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terça-feira, 4 de junho de 2019

AOS PAIS

Você que é pai, não grite com seus filhos, a não ser que você os queira como adultos medrosos;

Você que é pai, não sufoque seus filhos, a não ser que você os queira como adultos infantis;


Você que é pai, não rotule seus filhos, a não ser que você os queira como adultos sem uma autoimagem definida;


Você que é pai, não dispute com seus filhos, a não ser que você os queira como adultos sem qualquer sentimento de importância;


Você que é pai, não escolha uma vida para seus filhos, a não ser que você os queira como adultos sem desejo de viver;


Você que é pai, não envolva seus filhos em conflitos afetivos, a não ser que você os queira como adultos sem confiança no Outro;


Você que é pai, não se ausente da história de seus filhos, a não ser que você os queira como adultos estranhos a sua própria história;


Você que é pai, não dê de tudo aos seus filhos, a não ser que você os queira como adultos vazios;


Pai, seus filhos são a prova definitiva de que você um dia existiu neste Planeta! Agora, como você será lembrado, isso já não depende de seus filhos...”


- Liszt Rangel -

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

COMO AS CRIANÇAS PENSAM




Será que a criança pensa como a gente, nos seus primeiros anos de vida?

Nosso pensamento é predominantemente verbal, pensamos como se falássemos para nós mesmos, em voz baixa.

Será assim também que a criança pensa? Que instrumentos ela tem, desde o início de sua vida aqui conosco, para pensar?

Piaget foi um dos teóricos que nos mostrou de forma extremamente meticulosa e interessante  estas coisas que acontecem no desenvolvimento intelectual durante a infância, e a partir destes conhecimentos podemos entender profundamente este processo.

O que se sabe hoje é que a criança, ao nascer, já tem certas capacidades inatas, ligadas à própria sobrevivência, tais como os atos reflexos de sugar e engolir.

Sabemos que tem o movimento que seus sentidos, ainda que de forma meio rudimentar, já estão presentes. Sabe-se ainda que o meio-soial e cultural em que ela se insere é que vai dar as primeiras coordenadas para seu desenvolvimento.

Estes são os instrumentos que recebe o nascer e que, a partir deles, ela vai começar a (re)construir-se como pessoa humana.

Considerando o Espírito como imortal, sabendo de sua longa experiência anterior, ao nascer aqui ele submete-se a estas novas condições, passando por este processo de reconstrução a cada nova experiência, o que lhe é extremamente positivo.

Antes de dominar bem a linguagem, o pensamento da criança apoia-se em outros elementos para desenvolver-se, tais como as próprias sensações ligadas aos sentidos.

O  pensamento é mais global, no sentido de representar mentalmente cada experiência, apreendendo a imagem, o cheiro, o gosto, as sensações... Cada experiência vivida, cada ideia, cada objeto novo conhecido vai ganhando uma imagem mental..

Um exemplo bem ilustrativo dessa situação, e vocês devem ter vários também, é o de uma criança de aproximadamente três anos, que queira ir ao "clube do sapato", e pedia insistentemente à mãe que a levasse.

Ninguém compreendia o que esta menina queria, e que lugar era esse, até que se decobriu que o tal clube era, na realidade, o "tênis clube". Ora, o que aconteceu?

Provavelmente a menina, ao ouvir pela primeira vez o nome do clube, mentalizou-o na forma das imagens conhecidas por ela, no caso o tênis (como sapato) e um clube. No momento de transfomar novamente em linguagem aquela imagem por ela reconstruída, houve uma pequena alteração, suficiente para dificultar o entendimento dos adultos à sua volta.



O surgimento da linguagem representa um salto enorme no desenvolvimento infantil, pois amplia-se a capacidade de comunicação, organização das ideias e reflexão. A linguagem, com todas estas vantagens citadas, não se apresenta numa forma única. Há a fala verbal ou oral, mas há também a linguagem gestual, escrita, etc. É ela que marca o início da possibilidade de representar, de usar mediadores entre ela própria e o mundo, como nos ensinou Vygotsky. 

Ao aprender e dominar a linguagem (principalmente a verbal, para as pessoas sem deficiência auditiva ou de fala) a criança vai internalizando-a, formando assim este pensamento verbal que nós temos hoje (o pensamento das pessoas surdas-mudas constitui-se de forma semelhante, a partir de outras formas de linguagem que elas dispõem). 


Em que medida saber como a criança pensa pode ser importante para nós? Tal conhecimento pode nos dar consciência de quanto podemos contribuir na reconstrução desta criança enquanto sujeito, pois seu pensamento vai sendo constituído a partir de seus próprios movimentos, de seus sentidos, de suas experiências com o outro...
 
O pensamento verbal, reflexivo, e que possibilita ordenar e organizar o próprio pensamento infantil não surge do nada, mas é construído passo a passo pela própria criança, a partir das interações que ela mantém em seu meio. Assim também ocorre com os valores, ainda que de forma rudimentar.

Somente mais tarde a influência dos adultos sobre ela deixa de ser tão forte. Até então, pode-se inclusive alterar, quase completamente, suas características íntimas (“reformar o seu caráter”, como nos diz Kardec, em O Livro dos Espíritos, perg. 385), advindas da bagagem trazida de experiências em vidas passadas. Pois novas experiências representam novas construções, e este período inicial, em função de ter como tarefa principal a construção do pensamento e de si mesmo, como sujeito - posto que nem o pensamento verbal está pronto - é extremamente propício a isto.

 Saibamos aproveitar cada momento desta fase de nossas crianças, cada parte deste processo tão bonito e agora compreensível em parte para nós, graças aos estudos feitos nesta área do desenvolvimento infantil. Ao contrário do que muitos supunham, quanto mais à ciência caminha, mais perto chegamos da compreensão destes processos como parte de uma filosofia maior da evolução humana e do Espírito imortal.  

 Marlene Fagundes Carvalho Goncalves

Ribeirão Preto-SP Jornal “Verdade e Luz” de maio/97. (Jornal Mundo Espírita de Maio de 1997)‏



domingo, 28 de outubro de 2018

EDUCAÇÃO ESPÍRITA





“Quando a geração for educada nas crenças espíritas, ver-se-á outra juventude, mais estudiosa e menos turbulenta”, asseverou o  Codificador. (Revue Spirite de 1862, p. 267).



Mais de cento e cinquenta anos passados, esta afirmação de Kardec continua a fazer todo o sentido.
Importa, por isso, não perder a oportunidade de refletir  sobre as questões da educação das nossas crianças e jovens e sobre os contributos que a Doutrina Espírita poderá trazer à atual geração.

Consideremos, em primeiro lugar, algumas afirmações e conceitos com que nos deparamos nos tempos que correm, e que, para sermos francos, não difere muito do que se ouviu comentar noutros tempos sobre outras gerações de jovens. Por todo o lado, ouvimos que esta juventude está cada vez mais perdida; que os jovens só pensam nos seus prazeres, não querem estudar nem trabalhar; que já não é como antigamente, não respeitam nem teme ninguém; que o mundo caminha cada vez mais para o materialismo; que a falta de valores morais alastra de uma forma cada vez mais destrutiva...
Se fosse esse o nosso intuito, encheríamos páginas com considerações deste gênero. Mas, será realmente assim? Estará, efetivamente, a juventude a degradar-se? Os valores atuais estarão mais degradados, efetivamente, quando comparados com os do passado?

Se lançarmos um olhar atento sobre o passado histórico da Humanidade, talvez cheguemos à conclusão de que, se por um lado, a época atual oferece um sem número de avanços tecnológicos e científicos que nos proporcionam um bem-estar nunca antes alcançado, contribuindo,  de certa forma, para que o materialismo, ilusoriamente, pareça encerrar, por si só, solução para tudo, por outro lado, não podemos deixar de perceber o quão a Humanidade tem progredido no sentido moral, humanizando-se ao longo da longa caminhada desde os primórdios até à atualidade.
Nem poderia ser de outro modo.

Quem somos nós, os que por aqui andamos hoje? Quem são as nossas crianças e os nossos jovens? Seres acabados de sair da mãos do Criador? Certamente que não. O Espiritismo esclarece-nos que somos seres em evolução, em trânsito pela escola terrena, numa longa caminhada rumo à perfeição. A Humanidade de hoje é a Humanidade de ontem; será ainda a Humanidade do futuro. Os nossos filhos e alunos, a quem nos cabe educar e encaminhar para Deus, são, provavelmente, os nossos pais e professores de outras vidas, a quem já coube também a tarefa de nos educar a nós. Serão ainda os nossos companheiros de jornada, no futuro, em que seremos educandos e educadores, num intercâmbio de saberes e experiências, rumo à construção de um mundo melhor, em sintonia com as leis do Pai, que preveem a felicidade que apenas será plena, na medida em que trabalhemos para o bem-estar comum.

Perca/ ausência de valores? Não podemos esquecer que, dizem-nos os Espíritos, estão atualmente reencarnados no planeta irmãos a que está a se dada talvez, a última oportunidade de repensarem os seus valores, as suas atitudes, crescer espiritualmente em companhia de quem já conseguiu algum progresso nesse sentido.

Esses irmãos, para além de, se a isso se decidirem, colherem o benefício das lições que a vida atual faculta, serem também de instrumento para cultivar o amor, o perdão, a tolerância, a caridade, a todos os que estão, por assim dizer, um passinho à frente na caminhada.

Nas Leis Divinas nada se perde, tudo se encadeia; tudo está previsto para que todos possamos colher os maiores benefícios nesta jornada comum.

Neste contexto, não devemos estranhar a grande disparidade de valores com que hoje nos deparamos. É uma situação passageira, própria da época de separação do trigo do joio, anunciada pelo Mestre. Porque é disso que se trata, realmente.

Vivemos tempos cruciais, para a evolução não só individual, mas principalmente deste mundo de expiações e provas em vias de se tornar mundo de regeneração.

Quanto mais investirmos na educação da presente geração, mais estaremos  a contribuir para um mundo mais equilibrado, mais feliz, mais consciente, mais harmonizado com a Espiritualidade Superior.
Onde ir buscar a inspiração para tão grandiosa tarefa? Herculanos Pires, no seu livro Pedagogia Espírita, dá-nos a resposta: “O Livro dos Espíritos é um manual  de Educação Integral oferecido à Humanidade para a sua formação moral e espiritual na Escola da Terra.”

Retomando a afirmação de Allan Kardec, com que iniciamos esta reflexão, quando entendemos e interiorizarmos o seu tríplice aspecto (científico, filosófico e moral) , quando nos empenhamos em educar as crianças e os jovens de acordo com os princípios ali apresentados, e os vivenciarmos sem reservas, estará dado um grande passo na construção de um futuro que, não podemos deixar de lembrar, será o nosso, já que temos de colher o que hoje semeamos.

Quem somos, de onde vimos, para onde vamos, qual a finalidade de aqui estarmos, o que acontece quando a vida do corpo finda, que não estamos sós no Universo, que todo o efeito  tem uma causa e toda a sementeira terá obrigatoriamente uma colheita, tantas e tantas questões que sempre ocuparam e preocuparam a Humanidade, e a que as religiões e filosofias nunca souberam responder devidamente,  no Livro dos Espíritos são abordadas de uma forma simples e acessível a todos os que queiram estudar de espírito aberto e boa vontade.

Ao Livro dos Espíritos juntemos O Evangelho Segundo o Espiritismo, e teremos um valioso roteiro a iluminar-nos a caminhada.

Estudemos e pratiquemos porque a verdadeira educação só se faz pelo exemplo. E não esqueçamos que ninguém dá o que não tem.

Ninguém educa os outros se, antes de mais, não se educa a si mesmo.

por Maria de Lurdes Duarte

Fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano12/591/ca5.html

domingo, 14 de outubro de 2018

A MISSÃO DOS PAIS

(…) os Espíritos dos pais têm por  missão desenvolver os de seus
filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa.1

Se as várias áreas de estudo do comportamento e desenvolvimento humano denotam, de há muito, o papel fundamental desempenhado pelos pais na educação e, consequentemente, na vida dos filhos, a Doutrina dos Espíritos reforça e amplia o entendimento dessa responsabilidade, trazendo à tona o reconhecimento de que a infância é, para o Espírito, especial período para o seu desenvolvimento onde ele2 é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo, denotando também a responsabilidade dos pais nesse processo.

Outra afirmativa da Espiritualidade superior corrobora, ainda, a grande tarefa da paternidade, ante a resposta à pergunta formulada por Allan Kardec3:

Nenhuma influência exercem os Espíritos dos pais sobre o filho depois do nascimento deste?

Ao contrário: bem grande influência exercem. Conforme já dissemos, os Espíritos têm que contribuir para o progresso uns dos outros. Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho.

Cientes assim da responsabilidade da mãe e do pai para com seus filhos, observamos, ao longo do tempo, mudanças no seu desempenho, a mulher ampliando o seu papel social, assumindo, além das tarefas do lar e da maternidade, também um importante papel na sociedade, tornando-se extremamente ativa e participativa no mercado de trabalho. Por outro lado, o homem cada vez mais auxiliando e compartilhando das tarefas domésticas, em especial, a educação dos filhos.

Passa o homem a perceber-se não somente como provedor dos recursos materiais para a subsistência familiar, como autoridade dentro do lar, papéis hoje divididos com a figura da mulher, mas também como responsável pelo cuidado e educação dos filhos. Vemos, dessa forma, pais interessados em informar-se sobre métodos de educação, buscando cursos, vídeos, livros, recursos diversos que os auxiliem no melhor desempenho do seu papel enquanto educadores de seus filhos.

Contudo, em particular, encontramos pais cada vez mais sensibilizados para a consciência de que o seu exemplo de conduta será o recurso chave para a formação moral do Espírito que lhes está confiado por Deus, com vistas à sua condução pelas sendas do bem, consoante a afirmativa de Kardec de que a educação moral4 consiste na arte de formar caracteres, a que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos.

Sendo assim, observamos pais preocupados quanto aos seus atos, aos seus costumes, suas atitudes em sociedade, seus hábitos, que são objeto de observação e de referência na formação dos filhos que lhes compartilham o cotidiano dentro e fora do lar.

Constatamos aí a sabedoria e bondade divinas, ensejando a oportunidade de que reforme os seus próprios caracteres o homem adulto, que assume esse papel na condição de pai. Oportunidade de romper com as barreiras do egoísmo; de olhar mais para o próximo que lhe chega na condição de filho e lhe proporcione a própria mudança de hábitos, visando o bem e o desenvolvimento deste último.  Por isso, abre mão, muitas vezes, de seus prazeres e de sua vontade, em função do pequeno ser que lhe requer cuidados, atenção, dedicação e, principalmente, exemplos de retidão, honradez e condutas adequadas para a sua formação moral. Tudo isso com vistas ao desenvolvimento e progresso desse Espírito que lhe foi confiado por empréstimo pela misericórdia divina. É o amor ao próximo ensejando o próprio bem da criatura.

Cada vez mais conscientes, tanto pais quanto mães, de que5 a melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter, encontrarão certamente desafios para o adequado desempenho de suas tarefas, que requerem a sua própria transformação íntima.

Terão, por certo, o amparo constante da Espiritualidade amiga a lhes inspirar os bons propósitos, como também a Doutrina Espírita no papel do Consolador enviado por Jesus a nortear os seus caminhos.

Referências:
1 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 33. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1974. pt. II, cap. IV, item 208.
2______. Op. cit. pt. II, cap. VII, item 383.
3______. Op. cit. pt. II, cap. IV, item 208.
4______. Op. cit. pt. III, cap. III, item 685ª.
5 XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 14. ed. pt. I, cap. V, q. 110.

Fonte http://www.mundoespirita.com.br/?materia=a-missao-dos-pais

TODO DIA É DAS CRIANÇAS - Jornal Mundo Espírita


A Terra recepciona atualmente a quinta geração de profitentes
do Espiritismo, composta de número maior de criaturas que receberão
a responsabilidade espírita pela segunda vez.
Carlos Lomba1
A grande responsabilidade da tarefa de educação de nossas crianças é tema de consenso geral em nossa sociedade. Estudada e debatida constantemente, tendo em vista o reconhecimento em ser essa fase da vida de capital importância para o desenvolvimento do ser humano, contribuindo especialmente para a formação do caráter do indivíduo, como também para o seu desenvolvimento intelectual.

Buscando cada vez mais recursos para bem educar os filhos, esforçam-se os pais em melhor se preparar, participando de cursos preparatórios para a maternidade e paternidade, adquirindo literatura específica que auxilie na tarefa educativa, assistindo vídeos e palestras de especialistas no assunto, debatendo e discutindo com profissionais e também pais, que passam pela mesma experiência do desafio da educação dos filhos.

Em especial, aqueles de nós que somos pais espíritas, temos o alertamento da espiritualidade amiga, desde a Codificação da Doutrina Espírita, sobre a importância da educação das crianças e jovens, bem compreendida como a arte de manejar caracteres2, conforme afirmativa do próprio Codificador, Allan Kardec, assim como em diversas obras complementares que fazem tratativas sobre o assunto.

Da mesma forma,a missão dos pais é claramente explicitada tanto em O Livro dos Espíritos como em O Evangelho Segundo o Espiritismo, trazendo a certeza de que os filhos são confiados por Deus para serem bem encaminhados na senda do progresso a que está destinado todo Espírito.

Codificada a Doutrina Espírita há mais de 160 anos, importante reflexão nos traz o Espírito Carlos Lomba, lembrando que muitos dos Espíritos que reencarnam hoje serão espíritas pela segunda vez aqui no plano terreno. Responsabilidade para esses reencarnantes, que trazem em sua bagagem o conhecimento doutrinário, que vinca a alma de profundas e claras percepções que transpõem a força amortecedora da carne3, ou seja, permanecem norteando a existência do Espírito, mesmo quando mergulhado na matéria densa do corpo físico. Porém, responsabilidade também para os pais e famílias que os recebem em seus lares, trabalhadores do movimento espírita, em especial, evangelizadores de infância e juventude e da sociedade em geral.

Para os pais, responsabilidade aumentada,cientes de que os pequeninos que acolhem em seus braços são, possivelmente, velhos companheiros conhecedores das verdades eternas reveladas pela Doutrina Espírita, e que irão necessitar do seu esforço e dedicação para que consolidem dentro de si esses conhecimentos, solidificando valores e continuando a sua caminhada iluminados pelos roteiros de luz que a revelação espírita oferece.

Responsabilidade em oportunizar a essas crianças um ambiente doméstico harmonizado pelos laços do afeto, do respeito, do esforço contínuo para a vivência dos valores evangélicos, coroado de luzes através da conexão com a espiritualidade superior por meio da prece cultivada rotineiramente dentro do lar. Acesso à prática dos ensinamentos de Jesus e dos postulados espíritas no lar, mas também através da freqüência no Centro Espírita, conduzindo-os às atividades de evangelização específicas para sua faixa etária, assim como exemplificando pelo próprio trabalho nas diversas tarefas da Casa e do Movimento, demonstrando responsabilidade e dedicação para com o tesouro que lhes foi confiado.

 Ainda, com certeza, no exemplo de sua conduta na sociedade em que estão inseridos, seja no ambiente de trabalho ou no círculo social ao qual pertencem, demonstrando ações compatíveis com os ensinamentos de Jesus.

Desafio também para os evangelizadores de infância e juventude que receberão crianças e jovens que trazem latentes em seu imo esses conhecimentos que precisam ser despertados, cultivados, bem direcionados, para não correrem o risco de deixar a semente adormecida sem que produza os frutos devidos. Trabalhadores que precisarão de muito mais esforço no preparo das atividades a serem desenvolvidas, mas, principalmente, que sejam referências positivas de dedicação, alegria, otimismo e convicção sobre o que ensinam.

Reproduzindo as palavras de Carlos Lomba:

Um exemplo de alguém, uma página isolada, um livro que se dá, um fato esclarecedor, uma opinião persuasiva, uma contribuição espontânea, erigir-se-ão, muita vez, por recurso mais ativo na excitação dessas mentes para a verdade, catalisando-lhes as reações de reminiscências adormecidas, que ressoarão à guisa de clarins na acústica da alma.1

É esse um importante alertamento sobre o valor da ação de cada um de nós junto a essa nova geração de crianças que está, provavelmente, aguardando nossa atenção, nosso estímulo, nosso exemplo para dar seguimento ao trabalho iniciado em encarnações pregressas, rumo à consolidação do aprendizado que lhes propiciará alçar novos voos.

Façamos de todos os dias, o dia especial de atenção e dedicação às nossas crianças!

Referências:
1 DUSI, Miriam Masotti et al. Sublime sementeira: Evangelização Espírita Infantojuvenil. Brasília: FEB, 2012. pt. 2, cap. 8, p. 140.
2 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 81. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001. pt. 3, cap. XII, perg. 917.
3 DUSI, Miriam Masotti et al. Sublime sementeira: Evangelização Espírita Infantojuvenil. Brasília: FEB, 2012. pt. 2, cap. 8, p. 139.

Fonte http://www.mundoespirita.com.br/?materia=todo-dia-e-das-criancas

domingo, 7 de outubro de 2018

EDUCAÇÃO NO LAR



17. Após defender a tese de 1ue não podemos restringir essa tarefa apenas ao âmbito familial, Herculano adverte que a preocupação dos cursos de evangelização da infância, no meio espírita, não é nem pode ser a da transmissão de princípios, mas apenas a de preparação do espírito infantil para o bom aproveitamento da sua atual encarnação. A Orientação moral não é uma preparação filosófica, mas um processo de integração das novas gerações em determinado sistema de vida, a fim de que possam beneficiar-se com as experiências e conquistas das gerações anteriores. (pag. 15 e 16)

18. A educação espírita começa no lar. Nas famílias espiritas é dever dos pais iniciar os filhos nos princípios doutrinários desde cedo. A falta de compreensão da doutrina faz que certas pessoas pensem que as crianças não devem preocupar-se com o assunto. Tais pessoas se esquecem de que seus filhos necessitam de orientação espiritual e que essa orientação será tanto mais eficiente quanto mais cedo lhes for dada. É preciso não esquecer que as crianças são espíritos reencarnados, espíritos adultos que se vestem “com a roupagem da inocência” para iniciarem uma vida nova. (pág. 16 e 17)

19. Ensinar às crianças o princípio da reencarnação, da lei de causa e efeito, da presença do anjo guardião em suas vidas, da comunicabilidade dos Espíritos e assim por diante, é um dever inalienável dos pais. As crianças já trazem consigo o germe desses conhecimentos e estão mais próximas do mundo espiritual que os adultos. O maior patrimônio que os pais podem legar aos filhos é o conhecimento de uma doutrina que vai garantir-lhes a tranquilidade e a orientação certa no futuro. (pág.17)

20. A melhor maneira de desenvolver a educação espírita no lar é organizar festinhas domingueiras com prece, recitativos infantis de tema evangélico, explicação de parábolas, canções espíritas e brincadeiras criativas que ajudem a despertar a criatividade das crianças. Essas festinhas preparam o espírito da criança para as aulas no Centro e na escola. (pág.18)

21. Esconder às crianças de hoje a verdade espírita é cometer um verdadeiro crime contra o seu progresso espiritual e a sua integridade na cultura espírita do novo mundo que está nascendo. A educação no lar é à base de todo progresso posterior de educação escolar e de educação social que os jovens irão enfrentar na vida. (pág. 18)

Extraído do livro Pedagogia espírita - Herculano Pires
http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/estudosespiritas/principal.html 


CONDIÇÕES DA CRIANÇA


As condições de aprendizado da criança variam numa escala progressiva, segundo o seu desenvolvimento psicossomático. Determinar uma idade-limite em que essas fases se sucedem é temerário. As escalas ontogenéticas são bastante flexíveis, mas no campo específico da psicogenética verifica-se uma continuidade ente a percepção e o desenvolvimento da representação (pag 13)

 No tocante ao desenvolvimento da linguagem, diz René Hubert, ela acompanha o desenvolvimento da inteligência. A inteligência infantil se manifesta progressivamente, passando da fase sensória-motora para a fase prática, desta para a representativa e desta para abstrata. Mas está sempre atuante no desenvolvimento orgânico e psíquico. (pag.13) 

Enfrentando o problema na posição materialista, podemos negar à criança a capacidade de compreensão de certos princípios abstratos,mas, enfrentando-o numa posição espírita, teremos de admitir suas possibilidades latentes. (pag. 13) 

É preciso, porém, lembrar que a evangelização da infância não é nem pode ser feita em termos de pura abstração, o que seria um ilogismo. Daí o apelo muito justo e pedagógico às historietas figuradas. (pag.14) 

Trata-se de uma técnica audiovisual de inegável eficiência e seu objetivo não é a transmissão dos princípios doutrinários, mas o despertar da criança para a compreensão de realidades que ela já traz no inconsciente, na memoria profunda que guarda as vivência do passado. (pag. 14) 

A função da historieta é a mesma da maiêutica de Sócrates e lembra o acordar da reminiscência platônica na mente do Espírito encarnado.(pag.14) 

Essa função corresponde precisamente ao objetivo real da educação, que não é transmitir ensinamentos, mas predispor a mente a recebê-los através da instrução e assimilá-los na formação cultural. Por isso, a evangelização da criança não pode ser encarada como ato de imposição ou de violência. Nenhuma aula de evangelização espírita impõe dogmas de fé nem pretende realizar a internalizaçao dos princípios espíritas. Sua finalidade é o contrário: despertar na criança as suas forças interiores e fazê-las aflorar no plano da consciência. O que se pode é enriquecer essas aulas com as contribuições do Método Montessori, criando um ambiente estimulante e juntando às historietas outros elementos sensoriais, de acordo com as faixas etárias dos alunos. Os trabalhos de Maria Montessori e sua teoria educacional corresponde em grande para às aspirações e objetivos da evangelização espírita das crianças. (pag. 14)
***

Extraído do livro Pedagogia espírita - Herculano Pires

http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/estudosespiritas/principal.html

sábado, 28 de abril de 2018

Educar para a transformação

A educação vai além da razão e deve contribuir para nos tornar seres espiritualizados, mais solidários e mais generosos
Vivenciamos, de formas diversas, experiências que nos permitem evoluir no campo espiritual. Nada, porém, acontece por acaso, e tudo se transforma conforme as necessidades do Espírito.

Quando surge uma nova etapa evolutiva, desencadeiam-se processos que irão contribuir para o desenvolvimento do Espírito. Fomos criados simples e ignorantes, sem saber como aconteceria a evolução, e apenas satisfazíamos nossas necessidades básicas.

Ao chegarmos aqui, no estágio atual do planeta Terra, não tínhamos consciência dos fatos nos aspectos físicos da matéria, embora alguns tenham vindo para o planeta com histórico de aprendizados de vidas anteriores, reflexo de encarnações em outros planetas, astros ou estrelas. Estes trouxeram conhecimentos que aos poucos foram sendo permitidos, com a intenção de que a humanidade evoluísse moralmente, pois necessitavam ter a prática de uma vida melhor e mais próxima do estágio espiritual adequado para a sua evolução.

Recorrentemente, desde o surgimento do homem, muitas foram as provações nos aspectos evolutivos da matéria. Diversas transformações foram surgindo, desde micróbios, bactérias, vírus etc., para que o planeta se acomodasse até dar oportunidade para o surgimento de novas espécies.

Mas como se daria a evolução dos Espíritos aqui na Terra? Qual o papel dos arquitetos espirituais nesse processo? A resposta ainda parece obscura, mas sabemos que o planeta tem papel fundamental para que os Espíritos se desenvolvam moral e intelectualmente.

Para Bezerra de Menezes:
“Embora as grandes aquisições do conhecimento tecnológico e dos avanços da ciência na sua multiplicidade de áreas, nestes dias conturbados os valores transcendentes não têm recebido a necessária consideração dos estudiosos que se dedicam à análise e à promoção dos recursos humanos, vivendo mais preocupados com as técnicas do que com o comportamento moral, que é de suma importância. Por isso, a herança que se transfere para as gerações novas que ora habitam o planeta diz mais respeito à ganância, ao prazer dos sentidos físicos, à conquista de espaço de qualquer maneira, dando lugar à violência e à desordem...”[1]

Observa-se que nossos ganhos estão muitas vezes ligados a coisas e atos que nos trazem prazer individual, e nunca ao desenvolvimento moral ou intelectual. Preocupamo-nos apenas em satisfazer nosso ego, nosso egoísmo e ao mesmo tempo os prazeres da vida material. A questão espiritual está sendo deixada de lado pela mesquinhez que teima em nos testar constantemente.

O que fazer então nesse momento tão conturbado que vivemos? Quais atitudes devemos tomar para a mudança de comportamento?

A resposta parece estar longe, mas não é impossível de obtê-la. Nossa mente está preocupada em trazer à tona fatos de vidas passadas. Devemos ser sensatos e menos perversos, emitirmos ondas de bondade e de compaixão, de amor e de misericórdia. Com certeza teremos o planeta Terra com outras vibrações com amparo nesse desafio educativo.

Nossa caminhada é longa, apesar dos desastres naturais, das carências sociais, não conseguimos resolver nossos problemas. Os tempos chegam; uma hora acontecerá a separação do joio do trigo. As pessoas que aqui habitam deverão fortalecer a fé raciocinada, contribuindo para que o planeta passe da categoria de expiação e provas para regeneração. A hora é chegada, cabe a cada um fazer a sua parte.

Mas como a educação pode contribuir para esse acontecimento? Primeiramente devemos pensar que o Espírito não é separado do corpo físico quando está encarnado, que a educação deve atuar no físico, para chegar ao perispírito e, consequentemente, ao Espírito, atingindo os aspectos morais e intelectuais. Passamos pela família, não importa qual tipo e como vivemos nela. Estamos nos referindo aqui à família constituída de algumas pessoas com laços sanguíneos ou não. O que importa é a herança espiritual que trazemos de vidas passadas. Constrói-se dentro de si uma forma completa de educação.

Precisamos ter em mente que a visão de educação vai além da razão, sendo acompanhada pelos aspectos dos sentimentos do ser espiritual, e deve contribuir para nos tornar seres espiritualizados, mais solidários e mais generosos. O Livro dos Espíritos chama este processo de ideias inatas que se revelam intuitivamente.

Para Joanna de Ângelis, por meio de Divaldo Franco, estas tendências e hábitos precisam ser aprimorados pela educação moral, além da intelectual. Como pais e professores, nos preocupamos em proporcionar a crianças e jovens a instrução acadêmica, no sentido de oferecer bons colégios, aulas de inglês, computação, ginástica etc., mas isso não basta! É fundamental e importante a educação moral no campo dos sentimentos. Vemos, como exemplo, seres humanos muito intelectualizados sem noção moral e de respeito ao outro.

Observa-se, portanto, a importância de buscarmos enriquecer nossas escolas ou famílias com ideias que colaborem para o desenvolvimento integral do ser. Construir caminhos interligados que possam buscar o processo de desenvolvimento do planeta e dos seres, nos aspectos morais e intelectuais. Não é abrir mão do aprendizado formal, mas juntar forças para que o planeta possa alcançar a sua regeneração.

Ao reencarnar, o Espírito traz tendências boas e más; aptidões, medos, muitas frustações podem tornar-se um obstáculo a ser vencido por meio de estímulos e de fontes que enriqueçam o processo evolutivo do ser espiritual.

Joanna de Ângelis, por meio de Divaldo Franco, exemplifica:

“O pai do asilo. Um pai foi visitar o avô da criança em um asilo para idosos. Ao sair com o filho este lhe perguntou: ‘papai é aqui que eu vou colocar você quando ficar velho?’ O pai atemorizado, retirou seu pai do asilo. Isto mostra que o exemplo se transmite pelo respeito e amor pelos mais velhos.”[2]

Juntos podemos construir um mundo melhor, basta querermos.

1. MENEZES, Bezerra de. “A Transição do Planeta Terra. In.: FRANCO, Divaldo. Amanhecer de uma nova era. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Editora LEAL.
2. Joanna de Ângelis. Mensagem psicografada pelo médium Divaldo Pereira na manhã do dia 1º de junho de 2009, em Zurique, Suíça.
- Obras Básicas da Doutrina Espírita
- SCHUTEL, Cairbar. Espiritismo e Materialismo. Matão: Casa Editora O Clarim, 1925.

https://www.oclarim.org/oclarim/materias/5754/jornal/2018/Maio/educar-para-a-transformacao.html

domingo, 11 de março de 2018

CONHECER-SE NO CONVÍVIO COM O PRÓXIMO





Queridos pais, educadores, irmãos, tios, avós de nossas crianças.

 É na fase da infância e juventude que está sendo construido a base emocional que lhes trará uma vida adulta equilibrada. Dependo de nós, proporcionarmos segurança, apoio e carinho.

Trago um excelente texto do livro Manual prático do espírita de Ney Pietro Peres, para que possamos compreender os mecanismos do auto conhecimento nesta fase. E não só a eles, mas a nos também.

Se acharem interessante, temos outros textos relacionados ao tema em nosso blog Seguindo os Passos do Ser Integral, deixarei o link no final do texto.

Boa Leitura, Bom estudo.

Com carinho,

Elaine Saes



CONHECER-SE NO CONVÍVIO COM O PRÓXIMO


“Amar ao próximo como a si mesmo, fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, é a mais  completa expressão da caridade, pois que resume todos os deveres para com o próximo”( Allan Kardec O Evangelho Segundo o Espiritismo cap XI amar aos próximo como a si mesmo)

 

No relacionamento entre os seres humanos, as experiências vividas ensinam constantemente lições sociais, através de nossas reações com o meio e das manifestações que o meio nos provoca.

 

 

O campo das relações humanas, já pesquisado amplamente, talvez seja a área de experiências mais significativa para a evolução moral do homem.

 

 

O tempo vai realizando progressivamente o amadurecimento de cada criatura, na medida em que aprendemos, no convívio com o próximo, a identificar nossas reações de comportamento e a discipliná-las.

 

 

O relacionamento mais direto acha-se o meio familiar, onde desde criança brotam espontaneamente nossos impulsos e reações. Nessa fase gravam-se impressões em nosso campo emocional que repercutirão durante toda nossa existência. Quantos quadros ficam plasmados na alma sensível de uma criança. Quadros esses que podem levá-la a inconformações, angústias profundas, desejos recalcados, traumas, caracterizando comportamentos e disposições na fase da adolescência e na adulta.

 

Guardamos do relacionamento com os pais, irmãos, tios, primos e avós, os reflexos que mais nos marcaram.

 

 

Começamos, então, numa busca tranquila, a conhecer como reagimos e por que reagimos, na infância e na adolescência, aos apelos agressões, contendas, choques de interesses. Essas reações emocionais, que normalmente não se registram com clareza nos níveis da consciência, deixam, entretanto, suas marcas indeléveis nas profundidades do inconsciente.

 

 

Importantes são as suaves e doces experiências daqueles primeiros períodos da nossa vida, quando os corações amorosos de uma mãe, de um pai, de um irmão, de uma professora, pelas expressões de carinho e de compreensão, aquecem nossa alma em formação e nela gravam o conforto emocional que tantos benefícios nos fizeram, predispondo-nos às coisas boas, às expressões de amor, que, por termos conhecido e recebido, aprendemos a dar e a proporcionar aos outros. Essas ternas experiências constituem necessários pontos de apoio ao nosso espírito, para que possamos prosseguir e ampliar nossas obras nas expressões do coração.

 

 

No convívio escolar, iniciamos as primeiras experiências como o meio social fora dos limites familiares. As reações já não são tão espontâneas. Retraímo-nos às vezes; a timidez e o acanhamento refletem de início a falta de confiança nas professoras e nos colegas de turma. Aprendemos paulatinamente a nos comportar na sociedade, com reservas. Sufocamos, por vezes, desejos e expressões interiores, e até mesmo defendemos com violência nossos interesses, mesmo que ainda infantis. E também brigamos com aqueles que caçoam de alguma particularidade nossa. Quase sempre retribuímos com bondade aos que são bondosos conosco. E devolvemos insultos aos que nos agridem. Sem dúvida são reações naturais, embora ainda bem primárias.

 

 

Vamos assim caminhando para a adolescência, fase em que nossos desejos se acentuam. O querer começa a surgir, a auto-afirmação emerge naturalmente, a nossa personalidade se configura. Aparecem as primeiras desilusões, as amizades não correspondidas, os sonhos frustrados, as primeiras experiências mais profundas no campo sentimental. De modo particular, cada um reage de forma diferente aos mesmos aspectos do relacionamento com os outros: uns aceitam e resignam-se com os desejos não alcançados; outros, inconformados, reagem com irritação e violência e, por isso mesmo, sofrem mais. E o sofrimento é maior porque é necessário maior peso para dobrar a inflexibilidade do coração mais endurecido, como ensina a lei física aplicada à nossa rigidez de emperramento. Os mais dóceis e flexíveis sofrem menos, porque menor é a carga que lhes atinge o íntimo. Esses não oferecem restência ao que não pode possuir.

 

 

A resignação é o meio de modelação da nossa alma, característica do desprendimento e da mansuetude que precisamos cultivar.

 

 

Inúmeros aspectos desconhecidos da nossa personalidade abrem-se para a nossa consciência exatamente quando conseguimos identificar, nos entrechoques sociais, aquilo que nos atinge emocionalmente.

 

 

As reações observadas nos outros que mais nos incomodam são precisamente aquelas que estão mais profundamente marcadas dentro de nós. As explosões de gênio, os repentes que facilmente notamos nos outros e comentamos atribuindo-lhes razões particulares, espelham a nossa própria maneira de ser, inconscientemente atribuída a outrem e dificilmente aceita como nossa. É o mecanismo de projeção que se manifesta psicologicamente. 

 

 

Poucas vezes entendemos claramente as manifestações de nossos sentimentos em situações específicas, principalmente quando alguém nos critica ou comenta nossos defeitos. Normalmente reagimos: não aceitamos esses defeitos e procuramos justifica-los. Nesse momento passam a funcionar os nossos mecanismos de defesa, naturais e presentes que qualquer criatura.

 

 

No convívio com o próximo, desde a nossa infância, no lar, na escola, no trabalho, agimos e reagimos emocionalmente, atingindo os domínios dos outros e sendo atingidos nos nossos. Vamos, assim, nos aperfeiçoando, arredondando as facetas pontiagudas do nosso ser ainda embrutecido, à semelhança das pedras rudes colocadas num grande tambor que, ao girar continuamente, as modela em esferas polidas pela ação do atrito de para a parte.

 

 

É interessante notar que as pedras de constituição menos dura modelam-se mais rapidamente, enquanto aquelas de maior dureza sofrem, no mesmo espaço de tempo, menor desgaste, demorando mais, portanto, para perderem a sua forma original bruta.

 

 

Esse aperfeiçoamento progressivo, no entanto, vem se realizando lentamente nas múltiplas existências corpóreas como processo de melhoramento contínuo da humanidade.

 

 

As vidas corpóreas constituem-se, para o espírito imortal, no campo experimental, no laboratório de testes onde os resultados das experiência se vão acumulando. “A cada nova existência, o espírito dá um passo na senda do progresso; quando se despojou de todas as suas impurezas, não precisa mais das provas da vida corpórea.”( Allan Kardec O Livro dos Espíritos cap IV Pluralidade das Existências pergunta 168)

 

 

Instruirmo-nos através das lutas e tribulações da vida corporal é a condição natural que a Justiça Divina a todos impõe, para que obtenhamos os méritos, com esforço próprio, no trabalho, no convívio com o próximo.

 

 

O conhecer-se implica em tomarmos consciência de nossa destinação como participantes na obra da Criação. Dela somos parte e nela agimos sendo solicitados a colaborar na sua evolução global; Deus assim legislou.

 

 

O limitado alcance de nossa percepção e de nossa vivência em profundidade, no íntimo do nosso espírito, dessa condição de co-participantes da Criação Universal é decorrente de nossa mínima sensibilidade espiritual, o que só podemos ampliar através das conquistas realizadas nas sucessivas reencarnações.

 

 

Parece claro que caminhamos ainda hoje aos tropeços, caindo aqui, levantando acolá, nos meandros sinuosos da estrada evolutiva que ainda não delineamos firmemente. Constantemente alteramos os rumos que poderiam nos levar as correções, por isso retardamos os passos e repetimos experiências até que delas colhamos bons resultados, para daí avançarmos.

 

 

O conhecer-se é o próprio processe de autoconscientização, de reconhecimento de nossas limitações e dos perigos a que estamos sujeitos no campo das experiências corpóreas. É ponderar sempre, é refletir sobre os riscos que podem comprometer a nossa caminhada ascensional e tomar decisões, definir rumos, dar testemunhos.

 

 

É precisamente no convívio com o próximo que expressamos a nossa condição real, como ainda estamos – não o que somos, pois entendemos que, embora ainda ignorantes e perfeitos, somos obra da Criação e contamos com todas as potencialidades para chegarmos a ser perfeitos. Estamos todos em condições de evoluir. Basta querermos e dirigirmos nossos esforços para esse mister.

 

 

Uma das melhores diretrizes para chegarmos a isso é oferecida pelo educador Allan Kardec ( O Evangelho Segundo o Espiritismo cap XVII Sedes perfeitos – o Dever):

 

 

 “O dever começa precisamente no momento em que ameaçais a felicidade e a tranquilidade do vosso próximo, e termina no limite que quereríeis alcançar par vós mesmos”.

Extraído do Livro Manual Prático do Espírita – Ney Pietro Peres 

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