitar cair em emboscadas cibernéticas. Mas apesar dos riscos e temeridades, não devemos demonizar as novas tecnologias tal qual fazia a Inquisição na Idade Média, queimando os livros e dilacerando a cultura.

Jorge Hessen
Brasília-DF
Referências:

fonte http://aluznamente.com.br/a-infancia-e-as-tecnologias-pais-todo-cuidado-e-pouco/
A Luz na Mente - Revista on-line - Artigos espíritas

sábado, 6 de outubro de 2018

CRIANÇAS E NATUREZA: EXPERIÊNCIA VITAL




“Nenhuma descrição, nenhuma ilustração de qualquer livro pode substituir a contemplação das árvores reais...” Maria Montesso.


Muitas crianças saem de casa de manhã para ir à escola, regressar à tarde e no momento de brincar usam as telas eletrônicas. O resultado? Mais e mais crianças que deixam dia a dia de brincar livremente em contato com a natureza, especialmente nas grandes cidades, sem oportunidade de desenvolver-se de um modo mais feliz e pleno.

Estudos diversos apontam que são as experiências com a natureza que estimulam, na infância, o desenvolvimento cognitivo e emocional. Por isso, a criança que não vivencia um contato regular com o mundo natural perde capacidade de exploração, de criatividade de destreza para os desafios da convivência e a resolução de problemas. Além disso, hoje também é sabido que as crianças que crescem em contato com a natureza adoecem menos, têm melhor concentração e autodisciplina, melhor coordenação física, equilíbrio e agilidade, são mais imaginativas, mais observadoras, mas empáticas, agradecidas e demonstram maior capacidade de paz interior. Já as crianças que vivem enclausuradas, que brincam com habitualidade nos espaços artificiais, são mais suscetíveis a alergias, sobrepeso, obesidade, crescem pessoas ansiosas e agitadas, são mais inseguras e se entediam com mais facilidade.

Correr, cair, levantar, exercitar os músculos e sentidos, colocar-se à prova, reconhecer insetos, plantas, sementes, colecionar, pedrinhas são estímulos para o cérebro e também para as emoções. Porque tocar uma folha, cheirar uma flor, contemplar uma grande árvore, aproximar-se de uma borboleta ou de um bonito riozinho, essas experiências diversas, permeadas de estímulos naturais, provocam na criança, sensações que suscitam emoções, que, por sua vez, ajudam a edificar virtudes, conhecimentos e memorias – mas as ricas memórias.

Crianças que vivem em contato com a natureza são, sem dúvida, mais felizes e mais conscientes do ponto de vista ambiental. Crescerão, portanto, mais inclinadas à paz, à compreensão e ao respeito uns pelos outros.


Notinhas
Richard Louv é o fundador da Children & Nature Network, organização que promove um movimento global para conectar crianças, famílias e comunidades à natureza, por meio de ideias inovadoras e colaboração. Ele oferece, por exemplo, dicas para a família levarem o contato com a natureza para a sua rotina (e mesmo nas grandes cidades): ensine esperança; valorize a natureza, onde quer que você esteja; combata a preguiça de sair de casa em dias de chuva e frio; estimule seu filho a expandir seus perímetros; fortaleça redes para ressignificar espaços (em São Paulo, por exemplo, em alguns bairros as ruas são fechadas nos domingos para as crianças brincarem livremente – e são denominadas “Rua do Lazer”).

por Eugênia Pickina

Extraído http://www.oconsolador.com.br/ano12/588/cincomarias.html

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

POR AMOR À CRIANÇA




Nós que tantas vezes rogamos o socorro da Providência Divina, oremos ao coração a Mulher, suplicando pelos filhinhos das outras! Peçamos às seareiras do bem pelas crianças desamparadas, flores humanas atingidas pela ventura do infortúnio, nas promessas do alvorecer!...

Pelas crianças que foram enjeitadas nos becos de ninguém;

Pelas que vagueiam sem direção, amedrontadas nas trevas noturnas;

Pelas que sugam os próprios dedos, contemplando, por vidraças faustosas, a comida que sobeja desperdiçada;

Pelas que nunca viram a luz da escola;

Pelas que dormem, estremunhadas, na goela escura do esgoto;

Pelas que foram relegadas aos abrigos de lama e se transformam em cobaias de vermes destruidores;

Pelas que a tuberculose espia, assanhada, através dos molambos com que se cobrem;
Pelas que se afligem no tormento da fome e mentalizam o furto do pão;

Pelas que jamais ouviram uma voz que as abençoasse e se acreditam amaldiçoadas pelo destino;

Pelas que foram perfilhadas por falsa ternura e são mantidas nas casas nobres quais pequenas alimárias constantemente batidas pelas varas da injúria.

E por aquelas outras que caíram desorientadas, nas armadilhas do crime e são entregues ao vício e à indiferença, entre os ferros e os castigos do cárcere!

Mães da Terra, enquanto vos regozijas no amor de vossos filhos, descerrai os braços para os órfãos de mãe!... Lembremos o apelo inolvidável do Cristo, “Deixai vir a mim os pequeninos”. E recordemos, que se, o homem deve edificar as paredes imponentes do mundo porvindouro, só a mulher poderá convertê-lo em alegria da vida e carinho do lar.

Emmanuel – Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 25 de setembro de 2018

CRIANÇA EVANGELIZADA, ADULTO CONSCIENTE E FELIZ.


Entrevista com Sonia Maria Franco Bossolani – por Orson Peter Carrara


Sonia Maria Franco Bossolani espírita desde 1990, natural de Araquara (SP), onde reside, é Gestora Social. Vinculada ao Centro Espírita e Assistencial Paulo de Tarso, nele integra o Conselho Fiscal. De suas reflexões sobre a transformação do planeta, a partir da vontade e do amparo à criança, suas respostas são valiosas ferramentas para uso do leitor.


Per.: De que forma considera a contribuição do conteúdo espírita para transformação do atual estado moral no planeta?
A doutrina espírita é o melhor caminho que temos no momento para a regeneração planetária. Ela traz na sua essência os ensinamentos do Cristo e a concretização da Sua promessa contida em João, XIV de 15 a 17 e 26, sobre a chegada do Consolador Prometido, vindo para ensinar todas as coisas e nos lembrar de tudo que Jesus nos disse. Portanto, vivenciar a doutrina espírita é viver com Jesus.

Per.: Considerando que uma mudança geral inicia-se pela mudança individual, como entender isso na prática?
Através da transformação comportamental decorrente da reforma íntima. Observo no meio cotidiano em que vivo que as pessoas estão mais amorosas. Trabalho há vinte anos numa ONG com crianças provenientes de famílias de baixa renda a vulnerabilidade social. As transformações neste período, o qual não considero tão longo assim, foram significativas. No início tínhamos menos informações de qualquer gênero e fatores como doenças graves, drogas, violências domésticas não estavam tão próximas das famílias como hoje. Mesmo assim, nota-se que as crianças estão mais amorosas, mais afetivas, embora demonstrem certa violência decorrente das suas vivências. Trabalhando e agindo amorosamente em nós e, em seguida, com todas as pessoas ao nosso redor, conseguiremos, mesmo que a passos lentos, essa transformação individual e coletiva.

Per.: Estamos nos tornando pessoas melhores?
Apesar do grande volume de fatos tristes que vemos através da mídia, tenho grande confiança que estamos nos tornando pessoas melhores. Ouço constantemente que somos todos oportunistas e corruptos e tudo o que está ocorrendo em nossos pais e no mundo é decorrente da sociedade e não de uma parcela dela. Não generalizo. O bem não faz alarde, não quer aparecer, mas caminha por todos os lugares e está em todas as pessoas. Jesus agia com coragem, mas com muita humildade e esse é o exemplo de como agir no bem. Acredito que a proporção de pessoas melhores supera o das piores, mas elas não ficam em evidência. A transformação do planeta num dado momento fará o bem continuar a agir naturalmente, mas de forma mais intensa, em todas as nações, intimidando o mal em sua arrogância, tirando-lhe as forças. Nosso governador é Jesus. Quem duvida disso?

Per.: Podemos colher exemplos no cotidiano?
Num aspecto mais amplo, vemos a justiça brasileira sendo feita com mais respeito à igualdade para com todos os cidadãos e de forma mais honesta. Outros exemplos são os milhares de universitários pesquisadores em todas as áreas, pouco valorizados, mas trabalhando por ideias nobres pelo avanço da Ciência e da tecnologia. Podemos citar também as pessoas que devolvem as carteiras ou malas com dinheiro achadas por pessoas que teriam vários motivos para não devolvê-las, por sobreviverem com parcos salários, com dívidas necessárias a essa sobrevivência e, em muitos casos, não tendo como pagá-las. O aumento das ONGs para cuidar dos animais.
Os anônimos que levam um pouco de alegria e conforto aos pacientes dos hospitais. Essa questão ultrapassa os limites destas respostas, mas acredito ser importante destacar o exemplo de mulheres que são as provedoras dos seus lares, são mães, esposas ou não, filhas, trabalhando fora e dentro do lar e estudando à noite para melhorarem de vida, e dão conta. Não posso então dizer que o mundo está melhorando?

Per.: Qual é o fator mais marcante para o início de uma transformação real?
Parafraseando O Livro dos Espíritos, questão 909: a vontade.

Per.: Qual o maior impedimento?
Ainda na questão 909 de O Livro dos Espíritos somos alertados sobre o pouco de esforço que devemos fazer e comumente não fazemos para a nossa transformação real.

Per.: De suas reflexões, qual a mais marcante neste processo intenso de transformação individual e coletiva?
A vontade. Hoje estamos no mundo das facilidades. Meu pai, nos seus oitenta anos, costuma dizer que não tem saudade do seu tempo de menino ou juventude. Mal tinham o que comer e o que vestir. Começava a trabalhar desde criança na lavoura com pessoas irritadiças e o retorno financeiro era mínimo. Ele diz que o mundo hoje está muito melhor e vive feliz porque sua vida melhorou. Ele sempre agiu com muita vontade, trabalho e suor nas suas conquistas e a maior delas foi seu crescimento moral, no qual tento me espelhar.

Per.: Das experiências já vividas, o que gostaria de destacar ao leitor?
Devemos aproveitar as oportunidades para o nosso crescimento individual. Não devemos desperdiçar nossa encarnação. A fila é grande para voltar a esta escola bendida. Os livros, palestras, cursos, trabalhos na Casa Espírita são ferramentas preciosas, mas não bastam, temos que ir além. O trabalho em favor do semelhante favorecerá esse crescimento. A convivência no dia a dia nos dará oportunidade de minimizar os defeitos que carregamos e maximizar as virtudes que temos.

Per.: Algo mais que gostaria de acrescentar?
Trabalhando com crianças como oportunidade abençoada nesta encarnação, apelo par que todas as Casas Espíritas voltem o seu olhar para elas, invistam na Evangelização Infantil, que é a aplicação da moral cristã para quem acabou de reencarnar. Os dirigentes, apesar das grandes responsabilidades que lhes cabem, derramarem seu amor sobre elas e esse amor será devolvido em dobro. As nossas Casas Espíritas precisam encher-se de crianças. Elas representam as flores com suas cores e perfumes a alegrar todo o espaço físico, por mais simples que seja modificando seu padrão vibratório. Criança evangelizada, adulto consciente e feliz.
 
Per.: Suas palavras finais.
Dentro deste contexto, os espíritas estão em luta íntima constantes para renovação do seu mundo interior e exterior. “O ensinamento do Mestre que diz: ‘Orai e Vigiai”, acrescido de “Meditai”, torna-se uma ordem urgente no momento que estamos passando.

Extraído o jornal O IMORTAL – ago -  2018

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Filhos que aprontam e pais que se desculpam




Artigo da Revista O Consolador
...
Para ser mais preciso, algo muito estranho, para dizer o mínimo, está em curso na relação entre pais e filhos na atualidade. Ou seja, os pais estão agora se desculpando por exercer o seu papel na educação da sua prole. Explico melhor: há fortes indícios de que muitos pais se sentem desconfortáveis em chamar a atenção dos seus filhos quando estes se excedem ou cometem uma falta grave. Em situações mais extremas, há pais que se desculpam por não poder acompanhar os seus filhos em certos eventos ou lhes atender certos desejos e caprichos.
É evitado a todo o custo – como já presenciei inúmeras vezes - o uso da palavra “não” na interação diária entre eles, até mesmo em situações que concretamente a exigem. É notório que os padrões educacionais – refiro-me essencialmente aqui à orientação que parte do lar – sofreram acentuadas mudanças nas últimas décadas. Por conseguinte, o modelo austero do passado cedeu a um enfoque e/ou tratamento contemporizador e, às vezes, até mesmo excessivo. Por isso, é pertinente recuperar as elucidações exaradas pela doutrina espírita, considerando a delicadeza do assunto. 
Desse modo, será que estabelecer certos limites e/ou pronunciar a palavra não, quando esta for necessária, podem ser iniciativas indesejadas nas relações entre pais e filhos? A lógica nos sugere o contrário. Afinal de contas, a educação do lar tende a moldar importantes traços comportamentais e de personalidade dos filhos. É nessa fonte sagrada que normalmente bebemos durante uma parte relevante da nossa formação, e que provavelmente determinará muito do que haveremos de ser no futuro. Se bem aproveitada, certamente nos lembraremos por toda a vida de certas lições recebidas, conselhos formulados, explicações fornecidas e exemplos dados pelos nossos pais.
Corroborando essa percepção, O Espírito Emmanuel, na obra Pensamento e Vida (psicografia de Francisco Cândido Xavier), recorda que “Nasce a criança, trazendo consigo o patrimônio moral que lhe marca a individualidade antes do renascimento no plano físico; no entanto, receberá os reflexos dos pais e dos mestres que lhe imprimirão à nova chapa cerebral as imagens que, em muitas ocasiões, lhe influenciarão a existência inteira”.  
Emmanuel pondera igualmente que:
“Tratá-los à conta de enfeites do coração será induzi-los a funestos enganos, porquanto, em se tornando ineficientes para a luta redentora, quando se lhes desenvolve o veículo orgânico facilmente se ajustam ao reflexo dominante das inteligências aclimatadas na sombra ou na rebeldia, gravitando para a influência do pretérito que mais deveríamos evitar e temer.
É assim que toda criança, entregue à nossa guarda, é um vaso vivo a arrecadar-nos as imagens da experiência diária, competindo-nos, pois, o dever de traçar-lhe noções de justiça e trabalho, fraternidade e ordem, habituando-a, desde cedo, à disciplina e ao exercício do bem, com a força de nossas demonstrações, sem, contudo, furtar-lhe o clima de otimismo e esperança. Acolhendo-a, com amor, cabe-nos recordar que o coração da infância é urna preciosa a incorporar-nos os reflexos, troféu que nos retratará no grande futuro, no qual passaremos todos igualmente a viver, na função de herdeiros das nossas próprias obras”.
Por sua vez, Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos (questão 208), sintetiza: “... os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho” (ênfase minha). Dedicar-se a essa tarefa com denodo, portanto, constitui uma obrigação inalienável quando se assume a paternidade.
Desculpar-se por querer lhes fornecer as lições mais valiosas ou por negar-lhes certos caprichos perigosos não condiz com tal missão. Querer compensar a ausência física – muito comum nos dias presentes por várias razões que não cabem discorrer aqui - por meio da complacência descabida com os defeitos, manias e comportamentos inapropriados dos filhos não ajuda os que abraçam a paternidade, assim como os seus filhos, além de criar situações penosas e perfeitamente dispensáveis para todos os envolvidos.
 por Anselmo Ferreira Vasconcelos
http://www.oconsolador.com.br/ano11/530/ca1.html
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