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sábado, 5 de março de 2011

O juiz Reto.

O respeitável juiz Eliaquim bem Jefté...


Lendo uma historinha ...

Ao tribunal de Eliaquim ben Jefté, juiz respeitável e sábio, compareceu o negociante Jonatam bem Cafar arrastando Zorobabel, miserável mendigo.
- Este homem - clamou o comerciante, furioso - impingiu-me um logro de vastas proporções ! vendeu-me um colar de pérolas falsas, por cinco peças de ouro, asseverando que valiam cinco mil. comprei as jóias, crendo haver realizado excelente negócio, descobrindo, afinal, que o preço delas é inferior a dois ovos cozidos. reclamei diretamente contra o mistificador, mas este vagabundo já se gastou o rico dinheiro. Exijo para ele as penas das justiça ! É ladrão reles e condenável ! ...
O magistrado, porém, que cultuava a Justiça Suprema, recomendou que o acusado se pronunciasse por sua vez:
- Grande juiz - disse ele, timidamente -. reconheço haver transgredido os regulamentos que nos regem. Entretanto, tenho meus dois filhos estirados na cama e debalde procuro trabalho digno, pois me recusam sempre, a pretexto de minha idade e de minha pobre apresentação. Realmente, enganei o meu próximo e sou criminoso, mas prometo resgatar meu débito logo que puder.
O juiz meditou longamente e sentenciou :
- Para Zorobabel, o mendigo, cinco bastonadas entre quatro paredes, a fim de que aprenda a sofrer honestamente, sem assalto à bolsa dos semelhantes, e, para Jonatan, o mercador, vinte bastonadas, na praça pública, de modo a não mais abusar dos humildes.
O negociante protestou, revoltado :
- Que ouço ?! Sou vítima de um ladrão de devo pagar por faltas que não cometi ? Iniquidade ! iniquidade ! ...
O magistrado, todavia, bateu forte com um martelo sobre a mesa, chamando a atenção dos presentes, e esclareceu, em voz alta:
- Jonatan ben Cafar, a justiça verdadeira não reside na Terra para examinar as aparências. Zorobabel, o vagabundo, chefe de uma família infeliz, furtou-te cinco peças de ouro, no propósito de socorrer os filhos desventurados, porém, tu, por tua vez, tentaste, apoderando-te de um objeto que acreditastes valer cinco mil peças de ouro ao preço irrisório de cinco. Quem é mais nocivo à sociedade, perante Deus : o mísero esfomeado que rouba um pão, a fim de matar a fome dos filhos, ou o homem já atendido pela bondade do Eterno, com os dons da  fortuna e da habilidade, que absorva para si uma padaria inteira, a fim de abusar, calculadamente, da alheia indigência ? Quem furta por necessidade pode ser um louco, ma que acumula riquezas, indefinidamente, sem movimentá-las no trabalho construtivo ou na prática do bem, com absoluta despreocupação pelas angústias dos pobres, muita vez passará por inteligente e sagaz, aos olhos daqueles que, no mundo, adormeceram no egoísmo e na ambição desmedida, mas é malfeitor diante do Todo-Poderoso que nos julgará a todos, no momento oportuno.
E, sob a vigilância de guardas robustos, Zorobabel tomou cinco bastonadas em sala de portas lacradas, para aprender a sofrer sem roubar, e Jonatan apanhou vinte, na via pública, de modo a não mais explorar, sem escrúpulos, a miséria, a simplicidade e a confiança do povo.
Extraído do livro Alvorada Cristã - psicografado por Chico Xavier.

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