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sábado, 10 de fevereiro de 2024

PRIMEIRAS LIÇÕES DE MORAL DA INFÂNCIA por ALLAN KARDEC (1864)

 REVISTA ESPÍRITA ano 1864 - fev.


De todas as pragas morais da sociedade, o egoismo parece a mais difícil de desenraizar; ela é tanto mais, com efeito, quanto é entretida pelos próprios hábitos da educação. Parece que se toma, desde o berço, a tarefa de excitar certas paixões que se tornam mais tarde uma segunda natureza, e se espanta dos vícios da sociedade, então que as crianças os sugam com o leite. Eis disso um exemplo que, como cada um pode julgá-lo, pertence mais à regra do que à exceção.

Numa família de nosso conhecimento há uma pequena filha de quatro a cinco anos, de uma inteligência rara, mas que tem os pequenos defeitos das crianças mimadas, quer dizer, que ela é um pouco caprichosa, chorosa, teimosa, e não diz sempre obrigado quando se lhe dá alguma coisa, essa cujos pais têm grandemente interesse em corrigi-la, porque, à parte esses defeitos, ela tem um coração de ouro, expressão consagrada. Vejamos como se emprenham para tirar essas pequenas nódoas e conservar ao ouro a sua pureza.

Um dia, havia sido trazido um bolo à criança, e, como é geralmente o hábito, se lhe disse:
“Tu o comerás se for obediente,” primeira lição de guloseima. 

Quantas vezes não chega a dizer, à mesa, a uma criança, que não comerás de tal gulodice se chorar. “Faze isto, faze aquilo, se lhe diz, e tu terás do creme” ou alguma outra coisa que possa lhe fazer inveja; e a criança se constrange, não por razão, mas tendo em vista satisfazer um desejo sensual que a aguilhoa (estimula).

 É bem pior ainda quando se lhe diz, o que não é menos frequente, que se dará sua porção a um outro; aqui não é mais a gulodice só que está em jogo, é a invejaa criança fará isso que se lhe manda, não só para ter, mas que um outro não tenha Quer se lhe dar uma lição de generosidade? Diga-se lhe: “dá esse fruto ou esse brinquedo a um tal. ”Se ela recusa não se deixe de acrescentar, para simular nela um bem sentimento: “Eu te darei um outro dele;” de maneira que a criança não se decida a ser gêneros senão quando está certa de nada perder.

Fomos um dia testemunha de um fato muito característico nesse gênero. Era uma criança de dois anos e meio mais ou menos, a quem se havia feito semelhante ameaça, acrescentando-lhe: “Nós o daremos ao irmãozinho, e tu não o terás;” e para tornar a lição mais sensível, coloca-se a porção sobre o prato deste; mas o irmãozinho, tomando a coisa a sério, come a porção. Em vista disso, a outra se torna vermelha e seria preciso não ser nem o pai nem a mãe para não ver o estrondo de cólera e de ódio que jorra de seus olhos. A semente foi lançada; pode produzir bom grão?

Retornemos à pequena da qual falamos. Como não toma nenhuma conta da ameaça, sabendo por experiência que será executada raramente, esta vez se fez mais firme, porque compreendeu-se que seria preciso dominar esse pequeno caráter e não esperar que a idade lhe venha dar um mau hábito. É preciso formar as crianças cedo, dizia-se: máxima muito sábia, e, para coloca-la em prática, eis como se a toma.

 “Eu te prometo, lhe diz a sua mãe, que se tu não obedeceres, amanhã de manhã, a primeira pequena pobre que passar, dar-lhe-ei teu bolo. ”O que foi dito foi feito; esta vez queria-se resistir e lhe dar uma boa lição. No dia seguinte de manhã, pois, tendo percebido uma pequena vizinha na rua, fê-la entrar, e se obrigou a filhinha a toma-la pela mão e a lhe dar, ela mesma, seu bolo. Sobre isso, louvores dados à sua docilidade. Moralidade: a filhinha disse: “É indiferente, se soubesse disto, teria me apressado em comer meu bolo ontem;” e todo o mundo de aplaudir a essa resposta espirituosa. A criança, com efeito, recebeu uma grande lição, mas uma lição do mais puro egoísmo, do qual não deixará de se aproveitar numa outra vez, porque ela sabe agora o que custa a generosidade forçada; resta saber que frutos dará mais tarde essa semente, quando, mais idosa, a criança fará a aplicação dessa moral em coisas mais sérias do que um bolo. Sabem-se todos os pensamentos que só esse fato pôde fazer germinar nessa jovem cabeça? Como se quer, depois disso, que uma criança não seja egoísta quando, em lugar de despertar nela o prazer de dar, e de lhe presentear a felicidade daquele que recebe, se lhe impões um sacrifício como punição? Não é inspirar a versão pelo ato de dar, e por aqueles que têm necessidade?

 Um outro hábito igualmente frequente é o de punir uma criança vendo-a comer, na cozinha, com os domésticos. A punição está menos na exclusão da mesa do que na humilhação de ir à das pessoas de serviço. Assim se encontra inoculado, desde a mais tenra infância, o vírus da sensualidade, do egoísmo, do orgulho, do desprezo aos inferiores, das paixões, e uma palavra, que são, com razão, consideradas como as pragas da Humanidade. É preciso ser dotado de uma natureza excepcionalmente boa para resistir a tais influências, produzidas na idade mais impressionável, onde elas não podem encontrar contrapeso nem na vontade nem na experiência. Por pouco, pois, que o germe das más paixões aí se encontre, o que é o caso mais comum, tendo em vista a natureza da maioria dos Espíritos que se encarnam sobre a Terra, não pode senão se desenvolver sob essas influências, ao passo que seria preciso tentar descobrir lhe os menores traços, para abafá-la.

Essa falta, sem dúvida, está nos pais, mas aqueles pecam frequentemente, é preciso dizê-lo, mais por ignorância do que por má vontade; em muitos, incontestavelmente, há uma negligência culpável, mas em outros a intenção é boa, é o remédio que não vale nada ou que é mal aplicado. Sendo os primeiros médicos da alma de seus filhos, deveriam estar instruídos, não só de seus deveres, mas dos meios de cumpri-los; não basta ao médico saber que deve procurar curar, é preciso que saiba como deve fazê-lo.

 Ora, para os pais, onde estão os meios de se instruírem sobre parte tão importante de sua tarefa?

Dá-se às mulheres muita instrução hoje; fazem-na suportar exames rigorosos, mas jamais foi exigido de uma mãe que ela saiba como deve fazer para formar o moral de seu filho?

São-lhes ensinadas receitas do governo da casa; mas se a iniciou nos mil segredos de governar os jovens corações? Os pais são, pois, abandonados sem guia à sua iniciativa, é por isso que, frequentemente, tomam um falso caminho; também recolhem, nos erros de seus filhos tornados grandes, o fruto amargo de sua experiência ou de uma ternura mal combinada, e a sociedade toda disso recebe contragolpes.

Uma vez que está reconhecido que o egoísmo e o orgulho são a fonte da maioria das misérias humanas, que enquanto reinarem sobre a Terra, não se podem esperar nem paz, nem caridade, nem fraternidade, é preciso, pois, ataca-los no seu estado de embrião, sem esperar que sejam vivazes.

Pode o Espiritismo remediar esse mal? Sem nenhuma dúvida, e não hesitamos em dizer que só ele é bastante poderoso para fazê-lo cessar: pelo novo ponto de vista sob o qual faz encarar a missão e a responsabilidade dos pais; fazendo conhecer a fonte das qualidades inatas, boas ou más; mostrando-lhes a ação que se pode exercer sobre os Espíritos encarnados e desencarnados; dando-lhes a fé inabalável que sanciona os deveres; enfim, moralizando com isso os próprios pais. Já prova sua eficácia pela maneira mais racional da qual as crianças são educadas nas famílias verdadeiramente espíritas. Os novos horizontes que o Espiritismo abre fazem ver as coisas de maneira diferente; sendo seu objetivo o progresso moral da Humanidade, forçosamente deverá levar a luz sobre a séria questão da educação moral, fonte primeira da moralização das massas. Um dia compreender-se-á que esse ramo da educação tem seus princípios, suas regras, como a educação intelectual, em uma palavra, que é uma verdadeira ciência, um dia, talvez, se imporá a toda mão de família a obrigação de possuir esses conhecimentos, como se impões ao advogado a de conhecer o Direito.

Allan Kardec

quinta-feira, 19 de março de 2020

Livros cabem na infância





Livros não mudam o mundo,
quem muda o mundo são as pessoas.
Os livros só mudam as pessoas. Mario Quintana

Cresci em contato com os livros – em casa, na escola, nas amistosas bibliotecas. Os primeiros, os contos de fadas. Nas noites de frio, ao ouvir uma história, era eu a própria protagonista: a alegria de ser salva pelo solidário passarinho… 
No início da escola primária, ao ler o conto dos Músicos de Bremen, meu temperamento naturalista rapidamente tomou partido daqueles quatro animais sofridos e, sem dúvida, com eles eu quis morar naquela casinha sem endereço na floresta…
Os livros influenciam a vida das crianças
De início a criança tem necessidade de ouvir histórias. O calor e a atenção que o adulto coloca quando conta um conto desperta na criança valores e qualidades importantes para o seu desenvolvimento emocional e psíquico. Por exemplo, perguntas fundamentais que movimentam o ser da criança podem ser respondidas através dos contos e suas imagens universais.
Criança leitora?
O livro infantil desempenha um papel fundamental na formação de leitores.
Na fase pré-leitor, por exemplo, muito importante é o hábito da contação… Quantas vezes o pai contará a mesma história na hora de fazer o filho pequeno dormir? Sei de crianças que precisam que o mesmo conto seja repetido por inúmeras semanas – e essa necessidade deve ser respeitada.
O leitor iniciante depende de um acesso fácil aos contos de fadas clássicos – Irmãos Grimm e Hans Christian Andersen são muito apropriados, assim como a boa poesia: Cecília Meireles, Mario Quintana, Manuel Bandeira, Manoel de Barros. Quantos aos leitores em processo e os fluentes, eles estão implicados com livros que ajudem a criança a dar solidez ao amor pela leitura.
Família e escola orientam o gosto pelo livro na infância
A família e os professores têm um papel fundamental para auxiliar as crianças a desenvolver o gosto pela leitura. Casa e escola devem insistir com carinho e atenção o contato das crianças com o mundo das letras, disponibilizando obras literárias que favoreçam o gosto pela leitura.
Quando eu era criança, meus pais eram agricultores. Não tinham o hábito da leitura. Contudo, felizmente, permitiram que minha grande alegria na infância fosse o livre acesso ao livro.
A caixa de livros que ganhei no aniversário de 9 anos foi o presente que mais me sensibilizou na infância e dela até hoje eu não esqueço. Gratidão à minha mãe. Parte da leitora que sou hoje devo à compreensão que ela teve sobre minha necessidade de livros. Com eles, conheci mundos e aprendi a entender melhor a mim mesma e aos outros.
por Eugênia Pickina

Fonte: http://www.oconsolador.com.br/ano13/661/cincomarias.html

sábado, 19 de outubro de 2019

JESUS ABENÇOA OS MENINOS





13 Então lhe foram apresentados vários meninos, para lhes impor as mãos, e fazer oração por eles.E os discípulos os repeliam com palavras ásperas.
14 Mas Jesus lhes disse: Deixai os meninos, e não embaraceis que eles venham a mim; por que destes tais é o reino dos céus.
15 E depois que lhes impôs as mãos, partiu dali.  (Mt 19:13-15)

Destes tais é o reino dos céus, significa que somente os que alcançaram a pureza e a inocência das crianças, estarão em estado de merecerem a felicidade, que se origina sempre de uma consciência sem mácula.
Estas palavras de Jesus também são uma ordem pra que as crianças seja instruídas em seu Evangelho, desde pequenas. Embaraçar as crianças e mesmo repeli-las para que não acerque de Jesus, simboliza a indiferença dos pais em não cuidarem da educação evangélica de seus filhinhos. Proceder assim é um erro de lamentáveis consequências espirituais; porque os pais se esquecem de indicar aos filhos o caminho que facilmente os conduziria a Deus.
É muito comum depararmos com pais espíritas, que militam as fileiras do Espiritismo como médiuns ou com pregadores, e não sabem encaminhar seus filhos para o caminho da espiritualidade e da evangelização, deixando-os entregues a si mesmos. O resultado é que os filhos inexperientes, privados do auxílio da experiência dos pais, deviam-se com facilidade, preparando colheitas de lágrimas e de sofrimentos para si próprios e para os pais que não souberam, ou não quiseram guia-los pelo caminho reto.
 Extraído do livro O Evangelho dos Humilde – Eliseu Rogonatti.


domingo, 18 de agosto de 2019

A INFÂNCIA


Comunicação espontânea do Sr. Nélo, médium, lida na Sociedade em 14 de janeiro de 1859.
Não conheceis o segredo que as crianças escondem em sua inocência; não sabeis o que são o que foram, nem o que serão; todavia, as amais, as quereis bem como se fossem uma parte de vós mesmos, de tal modo que o amor da mãe por seus filhos é reputado o maior que um ser possa ter por um outro ser. De onde provém essa doce afeição, essa terna benevolência que os próprios estranhos sentem para com uma criança? O sabeis? Não; é isso que vou vos explicar.

As crianças são seres que Deus envia em novas existências; e para que não lhe possam lançar em rosto uma severidade muito grande, lhes deu todas as aparências da inocência; mesmo numa criança de uma maldade natural são cobertos seus defeitos com a não consciência de seus atos. Essa inocência não é uma superioridade real sobre o que eram antes; é a imagem do que deveriam ser, e se não o são, é unicamente sobre elas que disso recai a pena.

Mas não foi somente por elas que Deus lhes deu esse aspecto, foi também, e, sobretudo, pelos seus pais, cujo amor é necessário à sua fraqueza, e esse amor seria singularmente enfraquecido à visão de um caráter colérico e rude, ao passo que crendo seus folhos bons e dóceis, lhes dão todas as suas afeições, e os cercam com os mais delicados cuidados. Mas quando as crianças não têm mais necessidade dessa proteção, dessa assistência que lhes foi dada durante quinze a vinte anos, seu caráter real e individual reaparece em toda a sua nudez; permanece bom se era fundamentalmente bom, mas se irisa sempre de nuanças que estavam escondidas pela primeira infância.

Vedes que os caminhos de Deus são sempre os melhores, e que, quando se tem o coração puro, é fácil conceber sua explicação.

Com efeito, pensai bem que o Espírito, das crianças que nascem entre vós, pode vir de um mundo onde tomou hábitos muito diferentes; como quereríeis que fosse ao vosso meio, esse novo ser, que vem com paixões diferentes daquelas que possuís, com inclinações, gostos inteiramente opostos aos vossos; como quereríeis que se incorporasse em vossas fileiras de outro modo do que Deus quis, quer dizer, pela peneira da infância? Ali se confundem todos os pensamentos, todos os caracteres, todas as variedades de seres engendrados por essa multidão de mundos nos quais crescem as criaturas. E vós mesmos, em morrendo, vos encontrareis em uma espécie de infância, no meio de novos irmãos; e na vossa nova existência não terrestre, ignorais os hábitos, os costumes, as relações desse mundo, novo para vós; manejareis com dificuldade uma língua que não estais habituado a falar, língua mais viva do que não é hoje vosso pensamento.

A infância tem, ainda, outra utilidade; os Espíritos não entram na vida corpórea senão para se aperfeiçoarem, se melhorarem; a fraqueza da juventude os tornam flexíveis, acessíveis aos conselhos da experiência, e daqueles que os devem fazer progredir; é, então, que se pode reformar seus caráter e reprimir seus pendores; tal é o dever que Deus confiou aos seus pais, missão sagrada pela qual terão de responder.

É assim que a infância é, não somente útil, necessária, indispensável, mas, ainda, a consequência natural das leis que Deus estabeleceu e que regem o Universo.

Nota: Chamamos a atenção dos nossos leitores sobre essa notável, dissertação, cuja alta importância filosófica será facilmente compreendida. Que da mais belo, de mais grandioso, que essa solidariedade que existe entre todos os mundos! Que de mais próprio para nos dar uma ideia da bondade e da majestade de Deus! A Humanidade cresce com tais pensamentos, ao passo que nós a explicamos a reduzindo às mesquinhas proporções de nossa vida efêmera e de nosso mundo, imperceptível entre os mundos.

Extraído: REVISTA ESPÍRITA - Jornal de Estudos Psicológicos - Coletânea Francesa – 1859 - ESCOLHOS DOS MÉDIUNS - DISSERTAÇÃO DE ALÉM-TÚMULO.



domingo, 4 de agosto de 2019

RESPEITO




Num futuro breve, quando a mulher se legitimar pelo que é por onde quer chegar, adquirirá o respeito – dos outros e de si mesma.


À medida que a criança cresce e se desenvolve no convívio familiar, ela reproduz ou copia tudo o que vê, ouve e observa. Os adultos servem de padrões, quer dizer, são modelos e exemplos. Por meio da identificação com os pais, tios, avós ou irmãos mais velhos, ou mesmo da imitação de seus atos e atitudes, a criança, de forma consciente ou inconsciente, modela-se firmemente no ambiente doméstico.

Socialização é o processo de adaptação do indivíduo ao grupo social; é o desenvolvimento das relações na vida grupal, caracterizado pelo espírito de coletividade e pelo sentimento de cooperação e solidariedade.

Particularmente na criança, a socialização se inicia a partir do momento em que o recém-nascido é conduzido para casa pelos pais. No entanto, não devemos esquecer que, desde a sua concepção, a alma, já ligada ao diminuto embrião humano, sofre forte influência do ambiente em que vive.
De acordo com Jean Piaget, cada criança, na fase da “socialização doméstica”, assimila e modela tudo o que a sensibiliza de acordo com sua individualidade – utilizando sua personalidade única e peculiar, o que irá distingui-la de todas as outras pessoas. Acontecimentos caseiros, atos e opiniões dos adultos, considerações sobre ética, religião, costumes, moral e filosofia, proibições e preconceitos, permissões e intolerância, tudo vai-se modelando na “argila plástica”, que é a mentalidade infantil, e delineando a criança dentro de preceitos, regras de conduta e de princípios que variam culturalmente, de família para família, e interiormente, de criança para criança. Mesmo nos gêmeos idênticos, o desenvolvimento psicossocial ocorrerá de forma diferenciada devido à bagagem espiritual que cada alma traz consigo – produto de suas vidas sucessivas.

Consulta Kardec a Espiritualidade Maior, na terceira parte, cap. IX, de O Livro dos Espíritos:


 De onde se origina a inferioridade moral da mulher em certos países? . E os Obreiros do Bem respondem: “Do império injusto e cruel que o homem tomou sobre ela”. É um resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre os homens pouco avançados, do ponto de vista moral, a força faz o direito.


As formações machistas que as crianças recebem na infância as influenciam durante toda a vida. Homens são treinados para serem fortes, corajosos, agressivos, seguros, bem-sucedidos e autossuficientes. Para os estudiosos do comportamento humano, o “estereótipo do macho” iniciou-se nas eras pré-históricas, quando os nossos antepassados do sexo masculino tiveram que abandonar o medo e disputar a corrida com os animais.

Machismo é um conjunto de normas, costumes, leis e atitudes baseado em regras socioculturais do homem, que tem por finalidade explícita e/ou implícita criar e manter a submissão da mulher em todos os níveis: afetivo, sexual, pro criativo, profissional.

Quando a mulher, nos seus mais diversos relacionamentos, romper com essa visão de que deve ser submissa, reclusa, frágil e dependente do homem, ela recuperará toda a estrutura de poder e o senso de iniciativa.

A “guerra dos sexos”, na maioria das vezes, tenta impor, com ou sem armas, a supremacia do homem sobre a mulher por meio da violência, clara ou dissimulada, salvaguardando interesses falocratas de mentalidades medievais.

O machista atual com tal, sem poder explicar seus atos ou perceber suas atitudes externas, porque não se dá conta das estruturas preconceituosas que internalizou nesta ou em outras existências. Ele se limita apenas a reproduzir ou pôr em prática tudo aquilo que viveu culturalmente no lar, na escola, no templo religioso, na cidade, no país, enfim em qualquer lugar ou situação que o tenha influenciado.
Muitas mulheres, de forma inconsciente, compartilham do machismo na medida em que não notam as estruturas psicológicas e “hegemonia masculina” que regulam suas relações afetivas e sociais. E podem reproduzi-las, sem perceber, na educação dos filhos, sejam eles homens ou mulheres, contribuindo dessa forma para que a ideia machista se perpetue automaticamente.

São muitos os provérbios humilhantes e os insultos irônicos endereçados às mulheres, estes acompanhados de risos sarcásticos e depreciativos. O “sexismo”- atitude de discriminação fundamentada no sexo – leva mulheres ingênuas, inseguras e dependentes a aceitar essas críticas mordazes como naturais, porquanto o modelo de educação em que organizaram seu mundo íntimo baseou-se nesses valores e crenças distorcidos.

A mulher precisa descobrir que não depende de ninguém para viver a própria existência, pois tem dentro de si uma extraordinária capacidade de fazer mudanças positivas. Ela, como o homem, tem um mundo diante de si, e todos podem crescer até onde permite sua capacidade, seu dom, seu talento nato. Todos nós estamos em constante mutação e nos transformamos todo o tempo nos aspectos físicos, mental, emocional e espiritual. Nada na Natureza permanece estático; tudo flui através dos processos da vida, dentro e em torno de nós.

Em muitas ocasiões, a mulher, em vez de reverter à situação desgostosa em que vive, tenta muar de forma superficial, apenas substituindo o cônjuge por outro, mas sem renovar seu modo de sentir, pensar e agir. Como não se preocupa em erradicar os velhos padrões ou crenças inadequados de seu mundo interior, corre o risco de atrair outro parceiro igual ou muito parecido com o que acaba de deixar. A lei de atração perpetua tanto alegria como tristeza para nossas vidas.

Não devemos jamais deixar que uma empresa, associação ou ligação afetiva, profissional ou de amizade, venha eclipsar nossa vida a ponto de desrespeitarmos quem somos.

Neste novo milênio, cabe à mulher recuperar sua dignidade e o respeito por si mesma. Descobri, verdadeiramente, que o respeito anda de mãos dadas com a autoestima e o bem-estar. Deve iniciar o processo – que muitas já o fizeram – de valorizar suas forças individuais e únicas, usando a energia interior para descobrir capacidades inatas e novos talentos adormecidos.

Constituições modernas já estabeleceram, há muito tempo, leis e direitos que firmam a igualdade entre os sexos. No entanto, essas leis e direitos só terão valor, e significado quando forem totalmente assimilados e colocados em prática por todos aqueles que os validaram.

É possível que determinadas pessoas discordem e não aceitem nossas ponderações, mas nem por isso tudo está perdido. A diversidade de opinião e a forma de olhar o mundo dependem da singularidade evolutiva de cada criatura.

O equilíbrio vai sendo pouco atingido. A visão g-machista gradativamente se desfaz, nascendo em seu lugar a amizade, o respeito e a cooperação entes seres humanos. Na estrutura social do porvir, pouco importará o sexo do indivíduo, pois todos serão igualmente valorizados e jamais oprimidos.
Num futuro breve, quando a mulher se legitimar pelo que é e por onde quer chegar, adquirirá o respeito – dos outros e de si mesma. Acreditar que alguém exista só para nos servir é uma visão egocêntrica e degradante da atual humanidade. Enquadrar pessoas em papéis sexuais nitidamente definidos – subserviência, inferioridade, subordinação -, usando-as como objeto que podem ser controlados e descartados é imensamente cruel e impiedoso. O amor cristão não considera os papéis sexuais, e sim encoraja todos os seres a exprimir a liberdade, o respeito e o amor uns pelos outros.

Cap. Respeito - Extraído do livro Os Prazeres da Alma – psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto – pelo espírito de Hammed
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