Quando você ensina, transmite. Quando você educa, disciplina. Mas quando evangeliza, salva.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Espiritismo e Educação





Os meios de comunicação, principalmente a internet, proporcionaram uma alavanca em nosso desenvolvimento intelectual. Criamos o hábito de não mais guardar dúvidas, vamos para frente do computador e fazemos nossas pesquisas. 
E no meio de tantas informações, aprendemos a garimpar aquilo que achamos de valor, formando lentamente nossas opiniões.
Temos essa autonomia, somos Espíritos criados para aprender, e dentro de nós, temos um sábio juiz que está sempre nos sinalizando às escolhas. A nossa consciência.
Isso é muito bom! 
A cada dia vamos percebendo que o Espiritismo é simples é lógico, nos mostra como somos responsáveis por nos mesmos. Nos faz "gente grande".
Mais uma vez a clareza de Dora Incontri  [1] chegou aos meus olhos, e como não deixar de compartilhar tamanho ensinamento, onde o Espiritismo é a Educação do Espírito e a importância nas escolas do ensino do Cristo, sem dogmas, rituais, sectarismo. Somente o amor em seu sentido mais puro de expressão. Boa leitura. 
Elaine Saes


O espiritismo, segundo Allan Kardec, pretende ser ao mesmo tempo:

  1.  Uma ciência, que demonstra através do estudo empírico dos fenômenos mediúnicos a existência dos espíritos e sua atuação sobre o mundo; 
  2. Uma filosofia, que propõe uma cosmovisão evolucionista e reencarnacionista; 
  3. E uma religião, sem dogmas, rituais e sacerdócio organizado, que faz uma releitura do cristianismo e prega uma prática religiosa centrada na moral e na ligação direta do homem com Deus.

Para além dessas três dimensões, porém, ou como resultante de todas elas, o espiritismo tem um caráter eminentemente pedagógico. [2] Não só porque seu fundador, Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), depois Allan Kardec, tenha sido um grande educador francês, seguidor da proposta de Pestalozzi, seu mestre. Mas porque o cerne da filosofia espírita é uma proposta de educação do espírito.

O espiritismo não entende o devir humano, como uma história de salvação, segundo o conceito do cristianismo tradicional, mas como uma história de evolução. O homem foi criado simples e ignorante e está destinado a conquistar a perfeição, através do aprendizado de múltiplas vidas sucessivas. Não houve uma tragédia inicial de queda e nem a necessidade de uma intervenção divina, para a redenção das criaturas. 

Tudo corre conforme previsto pelo Criador. A humanidade está em processo educativo, aprendendo, através da ação livre no mundo, a crescer espiritualmente, a fazer desabrochar as virtudes e a sabedoria que serão suas, quando atingir o alvo evolutivo a que Deus nos destinou. Todo mal e todo desvio de rota estão por nossa conta, mas são males e desvios passageiros, porque a imanência de Deus em nós garante mais dia, menos dia, a volta ao caminho da perfeição. Perde-se a tragicidade do drama do pecado, da queda; ganha-se em autonomia para o ser, pois que de nós depende quando e como vamos aderir a esse projeto de perfeição e felicidade, para o qual fomos criados.

*

Uma proposta pedagógica espírita

Se lemos o espiritismo com olhos pedagógicos, como foi escrito por Kardec e teorizado e praticado por iniciadores da pedagogia espírita no Brasil (tais como Eurípedes Barnanulfo, Anália Franco, Herculano Pires, Ney Lobo e outros) veremos que se podem deduzir alguns princípios fundamentais, que aqui, didaticamente, resumo em três. Esses princípios podem ser extraídos da cosmovisão espírita, mas não por acaso, aparecem em três clássicos da Educação, de que Kardec foi herdeiro: Comenius, Rousseau e Pestalozzi.
Se o espiritismo entende o percurso da alma humana através do tempo, como um processo educativo, deflagrado por Deus, compreendido como Pai, então deve haver uma pedagogia divina. Esta pedagogia tem três parâmetros:

  1.  A liberdade: fomos lançados livres no universo, com o direito e o dever de construirmos a nós mesmos e cultivarmos as sementes de divindade que trazemos em nós;
  2.  A ação: somos livres, para agir no mundo e é através da ação, que promovemos o nosso aprendizado, experimentando situações e vivências, em diversas vidas, até adquirirmos sabedoria e virtude;
  3.  O amor: embora Deus tenha nos criado livres para agir, não nos deixou ao abandono, cerca-nos com seu amor incessante, enviando seus mensageiros, para ensinar ao homem a verdade e o bem, colocando ao nosso lado Espíritos que nos amam e orientam e intervindo junto a nós como Providência, que nos acompanha.


São esses três princípios, pois, que podemos erigir como fundadores de uma proposta pedagógica espírita: respeitar a liberdade e a individualidade da criança, que deve agir para aprender (e isso vai desde a aplicação prática de fórmulas matemáticas até o exercício das virtudes), mas essa ação livre deve ser acompanhada pelo amor dos educadores, empenhados em incentivar e cultivar o lado bom dos educandos, com atenção, diálogo, observação e autoridade moral.

Dentro dessa filosofia educacional, como se apresenta o ensino da religião?

O espiritismo reconhece que a dimensão espiritual do ser humano é essencial para o seu desenvolvimento integral. Ao mesmo tempo, Kardec não queria que a doutrina espírita tivesse um caráter proselitista[3] (embora isso nem sempre seja seguido por seus adeptos), pois o respeito à liberdade de consciência é quesito absoluto da ética por ele proposta. Herculano Pires que lutou na década de 60, pela escola laica, (sem nenhum princípio de caráter religiosogratuita e obrigatória, diante da necessidade de se recuperar o aspecto espiritual na educação, propõe que:
“…não podemos ter Educação sem Religião, o sonho da Educação Laica não passou de resposta aos grandes equívocos do passado (…). O laicismo foi apenas um elemento histórico, inegavelmente necessário, mas que agora tem de ser substituído por um novo elemento. E qual seria essa novidade? Não, certamente, o restabelecimento das formas arcaicas e anacrônicas do ensino religioso sectário nas escolas. Isso seria um retrocesso e portanto uma negação de todas as grandes conquistas (…). Reconhecendo que a Religião corresponde a uma exigência natural da condição humana e a uma exigência da consciência humana, e que pertence de maneira irrevogável ao campo do Conhecimento, devemos reconduzi-la à escola, mas desprovida da roupagem imprópria do sectarismo. Temos de introduzir nos currículos escolares, em todos os graus de ensino, a disciplina Religião ao lado da Ciência e da Filosofia. Sua necessidade é inegável, pois sem atender aos reclamos do transcendente no homem não atingiremos os objetivos da paidéia grega: a educação completa do ser para o desenvolvimento integral e harmonioso de todas as suas possibilidades.” (PIRES, 1985:40)

Bibliografia:

  • AUGUSTIN. A Work on the Proceedings of Pelagius. 415.  http://www.ccel.org/fathers/NPNF1-05/c5.1.htm
  • JOHNSON Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago, 2001.
  • KARDEC, Allan. Obras póstumas. São Paulo, Edicel, 1971.
  • ORIGÈNE. Traité des principes. Paris, Études Augustiniennes, 1976.
  • PIRES, J. Herculano. Pedagogia Espírita. São Paulo, Edicel, 1985.
  • RIVAIL, H.-L.-D. Textos pedagógicos. Tradução Dora Incontri. São Paulo, Comenius, 1997.
  • RUBENSTEIN, Richard E. Le jour où Jésus devint Dieu. Paris, Éditions la Découverte, 2001.
  • WILLIAMS,  Kevin. Christian reincarnation, the long forgotten doctrine. 2002. http://www.near-death.com/origen.html
 [1] Dora Incontri (S.P., 1962) é uma jornalista, escritora brasileira. é doutora em educação pela Universidade de São Paulo. É um nome da Pedagogia espírita. Por todo o Brasil, participa de seminários proferindo palestras embasadas neste tema.
 [2] Essa era a tese de José Herculano pires, umdos grande intérpretes do espiritismo no Brasil e defensores da pedagogia espirita. essa foi a tese que pretendi demonstrar em meu doutorado: INCONTRI, Dora Pedagogia espirita, um projeto brasileiro e suas raizes histórico-filosóficas. Tese de doutorado. S.P, FEUSP, 2001.
  [3] O proselitismo ( do latim esclesiástico prosélytus, que por sua vez provém do é o intento, zelo, diligência, empenho ativista de converter uma ou várias pessoas a uma determinada causa, idéia ou religião (proselitismo religioso) grego προσήλυτος) 

fonte:http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/educacao/espiritismo-e-educacao.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Proselitismo


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