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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Lindos Casos de Chico Xavier



Atendendo a instruções de Emmanuel, Chico Xavier inicia os trabalhos no Centro Espírita Luiz Gonzaga às oito da noite, encerrando-os às dez horas, enquanto frequentou sozinho a instituição.
Fazia a prece de abertura, orava e, depois, lia páginas de O Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec, comentando-as, em voz alta, para os desencarnados.

Pessoas da família indagavam sobre aquela resolução de “falar sozinho”, entretanto o Médium explicava:

- Há muitos espíritos frequentando a casa. Chegam desconsolados e tristes e Emmanuel afirma que a obra de evangelização é necessária a todos nós. Não podemos parar...

Certa noite, uma senhora desencarnada em Pedro Leopoldo conversava com o Chico no salão do Centro, em que ele se achava aparentemente sozinho e o diálogo seguia, curioso:

 - Tenhamos fé em Jesus, minha irmã. Não desespere. Com a paciência alcançaremos a paz. Sem calma, tudo piora. Com o tempo, a senhora verá que tudo está certo, como está.
A conversação prosseguia assim, quando uma das irmãs do médium, escutando-lhe a palavra, debruçada em janela próxima, perguntou-lhe em voz alta:

- Chico, quem está conversando com você?
- Dna Chiquinha de Paula.
- Que história é esta? Dona Chiquinha já morreu...
- Ah! Você é que pensa... Ela está bem viva.

A irmã do rapaz, alvoroçada, comunicou aos familiares o que ocorria.
Chico devia estar maluco. Era preciso medicá-lo, socorrê-lo.
Outras irmãs do médium, porém, apressaram-se a observar que ele trabalhava, corretamente, todos os dias.

Seria justo dar por louco um irmão que era amigo e útil? Ficou então estabelecido em família que, enquanto o Chico estivesse firme no serviço, ninguém cogitaria de considerá-lo um alienado mental.
Desse modo, o Chico Xavier costuma dizer que o trabalho de cada dia, com a bênção de Deus, tem sido para ele a melhor segurança.

Do livro Lindos casos de Chico Xavier, de Ramiro Gama.
Extraído http://www.oconsolador.com.br/ano12/585/umminutocomchico.html

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Da arte de ser pais sob a visão espírita




A vida educa. Mas a vida que educa não é uma questão de palavras, e sim, de ação. É atividade
. J. H. Pestalozzi

Ninguém duvida que a missão da paternidade e da maternidade é séria e envolve amor e compromisso, menos egoísmo e mais altruísmo.

A visão de que a criança é um ser reencarnado deve fortalecer afeto, empenho e responsabilidade por partes dos pais. Com bastante atenção, sobretudo no primeiro setênio, os pais podem identificar as tendências que a criança revela desde muito cedo, procurando sondar seus talentos, suas dificuldades, e para incentivar uns e corrigir respeitosamente os outros, sem uso de impaciência, negligência ou violência.

A criança é um Espírito antigo (é detentora de individualidade e possui herança própria) e também é psiquismo novo, que responde, de modo maleável, à influência direta dos pais e, por isso, a importância dos exemplos cotidianos. Pais presentes, amorosos, responsáveis, favorecem o desenvolvimento rico, alegre e saudável; pais ausentes, infantilizados, autoritários geram marcas dolorosas de ansiedade, medo, violência, insegurança – e que são os nítidos sinais de quem, sem disposição para ser pai ou mãe, agride e macera com seu egoísmo, seu desamor, a vida de alguém.

À medida que os Espíritos estão puros e inocentes durante a etapa da infância, e para que possam se reconstruir a partir da educação, os pais precisam se conhecer e se cuidar para receber um filho ou uma filha enxergando sua natureza única, que demanda neutralidade, perseverança e paciência no dia a dia. Pois educar dá trabalho, exige esforço amoroso por parte dos pais e que vai além de trocar fraldas ou, no tempo devido, matricular a criança em escolas para a hora da instrução e do início da vida social.

Antes de ter um filho seria maravilhoso se as pessoas se reservassem no mínimo um ano para se observarem profundamente, para praticarem introspecção e preparação – e para decidirem então, com honestidade, se estarão realmente disponíveis para acolher um ser humano que deverá, de novo, experimentar o estágio no planeta Terra a fim de se tornar mais pleno de coração, mente e mãos.

Por sermos humanos, cometemos erros. Porém, quando nos dispomos a ser pais, a fazer uso de um amor vidente, cientes de que o ser humano necessita dar conta da vida encarnada, pois quando morrer viverá como viveu na Terra, procuramos, com disposição resiliente, criar uma convivência familiar que valorize as aspirações do Espírito que aceitamos acolher e para ajudá-lo a alcançar, não as nossas expectativas, mas sim os seus reais propósitos evolutivos.  

Notinhas
Inovador na educação, Pestalozzi lançou as bases da educação moderna ao conceber um sistema de ensino prático e flexível, que procurava estimular as faculdades intelectuais e físicas da criança. Para ele, só o amor tinha força capaz de levar o ser humano à plena realização moral. É ele quem pondera, por exemplo, que os pais devem receber um filho com amor vidente e para ajudá-lo a alcançar sua autonomia para bem servir à vida. Segundo Pestalozzi, o processo educativo deveria englobar três dimensões humanas identificadas com a mente (intelectual), a mão(físico) e o coração (afetivo ou moral).

Herculano Pires, em sua Pedagogia Espírita, explica: “é preciso não esquecer que as crianças são Espíritos reencarnados, Espíritos adultos que se vestem, como ensina Kardec: ‘como roupagem da inocência’ para voltarem à Terra e iniciarem uma vida nova”.


Eugênia Pickina


Extraido http://www.oconsolador.com.br/ano12/585/cincomarias.html


quinta-feira, 13 de setembro de 2018

AMIGOS PARA SEMPRE - (tema Perdão)


Carlinha costumava sempre brincar com seu vizinho, Hugo, que era bom, mas muito arteiro.

Um dia, Hugo ficou com raiva de Carlinha porque ela não quis brincar de esconde-esconde com ele, preferindo a companhia de uma amiguinha.

As meninas estavam brincando de casinha, quando o garoto, furioso, chegou, agarrou a boneca de Carlinha e saiu correndo com ela. A garota abandonou a amiga e saiu atrás dele. Quando conseguiu alcança-lo a boneca estava estraçalhada: braços para o lado, pernas para o outro e a linda roupa, rasgada.

Carlinha pegou os restos da boneca de estimação e correu para casa, chorando muito.
- O que aconteceu, minha filha? – perguntou a mãe ao vê-la chegar aos gritos. Carlinha contou o que tinha acontecido, afirmando entre soluços.

- Nunca mais vou brincar com o Hugo. Nuca mais quero vê-lo. Nunca o perdoarei, mamãe.
A mãezinha pegou a filha no colo com imenso carinho, consolando-a.

- Sei que está sofrendo, filhinha, mas isso passa. Ele gosta de você e ficou com ciúmes, por isso reagiu assim. Vocês são tão amigos! Logo estarão juntos de novo.

Mas a pequena afirmava, decidida: 

- Nunca, mamãe. Hugo não é mais meu amigo.

- Carlinha, boneca a gente pode comprar outra, minha filha. Mas uma amizade não tem preço. Algum dia você vai entender isso – ponderou, com calma.

Percebendo, porém, que naquele momento não adiantava dizer mais nada, pois a filha estava muito magoada, a senhora calou-se.

Dois dias depois, Carlinha estava triste e desanimada. Sozinha, não tinha ânimo para brincar, uma vez que perdera seu grande amigo.

Notando sua tristeza, a mãe sugeriu:

-Carlinha, porque não faz as pazes com Hugo? Ele já veio procura-la e você não quis brincar nem falar com ele.

- Não consigo mamãe.

A mãe, que estava preparando o almoço, parou e disse:

- Minha filha, que tal comprar uma bola nova para o Hugo? Ele vai gostar:

-Ah, mamãe! Ele destrói minha boneca preferida e eu ainda tenho que dar um presente a ele?

- Sabe por que, minha filha? Você estará fazendo um bem a ele. Hugo também está triste, se sentindo culpado pelo que lhe fez.

- Está bem. A professora de Evangelização disse outro dia que temos que praticar a caridade.

- Exatamente – concordou a mãe, sorrindo.

Mais tarde saíram e compraram uma linda bola. Depois, Carlinha foi levar o presente para ele, selando a paz entre eles.

Ao voltar, a mãe perguntou:

- Como foi seu encontro com Hugo, Carlinha?

A menina pensou um pouco e respondeu:

- Mais ou menos. Ele gostou da bola e pediu-me desculpas pela boneca quebrada.
- E você não ficou contente?

Carlinha ficou calada, pensativa.

Depois, contou:

- Sabe mamãe. Fizemos as pazes, mas aqui dentro, bem no fundo – e colocou a mão no coração – ainda estou triste e magoada.

A senhora abraçou a filha, explicando:

- É que você ainda não o perdoo, minha querida. Lembra-se que falou que iria fazer um bem a ele, isto é, um gesto de caridade? Pois bem.

Você fez a caridade mais fácil que é a material. Mas tem a caridade maior e mais difícil de ser praticada, que é a caridade moral especialmente, o perdão.

- É verdade. Ainda não o perdoei realmente.

- Para seu bem, procure esquecer o que ele lhe fez. Enquanto não perdoá-lo, você não será feliz, minha filha. 

- Vou tentar mamãe.

Alguns dias depois, Hugo foi procurar Carlinha. Trazia um pacote nas mãos.

- Isto é para você, Carlinha. Sei que não é a mesma coisa, mas gostaria que você aceitasse.

A menina abriu e viu uma linda bonequinha, nova em folha.

- É linda, Hugo! Como conseguiu?

O menino, com olhos brilhantes e o peito estufado de satisfação contou:

-Quando quebrei sua boneca me senti muito mal. Você sabe que somos pobres e mamãe não teria dinheiro para lhe comprar outra boneca. Mas, eu queria reparar meu erro. Pedi ajuda a algumas pessoas amigas, e comecei a trabalhar para ganhar alguns trocados.

Lavei carros, limpei jardins, varri calçadas, entregue encomendas, arrumei cozinha, cuidei de cachorros, e muito mais. Assim, consegui comprar, com meu esforço, essa boneca para você.

Carlinha estava surpresa. Não pensou que ele tivesse ficado tão abalado.

- Você não diz nada, Carlinha. Aceite o presente, com meu pedido de desculpas. Estou muito arrependido. Por favor!

Olhou o garoto que, à sua frente, suplicava com lágrimas nos olhos, a menina aproximou-se dele e deu-lhe um grande abraço.

-Claro que eu o perdoo, Hugo. Somo amigos e a amizade não tem preço.

Naquele instante, Carlinha sentiu que de dentro do seu peito uma nuvem escura se desprendia, enquanto uma pequena luz começava a brilhar.

E completou com um sorriso:

- Agora somos amigos para sempre! 

Tia Célia

Extraído do Jornal o imortal set 2018



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