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sexta-feira, 4 de março de 2011

Rebeldia.

A desobediêndia conduzira-o progressivamente ao crime e à loucura...


Lendo uma historinha ...

O pequeno rebelde amava a mãezinha viúva com entranhado amor; entretanto, iludido pela indiciplina, dava ouvidos aos conselhos perversos.
Estimava a leitura de episódios sensacionais, em que homens revoltados formam quadrilhas de malfeitores, nas cidades grandes, e, a qualquer página edificante, preferia o folhetim com aventuras desagradáveis ou criminosas. Engolfou-se em tantas histórias de gente má que, embora a palavra materna o convidasse ao trabalho digno, trazia sempre respostas negativas e rudes na ponta da língua.
- Filho - exclamava a senhora paciente -, o homem de bem acomoda-se no serviço.
- Eu não ! - replicava, zombeteiro.
- Vamos à oficina. O chefe prometeu ceder-lhe um lugar.
- Não vou ! não vou ! ...
- Mas já deixaste a escola, meu filho. É tempo de crescer e progredir no deveres bem cumpridos.
- Não fui à escola, a fim de escravizar-me. Tenho inteligência. Ganharei com menor esforço.
E enquanto a genitora costurava, até tarde, de modo a manter a casa modesta, o filho, já rapaz, vivia habitualmente na rua movimentada. Tomava alcoólicos em excesso e entregava-se a companhias perigosas que, pouco a pouco, lhe degradaram o caráter.
Chegava a casa, embriagado, altas horas da noite, muita vez conduzido por guardas policiais.
Vinha a devotada Mãe com o socorro de todos os instantes e rogava-lhe, no outro dia :
- Filho, trabalhemos dignamente. Todo o tempo é adequado à retificação dos nossos erros.
Atrevido e ingrato, resmungava :
- A senhora não me entendo. Cale-se. Só me fala em dever, dever, dever ...
A pobre costureira pedia-lhe calma, juízo e chorava, depois, em preces.
Avançando no vício, o rapaz começou a roubar às escondidas. Assaltava instituições comerciais, onde sabia fácil o acesso ao dinheiro; tentou aconselhá-lo, gritou :
- Mãe, não preciso de suas observações ! Deixá-la-ei em paz e voltarei, mais tarde, com grande fortuna. Dar-lhe-ei casa, roupa e bem-estar com fartura. A senhora tem o pensamento preso a obrigações porque, desde cedo, vem atravessando vida miserável.
Assim dizendo, fugiu para a via pública e não regressou ao lar.
Ninguém mais soube dele. Ausentara-se, definitivamente, em direção a importante metrópole, alimentando o propósito de furtar recursos alheios, de maneira a voltar muito rico ao convívio maternal.
Passou o tempo.
Um. dois, três, quatro, cinco anos ...
A Mãezinha, contudo, não perdeu a esperança de reencontrá-lo.
Certo dia, a imprensa estampou nos jornais o retrato de um ladrão que se tornava famoso pela audácia e inteligência.
A costureira reconheceu o endereço e, porque fosse difícil localizá-lo rapidamente, a senhora tomou quarto num hotel, a fim de esperar.
Na terceira noite em que aí se encontrava, notou que um homem embuçado lhe penetrava o aposento às escondidas. Aproximou-se apresado pra surripiar-lhe a  bolsa. ela tossiu e ai gritar por socorro, quando o ladrão, temendo as consequências, lhe agarrou a garganta e estrangulou-a.
Nos estertores da morte, a costureira reconheceu a presença do filho e murmurou, debilmente :
- Meu ... meu ... filho ...
Alucinado, o rapaz fez luz, identificou a Mãezinha já morta e caiu de joelhos, gritando de dor selvagem.
A desobediência conduzira-o, progressivamente, ao crime e à loucura.
Extraído do livro Alvorada Cristã - Neio Lúcio - psicografado por Chico Xavier.

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