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domingo, 7 de outubro de 2018

EDUCAÇÃO NO LAR



17. Após defender a tese de 1ue não podemos restringir essa tarefa apenas ao âmbito familial, Herculano adverte que a preocupação dos cursos de evangelização da infância, no meio espírita, não é nem pode ser a da transmissão de princípios, mas apenas a de preparação do espírito infantil para o bom aproveitamento da sua atual encarnação. A Orientação moral não é uma preparação filosófica, mas um processo de integração das novas gerações em determinado sistema de vida, a fim de que possam beneficiar-se com as experiências e conquistas das gerações anteriores. (pag. 15 e 16)

18. A educação espírita começa no lar. Nas famílias espiritas é dever dos pais iniciar os filhos nos princípios doutrinários desde cedo. A falta de compreensão da doutrina faz que certas pessoas pensem que as crianças não devem preocupar-se com o assunto. Tais pessoas se esquecem de que seus filhos necessitam de orientação espiritual e que essa orientação será tanto mais eficiente quanto mais cedo lhes for dada. É preciso não esquecer que as crianças são espíritos reencarnados, espíritos adultos que se vestem “com a roupagem da inocência” para iniciarem uma vida nova. (pág. 16 e 17)

19. Ensinar às crianças o princípio da reencarnação, da lei de causa e efeito, da presença do anjo guardião em suas vidas, da comunicabilidade dos Espíritos e assim por diante, é um dever inalienável dos pais. As crianças já trazem consigo o germe desses conhecimentos e estão mais próximas do mundo espiritual que os adultos. O maior patrimônio que os pais podem legar aos filhos é o conhecimento de uma doutrina que vai garantir-lhes a tranquilidade e a orientação certa no futuro. (pág.17)

20. A melhor maneira de desenvolver a educação espírita no lar é organizar festinhas domingueiras com prece, recitativos infantis de tema evangélico, explicação de parábolas, canções espíritas e brincadeiras criativas que ajudem a despertar a criatividade das crianças. Essas festinhas preparam o espírito da criança para as aulas no Centro e na escola. (pág.18)

21. Esconder às crianças de hoje a verdade espírita é cometer um verdadeiro crime contra o seu progresso espiritual e a sua integridade na cultura espírita do novo mundo que está nascendo. A educação no lar é à base de todo progresso posterior de educação escolar e de educação social que os jovens irão enfrentar na vida. (pág. 18)

Extraído do livro Pedagogia espírita - Herculano Pires
http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/estudosespiritas/principal.html 


CONDIÇÕES DA CRIANÇA


As condições de aprendizado da criança variam numa escala progressiva, segundo o seu desenvolvimento psicossomático. Determinar uma idade-limite em que essas fases se sucedem é temerário. As escalas ontogenéticas são bastante flexíveis, mas no campo específico da psicogenética verifica-se uma continuidade ente a percepção e o desenvolvimento da representação (pag 13)

 No tocante ao desenvolvimento da linguagem, diz René Hubert, ela acompanha o desenvolvimento da inteligência. A inteligência infantil se manifesta progressivamente, passando da fase sensória-motora para a fase prática, desta para a representativa e desta para abstrata. Mas está sempre atuante no desenvolvimento orgânico e psíquico. (pag.13) 

Enfrentando o problema na posição materialista, podemos negar à criança a capacidade de compreensão de certos princípios abstratos,mas, enfrentando-o numa posição espírita, teremos de admitir suas possibilidades latentes. (pag. 13) 

É preciso, porém, lembrar que a evangelização da infância não é nem pode ser feita em termos de pura abstração, o que seria um ilogismo. Daí o apelo muito justo e pedagógico às historietas figuradas. (pag.14) 

Trata-se de uma técnica audiovisual de inegável eficiência e seu objetivo não é a transmissão dos princípios doutrinários, mas o despertar da criança para a compreensão de realidades que ela já traz no inconsciente, na memoria profunda que guarda as vivência do passado. (pag. 14) 

A função da historieta é a mesma da maiêutica de Sócrates e lembra o acordar da reminiscência platônica na mente do Espírito encarnado.(pag.14) 

Essa função corresponde precisamente ao objetivo real da educação, que não é transmitir ensinamentos, mas predispor a mente a recebê-los através da instrução e assimilá-los na formação cultural. Por isso, a evangelização da criança não pode ser encarada como ato de imposição ou de violência. Nenhuma aula de evangelização espírita impõe dogmas de fé nem pretende realizar a internalizaçao dos princípios espíritas. Sua finalidade é o contrário: despertar na criança as suas forças interiores e fazê-las aflorar no plano da consciência. O que se pode é enriquecer essas aulas com as contribuições do Método Montessori, criando um ambiente estimulante e juntando às historietas outros elementos sensoriais, de acordo com as faixas etárias dos alunos. Os trabalhos de Maria Montessori e sua teoria educacional corresponde em grande para às aspirações e objetivos da evangelização espírita das crianças. (pag. 14)
***

Extraído do livro Pedagogia espírita - Herculano Pires

http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/estudosespiritas/principal.html

PENAS E GOZOS FUTUROS - Caibar Schutel



Como compreender as penas e gozos futuros?
As penas e gozos futuros são consequências dos nossos atos. A razão nos diz que na partilha da felicidade, que todos desejam, os bons e os maus não podem receber o mesmo quinhão.

No que consiste os gozos no Outro Mundo?
A maior de todas as felicidades consiste no cumprimento do dever. Em segundo lugar está o uso que podemos fazer de tudo que lá existe, sem detrimento da Lei Divina.
Além disso, há passeios agradabilíssimos, viagens de recreio e de instrução. Os gozos no Além, não sendo materiais como os do nosso mundo, são, entretanto, mais requintados do que os que podemos experimentar aqui na Terra.

No que consiste as penas?
Na privação dos gozos, na falta de liberdade, no remorso pelos crimes praticados, e pelas más ações, nas condições de infelicidade em que ficam os relapsos que não quiseram estudar e praticar a Caridade, na ignorância a que se entregaram pela sua indolência.

Neste caso não há céu, purgatório, ou inferno como ensinam as religiões?
A razão nos diz que não. O sofrimento não está localizado aqui ou ali; é uma condição do Espírito que infringe a Lei Divina. Não vemos, mesmo neste mundo, como o sofrimento é mais em uns que em outros, embora estejam no mesmo lugar? Cada um colhe, na Outra Vida, o que semeou.


“Quem semeia ventos, colhe tempestades’.

Extraído da obra ESPIRITISMO PARA CRIANÇAS Cairbar Schutel



sábado, 6 de outubro de 2018

CRIANÇAS E NATUREZA: EXPERIÊNCIA VITAL




“Nenhuma descrição, nenhuma ilustração de qualquer livro pode substituir a contemplação das árvores reais...” Maria Montesso.


Muitas crianças saem de casa de manhã para ir à escola, regressar à tarde e no momento de brincar usam as telas eletrônicas. O resultado? Mais e mais crianças que deixam dia a dia de brincar livremente em contato com a natureza, especialmente nas grandes cidades, sem oportunidade de desenvolver-se de um modo mais feliz e pleno.

Estudos diversos apontam que são as experiências com a natureza que estimulam, na infância, o desenvolvimento cognitivo e emocional. Por isso, a criança que não vivencia um contato regular com o mundo natural perde capacidade de exploração, de criatividade de destreza para os desafios da convivência e a resolução de problemas. Além disso, hoje também é sabido que as crianças que crescem em contato com a natureza adoecem menos, têm melhor concentração e autodisciplina, melhor coordenação física, equilíbrio e agilidade, são mais imaginativas, mais observadoras, mas empáticas, agradecidas e demonstram maior capacidade de paz interior. Já as crianças que vivem enclausuradas, que brincam com habitualidade nos espaços artificiais, são mais suscetíveis a alergias, sobrepeso, obesidade, crescem pessoas ansiosas e agitadas, são mais inseguras e se entediam com mais facilidade.

Correr, cair, levantar, exercitar os músculos e sentidos, colocar-se à prova, reconhecer insetos, plantas, sementes, colecionar, pedrinhas são estímulos para o cérebro e também para as emoções. Porque tocar uma folha, cheirar uma flor, contemplar uma grande árvore, aproximar-se de uma borboleta ou de um bonito riozinho, essas experiências diversas, permeadas de estímulos naturais, provocam na criança, sensações que suscitam emoções, que, por sua vez, ajudam a edificar virtudes, conhecimentos e memorias – mas as ricas memórias.

Crianças que vivem em contato com a natureza são, sem dúvida, mais felizes e mais conscientes do ponto de vista ambiental. Crescerão, portanto, mais inclinadas à paz, à compreensão e ao respeito uns pelos outros.


Notinhas
Richard Louv é o fundador da Children & Nature Network, organização que promove um movimento global para conectar crianças, famílias e comunidades à natureza, por meio de ideias inovadoras e colaboração. Ele oferece, por exemplo, dicas para a família levarem o contato com a natureza para a sua rotina (e mesmo nas grandes cidades): ensine esperança; valorize a natureza, onde quer que você esteja; combata a preguiça de sair de casa em dias de chuva e frio; estimule seu filho a expandir seus perímetros; fortaleça redes para ressignificar espaços (em São Paulo, por exemplo, em alguns bairros as ruas são fechadas nos domingos para as crianças brincarem livremente – e são denominadas “Rua do Lazer”).

por Eugênia Pickina

Extraído http://www.oconsolador.com.br/ano12/588/cincomarias.html

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

POR AMOR À CRIANÇA




Nós que tantas vezes rogamos o socorro da Providência Divina, oremos ao coração a Mulher, suplicando pelos filhinhos das outras! Peçamos às seareiras do bem pelas crianças desamparadas, flores humanas atingidas pela ventura do infortúnio, nas promessas do alvorecer!...

Pelas crianças que foram enjeitadas nos becos de ninguém;

Pelas que vagueiam sem direção, amedrontadas nas trevas noturnas;

Pelas que sugam os próprios dedos, contemplando, por vidraças faustosas, a comida que sobeja desperdiçada;

Pelas que nunca viram a luz da escola;

Pelas que dormem, estremunhadas, na goela escura do esgoto;

Pelas que foram relegadas aos abrigos de lama e se transformam em cobaias de vermes destruidores;

Pelas que a tuberculose espia, assanhada, através dos molambos com que se cobrem;
Pelas que se afligem no tormento da fome e mentalizam o furto do pão;

Pelas que jamais ouviram uma voz que as abençoasse e se acreditam amaldiçoadas pelo destino;

Pelas que foram perfilhadas por falsa ternura e são mantidas nas casas nobres quais pequenas alimárias constantemente batidas pelas varas da injúria.

E por aquelas outras que caíram desorientadas, nas armadilhas do crime e são entregues ao vício e à indiferença, entre os ferros e os castigos do cárcere!

Mães da Terra, enquanto vos regozijas no amor de vossos filhos, descerrai os braços para os órfãos de mãe!... Lembremos o apelo inolvidável do Cristo, “Deixai vir a mim os pequeninos”. E recordemos, que se, o homem deve edificar as paredes imponentes do mundo porvindouro, só a mulher poderá convertê-lo em alegria da vida e carinho do lar.

Emmanuel – Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 25 de setembro de 2018

CRIANÇA EVANGELIZADA, ADULTO CONSCIENTE E FELIZ.


Entrevista com Sonia Maria Franco Bossolani – por Orson Peter Carrara


Sonia Maria Franco Bossolani espírita desde 1990, natural de Araquara (SP), onde reside, é Gestora Social. Vinculada ao Centro Espírita e Assistencial Paulo de Tarso, nele integra o Conselho Fiscal. De suas reflexões sobre a transformação do planeta, a partir da vontade e do amparo à criança, suas respostas são valiosas ferramentas para uso do leitor.


Per.: De que forma considera a contribuição do conteúdo espírita para transformação do atual estado moral no planeta?
A doutrina espírita é o melhor caminho que temos no momento para a regeneração planetária. Ela traz na sua essência os ensinamentos do Cristo e a concretização da Sua promessa contida em João, XIV de 15 a 17 e 26, sobre a chegada do Consolador Prometido, vindo para ensinar todas as coisas e nos lembrar de tudo que Jesus nos disse. Portanto, vivenciar a doutrina espírita é viver com Jesus.

Per.: Considerando que uma mudança geral inicia-se pela mudança individual, como entender isso na prática?
Através da transformação comportamental decorrente da reforma íntima. Observo no meio cotidiano em que vivo que as pessoas estão mais amorosas. Trabalho há vinte anos numa ONG com crianças provenientes de famílias de baixa renda a vulnerabilidade social. As transformações neste período, o qual não considero tão longo assim, foram significativas. No início tínhamos menos informações de qualquer gênero e fatores como doenças graves, drogas, violências domésticas não estavam tão próximas das famílias como hoje. Mesmo assim, nota-se que as crianças estão mais amorosas, mais afetivas, embora demonstrem certa violência decorrente das suas vivências. Trabalhando e agindo amorosamente em nós e, em seguida, com todas as pessoas ao nosso redor, conseguiremos, mesmo que a passos lentos, essa transformação individual e coletiva.

Per.: Estamos nos tornando pessoas melhores?
Apesar do grande volume de fatos tristes que vemos através da mídia, tenho grande confiança que estamos nos tornando pessoas melhores. Ouço constantemente que somos todos oportunistas e corruptos e tudo o que está ocorrendo em nossos pais e no mundo é decorrente da sociedade e não de uma parcela dela. Não generalizo. O bem não faz alarde, não quer aparecer, mas caminha por todos os lugares e está em todas as pessoas. Jesus agia com coragem, mas com muita humildade e esse é o exemplo de como agir no bem. Acredito que a proporção de pessoas melhores supera o das piores, mas elas não ficam em evidência. A transformação do planeta num dado momento fará o bem continuar a agir naturalmente, mas de forma mais intensa, em todas as nações, intimidando o mal em sua arrogância, tirando-lhe as forças. Nosso governador é Jesus. Quem duvida disso?

Per.: Podemos colher exemplos no cotidiano?
Num aspecto mais amplo, vemos a justiça brasileira sendo feita com mais respeito à igualdade para com todos os cidadãos e de forma mais honesta. Outros exemplos são os milhares de universitários pesquisadores em todas as áreas, pouco valorizados, mas trabalhando por ideias nobres pelo avanço da Ciência e da tecnologia. Podemos citar também as pessoas que devolvem as carteiras ou malas com dinheiro achadas por pessoas que teriam vários motivos para não devolvê-las, por sobreviverem com parcos salários, com dívidas necessárias a essa sobrevivência e, em muitos casos, não tendo como pagá-las. O aumento das ONGs para cuidar dos animais.
Os anônimos que levam um pouco de alegria e conforto aos pacientes dos hospitais. Essa questão ultrapassa os limites destas respostas, mas acredito ser importante destacar o exemplo de mulheres que são as provedoras dos seus lares, são mães, esposas ou não, filhas, trabalhando fora e dentro do lar e estudando à noite para melhorarem de vida, e dão conta. Não posso então dizer que o mundo está melhorando?

Per.: Qual é o fator mais marcante para o início de uma transformação real?
Parafraseando O Livro dos Espíritos, questão 909: a vontade.

Per.: Qual o maior impedimento?
Ainda na questão 909 de O Livro dos Espíritos somos alertados sobre o pouco de esforço que devemos fazer e comumente não fazemos para a nossa transformação real.

Per.: De suas reflexões, qual a mais marcante neste processo intenso de transformação individual e coletiva?
A vontade. Hoje estamos no mundo das facilidades. Meu pai, nos seus oitenta anos, costuma dizer que não tem saudade do seu tempo de menino ou juventude. Mal tinham o que comer e o que vestir. Começava a trabalhar desde criança na lavoura com pessoas irritadiças e o retorno financeiro era mínimo. Ele diz que o mundo hoje está muito melhor e vive feliz porque sua vida melhorou. Ele sempre agiu com muita vontade, trabalho e suor nas suas conquistas e a maior delas foi seu crescimento moral, no qual tento me espelhar.

Per.: Das experiências já vividas, o que gostaria de destacar ao leitor?
Devemos aproveitar as oportunidades para o nosso crescimento individual. Não devemos desperdiçar nossa encarnação. A fila é grande para voltar a esta escola bendida. Os livros, palestras, cursos, trabalhos na Casa Espírita são ferramentas preciosas, mas não bastam, temos que ir além. O trabalho em favor do semelhante favorecerá esse crescimento. A convivência no dia a dia nos dará oportunidade de minimizar os defeitos que carregamos e maximizar as virtudes que temos.

Per.: Algo mais que gostaria de acrescentar?
Trabalhando com crianças como oportunidade abençoada nesta encarnação, apelo par que todas as Casas Espíritas voltem o seu olhar para elas, invistam na Evangelização Infantil, que é a aplicação da moral cristã para quem acabou de reencarnar. Os dirigentes, apesar das grandes responsabilidades que lhes cabem, derramarem seu amor sobre elas e esse amor será devolvido em dobro. As nossas Casas Espíritas precisam encher-se de crianças. Elas representam as flores com suas cores e perfumes a alegrar todo o espaço físico, por mais simples que seja modificando seu padrão vibratório. Criança evangelizada, adulto consciente e feliz.
 
Per.: Suas palavras finais.
Dentro deste contexto, os espíritas estão em luta íntima constantes para renovação do seu mundo interior e exterior. “O ensinamento do Mestre que diz: ‘Orai e Vigiai”, acrescido de “Meditai”, torna-se uma ordem urgente no momento que estamos passando.

Extraído o jornal O IMORTAL – ago -  2018

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